Teletransporte um dia se tornará realidade?

Por , em 23.06.2012

Ônibus lotados, engarrafamentos monstruosos, risco de atropelamento ou assalto. Não seria uma beleza se pudéssemos simplesmente nos teleportar para a faculdade ou escritório? Infelizmente, mesmo com todo o conhecimento acumulado pela ciência até agora, o teletransporte de objetos ou pessoas permanece uma ideia absurda.

Na escala atômica, a história é outra: há alguns anos, cientistas conseguiram “teleportar” uma partícula a uma distância de 16 quilômetros. Colocamos entre aspas porque, na verdade, eles não teleportaram exatamente a partícula, mas suas informações quânticas – o que não deixa de ser um feito surpreendente.

Para isso, eles usaram um fenômeno chamado de “emaranhamento”, no qual duas partículas estão ligadas e sofrem influência mútua independentemente da distância. Mesmo Einstein, com suas teorias revolucionárias, ficou chocado quando observou o fenômeno pela primeira vez.

Para teleportar um objeto, então, seria preciso “emaranhar” suas partículas com outras no local de destino. Ainda assim, as informações do objeto inicial teriam de ser transportadas através de ondas de rádio, por exemplo. Portanto, nada de viagens interestelares feitas em segundos, como acontece na série Jornada nas Estrelas.

Mil barreiras

Outro problema é que seria necessário ter partículas prontas para receber as informações. “Você precisaria de dois equipamentos – um gerador de emaranhamento no ponto A e um receptor de emaranhamento no ponto B”, explica o físico Sidney Perkowitz, da Universidade Emory, em Atlanta (EUA).

Quem prestou atenção até aqui terá percebido que, com esse modelo, um objeto não seria transportado realmente, mas clonado. Para piorar, só o fato de analisar as informações quânticas já poderia destruir o objeto original – é o famoso Princípio da Incerteza de Heisenberg, segundo o qual a simples observação de uma partícula já altera seu comportamento.

Se já é complicado teleportar partículas, imagine objetos mais complexos, como células ou corpos inteiros. “O único teletransporte já observado foi o de informações quânticas, como o spin de um elétron”, lembra o físico. São informações relativamente simples. Para teleportar coisas maiores (e, portanto, informações infinitamente mais complexas), seria preciso um tempo monstruoso.

O buraco é mais embaixo

Enquanto o emaranhamento não ajuda, há quem aposte em uma teoria diferente (mas tão exótica quanto): a dos Buracos de Minhoca, túneis hipotéticos ligando pontos diferentes no tempo e no espaço.

Para gerá-los, dizem os cientistas, seria preciso lidar com forças exóticas, as quais sequer sonhamos em dominar. Em suma, “teletransporte é impossível para o nosso conhecimento atual”, diz Perkowitz.

Parece que não vamos abandonar os ônibus lotados tão cedo. [Life’s Little Mysteries]

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19 comentários

  • Thauan Miranda:

    TODOS VIRANDO GoKO

  • Murilo Mazzolo:

    Se existir Teletransporte algum dia, imagina o Grau de obesidade da população!!! Se hoje existem tantos que andam para chegar ao trabalho ou para pegar ônibus e metrôs, imagina se o transporte for simplesmente entrar num “tubo” e parar no destino numa fração de segundos!!!! kk

  • Rafael2:

    Uau, com essa, eu é que fiquei emaranhado com meus neurônios! heheh…

  • Tibulace:

    Bem,teóricamente, são DOIS caminhos:1- uma pessoa, com peso médio de 70-75 kg, teria o seu corpo TOTALMENTE analisado por uma máquina, que TERIA QUE TER a inconcebível quantidade de informações necessária para duplicá-lo.Essa monstruosa quantidade de informações, seria transmitida, SEM ERROS para o local de destino, onde seria usada por outro mecanismo, para construir o CORPO/CÓPIA da pessoa.2-A massa da pessoa, seria transformada TOTALMENTE em ENERGIA, segundo a famosa E = mc².Depois, essa IMENSA quantidade de energia, seria transmitida pelo espaço, como uma onda eletromagnética, SEM PERDAS na transmissão/recepção.Sem acréscimos indesejáveis, tipo o filme A Mosca.Lá chegando, seria RECONVERTIDA em matéria novamente, tudo colocado CERTINHO nos seus lugares, ÁTOMO POR ÁTOMO.Iclusive, o corpo humano, depois de todo esse processo, teria que CONTINUAR VIVO, coração batendo, todos os órgãos funcionando… .Na minha maneira de pensar, a PLAUSIBILIDADE de isso acontecer nos próximos SÉCULOS, é NULA!

  • Marte:

    O teletransporte não está tão longe assim. Lembrando, Einstein deixou uma brecha para essa possibilidade e quem entende de Física diz que essa brecha é enorme.

    O maior problema atual é como gerar a quantidade de energia necessária para fazer o feito. Nada que algum bom brasileiro não consiga resolver com sua criatividade.

  • RobertoLyrio:

    Isso me lembrou um filme que vi no Space, que gira todo em torno desse mesmo tipo de “teletransporte”. A mulher, para ser transportada pra um local muito distante da nave, entra numa máquina que, na verdade, faz uma “cópia” perfeita dela em outro lugar. Mas e o corpo original? Este era “eliminado” pela máquina, no que eles chamavam de “equalização” ou algo parecido.
    O que acontece no filme é que a máquina, por alguma falha, não “elimina” a mulher original, e ficam duas dela, uma que foi, e uma que ficou na máquina. Ela achou que o teletransporte havia dado errado, mas com o passar do tempo, a outra versão dela volta para a nave concluindo sua missão. Todos ficam espantados, pois agora existem duas dela. A outra espécie alienígena força os humanos a matar a cópia que ficou, pois “é preciso realizar a equalização”. Então, a mulher original que ficou na nave é assassinada, para que a cópia dela sobreviva.

    A questão que o filme deixa em aberto é: Se você é copiado em algum outro lugar, na verdade você está lá, ou ainda está aqui? Uma cópia sua foi, mas você ainda estará aqui. No sistema de “teletransporte” (que pra mim deveria ser chamado é de “clonagem instantanea”) proposto no filme, a pessoa deve ser instantaneamente “eliminada” (morta) após a cópia aparecer do outro lado, para que assim não se tenha duas pessoas completamente distintas!

    • Murilo Mazzolo:

      Nossa… isso forma quase um paradoxo!!! Se uma máquina me clona instantaneamente e meu clone seja eu próprio, e tivesse que eliminar um… qual é realmente eu: O original copiado ou o outro eu, que é exatamente eu?? E se eu morrer, estarei em minha cópia ou outro de mim que estará lá, e eu estarei apenas morto?????
      PQP

  • Alberto Campos:

    Eu acho que fosse possível viajar no tempo, já teríamos prova disto. Quem não viajaria ao passado? Se isto acontecesse teríamos provas atualmente.

    • RobertoLyrio:

      E quem pode provar que parte do nosso passado não é influenciado por pessoas que vieram do futuro? Até na “Bíblia Sagrada” tem relatos de viagens no tempo – sendo verdade ou não pra você, é algo que já se é discutido na humanidade há muito tempo…

    • Murilo Mazzolo:

      Cara existe teorias sobre o espaço e tempo, que o simples fato de estar no passado mudaria o futuro. Se (por exemplo) você vivesse em 2500 e decidisse voltar ao ano de 2012 pra informar que existirá uma maquina do tempo, a própria criação da maquina do tempo que você estaria usando não seria criada da mesma forma, assim anulando boa parte da história como você conhece.

  • Dinho01:

    Só uma correção, em Jornada nas Estrelas não existem teletranportes feitos para viagens estelares.Os tranportes são feitos geralmente da nave para algum ponto do planeta que está sendo orbitado.

    • Tony:

      Justamente, as viagens interestelares do seriado Star Trek usam um outro princípio: a dobra de espaço popularizada pelas equações do físico mexicano Alcubierre. Será possível quando podermos dominar campos gravitacionais com a mesma facilidade com que fazemos com os eletromagnéticos, hipótese ainda mais factível(na minha opinião) que dominar os buracos de minhoca.
      Já o “teletransporte” do seriado limita-se a distâncias relativamente curtas em comparação, ou seja “planetárias”. Mas na física do mundo real dos buracos de minhoca, nada indica até agora que teremos alguma limitação do tipo, planetária, interplanetária, interestelar, ou mesmo intergalática, tal “limite” ainda não foi descoberto.

  • Tony:

    O modelo teórico do emaranhamento pode vir a ser muito útil no campo dos computadores quânticos e outras coisas como um “rádio subspacial” ou uma super-internet de alcance interestelar, porém é um beco sem saída pro teletransporte.
    Já o dos “buracos de minhoca”, esse sim, é bem promissor se o que se quer mesmo for o transporte da matéria junto com a informação.

  • elisa:

    Mesmo que fosse possível teletransportar toda matéria do nosso corpo,será que a memória ficaria intacta?
    Vou mais além… para quem acredita como eu, e o espírito e alma?

    • Tony:

      Quem sabe o fenômeno que chamamos “alma” não seja em verdade uma espécie de emaranhamento que se desloca pra outro lugar com a morte física… Claro, não tenho certeza de nada disso, é só especulação mesmo.

    • claudiohagra:

      É elisa, vc agora complicou tudo!
      Com estas palavras vc, pelo menos teoricamente, acabou de afirmar que o teletransporte é humanamente impossível.Como teletransportar a alma?
      Já para os objetos não sou muito cético.Acredito que nos próximos séculos haverá viabilidade para matéria.

    • Dinho01:

      Essa dúvida sobre o teletransporte da alma me lembrou um texto sobre projeciologia.Dizem que quando projetamos nosso corpo astral (ou alma)um cordão prateado interminável parece ligar nosso corpo físico ao corpo astral.Essa ligação só se rompe na hora da morte.Talvez isso mostre que se teletransportarmos o corpo,a alma vá junto.

  • Solemar Junior:

    Para podermos nos teletransportar no espaço e no tempo, teríamos que primeiro achar uma forma de neutralizar as regras que somos obrigados a receber influencia por sermos maior do que o nível subatômico, Isso é, precisar de tempo para percorrer o espaço, precisar de espaço para percorrer no tempo, ter influencia sobre todas as coisas e receber influencia de todas elas, como os átomos fazem a todo instante.
    Assim, se nós simplesmente precisássemos existir em um outro lugar e período, simplesmente passaríamos a viver ali.

    • Nik:

      Lembrou-me um pouquinho o poder do “Noturno” de X-Men, que para se teletransportar precisa passar por outra dimensão antes de chegar ao destino final.

      Mas enfim, se teletransporte realmente existir um dia duvido que seja algo “instantâneo” devido a quantidade de informações que deveriam ser levadas em conta para que tudo desse certo, alias, acho que demoraria MUITO MESMO só valendo a pena para viagens realmente necessárias.

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