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Uma visita alienígena é mais fácil do que se pensava

Por , em 28.07.2013

Um novo estudo sugere que, usando tecnologia avançada e efeitos gravitacionais, as vastas distâncias do tempo e do espaço podem ser superadas dentro das leis da Física, permitindo um contato imediato com uma facilidade surpreendente.

Usando o efeito estilingue para impulsionar sondas autorreplicantes através do espaço interestelar, uma civilização extraterrestre avançada deve ser capaz de visitar todos os cantos da galáxia em um surpreendentemente curto espaço de tempo. O Paradoxo de Fermi está de volta: a aparente contradição entre as altas estimativas de probabilidade de existência de civilizações extraterrestres e a falta de evidências para tais civilizações ou o contato com elas.

Taxa exponencial de expansão

A hipotética sonda autorreplicante (SRP), ou sonda Von Neumann, é uma ideia que tem sido pensada desde a década de 1940. Criada pelo brilhante matemático John von Neumann, é um sistema não biológico que pode se replicar. Von Neumann não estava pensando em exploração e colonização do espaço na época, mas outros pensadores, como Freeman Dyson, Eric Drexler e Robert Freitas,adotaram sua ideia exatamente justamente para isso.

Uma vez lançada ao espaço, uma SRP poderia viajar para um sistema estelar vizinho, e por meio de aplicações da robótica, montagem molecular, e inteligência artificial, buscar recursos para construir uma réplica exata de si mesma. Tudo o que precisaria fazer é encontrar um asteroide com os recursos materiais adequados.

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Com base na sofisticação e finalidade da sonda, ela poderia estabelecer colônias em planetas apropriados (distribuir organismos biológicos ou robôs com inteligência artificial embutida, ou mesmo mentes pensantes virtualizadas). De forma mais simples, uma SRP poderia gerar sondas de Bracewell (uma sonda autônoma com o objetivo de procurar e se comunicar com civilizações alienígenas), o que poderia fazer contato com uma criatura inteligente ou uma civilização.

Depois da missão executada, ele geraria versões filhas de si mesmo, que seriam enviadas para o sistema estelar mais próximo.

O poder das SRP reside em sua capacidade de se replicar a uma taxa exponencial. A taxa inicial de exploração seria lenta, mas depois seria capaz de produzir, potencialmente, milhões e milhões de descendentes – a taxa de expansão aumentaria numa ordem de magnitude. Assim, mesmo a uma velocidade de cerca de um décimo da velocidade da luz, estas sondas podem abranger uma quantidade enorme de território num espaço de tempo relativamente curto, visto de uma perspectiva cosmológica.

O conceito da SRP tem alimentado grande parte do Paradoxo de Fermi, ou seja, a sugestão de que já deveríamos ter visto sinais de extraterrestres.

Estilingue dinâmico

E agora, com uma nova publicação de Arwen Nicholson e Duncan Forgan, do Instituto de Astronomia da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, o Paradoxo de Fermi apenas ficou consideravelmente pior.

Problemas potenciais ou inibidores para a propagação SRP incluem a energia e o tempo necessário para viajar a distância entre as estrelas – anos-luz. Uma sonda autoconstrutora requer motores de propulsão e uma fonte de combustível não só seria complicada, seria também muito demorada.

Mas, de acordo com o novo estudo, que foi publicado no Jornal Internacional da Astronomia, aliens (ou nossos descendentes no futuro) poderiam usar o efeito estilingue para impulsionar SRPs de estrela para estrela – um efeito já conhecido, usado para mover as sondas Voyager através do nosso sistema solar, pulando de planeta para planeta. Mas, para que funcione numa escala galáctica, as SRPs usariam manobras de estilingue em torno de estrelas, ganhando um impulso também a partir do movimento de cada estrela ao redor do centro galáctico – uma energia gigantesca, capaz de jogar estrelas e planetas pra fora da galáxia.

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Estas manobras têm pouco ou nenhum custo de energia extra.

A autorreplicação em tempo real

Curiosamente, Nicholson e Forgan assumiram a hipótese de que a sonda recolhe matéria (como poeira e gás) a partir do meio interestelar à medida que viaja através do espaço. Ela pode, literalmente, construir réplicas de si mesma enquanto está viajando – sem precisar de paradas.

“Uma sonda pai chega a nova estrela destino, e antes de se lançar no próximo estilingue enquanto dá voltas em torno da estrela, libera uma sonda réplica”, eles observam no estudo. “Tanto a sonda pai quanto a réplica usam o estilingue para aumentar a sua velocidade. À medida que o impulso de velocidade a partir de uma trajetória estilingue depende do ângulo entre as estrelas, a sonda pai e a réplica vão conseguir diferentes impulsos de velocidade, e assim terão diferentes estrelas destino”.

Usando esta técnica, uma civilização alienígena poderia enviar sondas que viajam mais rápido que 10% da velocidade da luz para cada sistema solar único na galáxia em apenas 10 milhões de anos – uma quantidade de tempo significativamente menor do que a idade da Terra.

Então, por onde andariam essas sondas?

Isto significa que uma civilização alienígena poderia (e deveria) ter chegado em nosso sistema solar até agora.

Então, onde estão as sondas? Ou as colônias?

A primeira e desapontadora possibilidade é que estamos de fato sozinhos, e não existe civilização alienígena para enviar as sondas. Mas isso é estranho e altamente improvável.

Também é possível que as sondas já estejam aqui, mas sejam invisíveis para nós. Ou não temos a tecnologia para detectá-las, ou elas estão ociosas esperando por algum momento ou ato nosso – quem sabe passarmos por algum tipo de teste ou limiar tecnológico.

Uma coisa é certa: conforme concluíram os pesquisadores, o estilingue até a estrela mais próxima continua a ser a maneira mais eficaz em tempo e esforço para explorar uma população de estrelas. [Io9, Journal of Astrobiology]

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18 comentários

  • Renato Alcantara:

    As sondas poderiam ser fora de proporção (microscópicas) ou compostas de campos energéticos (não serem sólidas).

  • Felipe Fernandes:

    Resumindo minha opinião: Uma probabilidade real não garante uma certeza factual.

  • Austregon:

    Pode ser que a nossa civilização seja a 1ª a alcançar o nível tecnológico necessário.

  • José Ladeira:

    Muitos pensam na possibilidade de haver civilizações alienigenas mas sempre refereem-se a civilizaçoes mais avançadas… Talvez sejamos das mais avançadas ou mesmo a mais avançada por este universo afora, e por isto nenhum alienigena pois cá os pés…

  • Jivago Chaves:

    Alguém já pensou que se é possível que existam civilizações extremamente mais avançadas que a nossa, também é bem possível que eles não tenham nenhum interesse em nós? Nós somos muito prepotentes e nos consideramos muito interessantes, mas é bem possível que isso seja uma falsa premissa.

  • Saulo Aredes:

    Não é bobagem, apenas teoria, lembre-se que um dia alguém falou que a terra era redonda e que não era o centro do universo, e as pessoas tiveram a mesma reação que você. Não acredito que tenhamos sido visitado por alienígenas no passado, ou que tenha algum escondido entre nos. Mas o universo é muito grande para estarmos sozinhos.

    • Diego Santos:

      É verdade “O UNIVERSO QUE CONHECEMOS” é extremamente grande…Mas se notarmos ele está a nosso favor por exemplo existem planetas em nossa galaxia e em outras que nos protegem contra asteroides e meteoritos,resumindo só por que o universo que nós ainda não conhecemos por completo é grande não significa que haja outros seres vivos
      em outros planetas,só significa que vivemos numa fortaleza gigante e complexa…
      Em fim será que esse universo surgiu por acaso ou teve um…

  • Pedro Barreto:

    É impressão minha ou essa sonda Von Neumann se comporta parecido com um vírus ? Quem sabe os vírus sejam sondas de raças microscópicas.

  • Eric Musashi:

    É provável que uma civilização que tenha desenvolvido tal sistema simplesmente ainda não teve o tempo necessário de 10 milhões de anos para esquadrinhar toda a Via Láctea.

  • grasisuperstar:

    esse assunto é sempre fascinante, por mais que não acredite que há vida inteligente em nossa galáxia gosto de ler e ver os comentários dos leitores….pena que não vamos ter o comentário sempre interessante do Jonatas….boa matéria.

  • Romario Huebra:

    Já que estamos pensando tão grande, eu acho a auto-replicação algo perigoso as sondas poderiam se “reproduzir” de forma descontrolada extinguindo alguns tipos de minérios, e chegar a uma população gigante a ponto de se tornar um problema.

    • Jonatas Almeida da Silva:

      A auto-replicação é um conceito antigo da ficção científica.
      Mas curiosamente a primeira vez que vi sobre ela foi num desenho, a Liga da Justiça, que teve um trabalho danado pra deter uma poderosa máquina de guerra que chegou à Terra: um pesadelo nanotecnológico, nanorobôs autoreplicantes que absorviam matéria do ambiente e a transformavam a nível molecular, criando um exército de robôs e naves cópias da original pra infestar outros planetas. Surgiu a 50.000 anos, consumiu os planetas em guerra das civilizações que a criaram mas não se deram conta que a guerra acabou, continuaram se autor replicando e causando desastres planetários – é clao que não contavam que na Terra DC encontrariam pela frente o Capitão Elétron, o herói mais nerd tecnopata da Liga… essa foi por pouco, rsrrsrs
      Na futurâmica espacial o contexto aparece em Jornada nas Estrelas, não acompanhei muito, e nos livros Perry Rhodan, terceiro ciclo, os Pos-Bis, robôs malvados infestando a galáxia – gigantescas naves vivas capazes de se dividir e se agregar novamente.
      Mas em fim, você está certo, essa ideia pode ser uma praga galáctica ou até mesmo uma arma suprema.

    • Lucas Noetzold:

      Não é difícil planejar um limite para a replicação de sondas, as quais inclusive não possuem o mesmo problema de auto replicantes biologicos, que podem sofrer mutações e sair de controle.

  • Rafael Carvalho:

    São muitos os mistérios!

  • Lucas Noetzold:

    Ou talvez a possibilidade de existir vida com civilização e alto nível tecnológico em nossa galáxia seja pequena.
    Para início é necessário um planeta que tenha condições de abrigar sistemas químicos complexos que, além de um correto posicionamento em relação a sua estrela também necessita uma composição química inicial adequada e órbita quase circular estável. Aí vem a necessidade de perdurar por muito tempo sem grandes catástrofes (como a terra em seus 4,5 bilhões de anos).
    Caso surja uma forma de vida então neste planeta:
    Presumindo que a vida neste tenha um sistema de evolução semelhante ao nosso, é possível que demore diversas vezes mais para sair do estágio unitário (unicelular caso imaginemos células), e caso isto aconteça ainda pode demorar diversas vezes mais para desenvolver uma espécie com capacidade semelhante a nossa devido a necessidade de certas características físicas e intelectuais.
    Não sabemos se a forma com que vemos e priorizamos o que está ao nosso redor é uma tendência ou não, é possível haver formas de consciência que não possuem as mesmas necessidades de constante aprendizagem e compreensão que nós (necessidades que nos levaram a diversos avanços no sentido moral e tecnológico).
    Caso até este ponto chequem as características necessárias ainda há a grande possibilidade de extinção da espécie devido a fatores naturais ou a auto-aniquilação (risco que nós mesmos estamos correndo).
    Ainda pode ocorrer (este já menos provável) de a espécie acabar criando algum problema tecnológico ou biológico consequente de exploração espacial que cause sua extinção, ou fazer a utilização indevida dos recursos de seu sistema e novamente voltar ao problema da auto-extinção.

    Por estes motivos considero (apesar da imensa quantia de sistemas estrelares) difícil a existência de outras civilizações em uma só galáxia.

    • Jonatas Almeida da Silva:

      É, isso está naquela famosa equação da possibilidade de contato imediato entre civilizações da galáxia – pelo que me lembro ela conclui apenas cinco civilizações para toda a Via-Láctea, apesar da vida sim, ser muito mais numerosa.
      Mas ainda fico com a hipótese das sondas indetectadas nos vigiando, pois acredito na existência de civilizações muito mais avançadas, que já superaram toda a adversidade da natureza, enquanto nossa presença no espaço ainda é muito fraca para cobrir com certeza absoluto de que apenas nossas maquinas é que voam por essas bandas… 🙂

    • Lucas Noetzold:

      Concordo, Jonatas. Também acredito que já deveríamos ter encontrado civilizações capazes de viajar além da própria galáxia, as quais seriam mais presentes e fáceis de encontrar (creio eu). Acredito que a inexistência de contato aparente com tais seja produto da falta de interesse que estas teriam em nós. Mas são todas apenas hipóteses que concluímos sem sequer ter atingido algum ponto fora de nosso sistema solar.

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