10 disfarces militares bizarros que funcionaram

Por , em 8.06.2016

Os militares modernos usam tecidos com estampas de camuflagem relativamente padronizadas para tentar se esconder de forças inimigas, mas nem todo disfarce é tão entediante. Alguns – que realmente funcionaram – são mais estranhos e ridículos.

O site Listverse fez uma lista com dez destes casos impressionantes – e ligeiramente engraçados:

10. Comandos israelenses enganaram sentinelas se vestindo de mulher

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Em 1973, Israel lançou a Operação Primavera da Juventude para alvejar a Organização de Libertação da Palestina (OLP), como vingança pelo massacre de atletas israelenses em Munique. A operação, que visava líderes da OLP que viviam no Líbano, tinha que ser muito furtiva.

A força de operações especiais Sayeret Matkal era encarregada de realizar os assassinatos e teve que passar por forças de segurança libanesas e guardas da OLP sem levantar suspeitas. Para fazer isso, os israelenses apelaram para um disfarce ridículo: cross-dressing (usar roupas ou objetos do outro sexo).

Depois de chegar em terra na costa libanesa em 9 de abril de 1973, alguns dos soldados israelenses colocaram vestidos e perucas. Junto de alguns dos outros comandos, eles fingiram ser casais apaixonados.

Depois de serem conduzidos até seus alvos por agentes do Mossad, alguns soldados derrubaram as portas e invadiram suas casas, enquanto outros, ainda vestidos como mulheres, vigiavam o exterior das residências. A operação foi um sucesso, com apenas dois israelenses mortos.

9. Explosivos disfarçados de farinha que podiam ser comidos

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A Agência de Serviços Estratégicos (OSS, do inglês Office of Strategic Services), o serviço de inteligência dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial, queria interromper as operações japonesas no sudeste da Ásia. Logo, procuraram a ajuda do químico George Bogdan Kistiakowsky, que criou um explosivo aperfeiçoado que podia ser disfarçado de farinha – e até ser utilizado para cozinhar.

A mistura, chamada de “Tia Jemima”, levava três partes de explosivo e uma parte de farinha e poderia passar por soldados japoneses sem levantar qualquer suspeita. Caso houvesse alguma desconfiança, um pão realista em aparência e gosto poderia ser feito e comido para provar aos japoneses que a farinha era “apenas farinha”.

Embora a farinha pudesse ser ingerida, a mistura original deixava as pessoas muito doentes. Isto foi amplamente demonstrado em um incidente quando um cozinheiro chinês desobedeceu ordens e comeu um muffin, ficando tão doente que quase morreu.

Em última análise, uma segunda versão de “Tia Jemima” foi desenvolvida, muito menos tóxica do que a primeira variante, que podia ser consumida com segurança em grandes quantidades. No final, mais de 15 toneladas do material foi contrabandeado para áreas controladas por japoneses sem que eles tivessem a menor ideia do que estava acontecendo.

8. Camuflagem Dazzle

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Em 1917, quando os submarinos alemães tinham afundado 20% da frota mercante britânica, a Grã-Bretanha precisava conter as perdas de qualquer maneira possível. Apesar de tentativas anteriores de disfarçar os navios mercantes terem falhado espetacularmente ou sido impraticáveis, o artista Norman Wilkinson desenvolveu a camuflagem Dazzle para confundir os inimigos sobre o avanço do navio.

Se um submarino não pudesse determinar onde um navio estava indo em relação a si mesmo, não poderia mirar um torpedo no navio de forma eficaz. Formas geométricas em vários tons de preto e branco faziam justamente isso, ao obscurecer a proa e outros ângulos que o U-Boat (como eram chamados os submarinos alemães) normalmente utilizava para determinar o rumo do navio.

Wilkinson propôs sua ideia para o Almirantado, que estava desesperado para parar os submarinos. Por causa disso, eles colocaram a ideia em prática sem muito teste. Centenas de navios foram pintados com camuflagem Dazzle, cada um com um padrão único para que os alemães não conseguissem identificar as classes de navios com base em seus padrões de camuflagem.

No final, não houve nenhuma medição oficial da sua eficácia. Mas relatos pessoais e pesquisas mais recentes indicam que a camuflagem Dazzle funcionou.

7. O homem que se vestiu de noiva do rei para assassiná-lo

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De 1665 a 1678, o Império do Congo na África foi dilacerado pela guerra civil entre duas grandes casas nobres após a morte do rei. Soyo, uma terceira casa nobre, controlava outra parte do país e regularmente se intrometia nos assuntos das duas outras casas. Depois que Pedro III, um dos últimos reis do Congo, foi forçado a fugir da sua capital para em seguida retomá-la pela força, Manuel de Nóbrega, um parente do rei pretendente que Pedro III tinha destronado, planejou sua vingança.

De Nóbrega concluiu que seria impossível destronar Pedro III pela força. Em vez disso, ele enganou Pedro III, propondo que ele se casasse com uma mulher do clã De Nóbrega para acabar com a guerra civil de mais de uma década e trazer paz ao Congo.

De Nóbrega se disfarçou de noiva. Na cerimônia de casamento, chegou perto o suficiente para atirar e matar Pedro III, colocando um fim à guerra.

6. Comandos israelenses se infiltraram em um hospital fingindo ser mulher grávida e seus parentes


A Cisjordânia, em Jerusalém, é frequentemente palco de violentos confrontos entre palestinos e forças de Israel. Em novembro de 2015, Azzam Shalaldeh, de 20 anos, era suspeito no esfaqueamento de um israelense. Depois de levar um tiro da pessoa que ele supostamente teria atacado, Azzam se refugiou em um hospital palestino em Hebron.

Enquanto estava sendo tratado, as autoridades israelenses queriam prendê-lo. Mas as forças de segurança de Israel não são bem vistas na Cisjordânia, o que tornava qualquer tentativa aberta de extração do suspeito arriscada.

Então, soldados israelenses de elite de Duvdevan, uma unidade secreta que muitas vezes se mistura com os palestinos, entrou no hospital fingindo ser um grupo de parentes barbudos com uma mulher grávida em uma cadeira de rodas, que estava entrando em trabalho de parto. Este disfarce enganou o pessoal do hospital, que os deixou entrar.

Depois de ganhar acesso ao hospital, as forças especiais retiraram seus disfarces e chegaram até o terceiro andar. Eles atiraram no primo de Azzam antes de retirar o próprio Azzam dali em uma cadeira de rodas.

5. Soldados australianos disfarçados de pescadores malaios enganaram os japoneses

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A Operação Jaywick era um plano dos britânicos e australianos de se esgueirar por Singapura e causar estragos entre os navios japoneses ancorados lá, interrompendo a logística deles. Para fazer isso, uma unidade conjunta de forças especiais britânicas e australianas com 11 soldados se disfarçou de pescadores malaios tingindo a própria pele. Em seguida, eles navegaram um navio de pesca por mares controlados pelos japoneses.

O barco de pesca Krait foi carregado com canoas e armas e seguiu seu caminho em setembro de 1943. Nenhum dos membros da tripulação falava malaio, então eles tinham que ficar longe dos homens em outros navios de pesca para evitar que fossem descobertos e capturados. Além disso, as características faciais dos soldados eram bastante diferentes dos locais, mesmo com corante.

Depois de passar dias evitando as patrulhas japonesas, o Krait conseguiu chegar a um ponto de ancoragem isolado e lançar várias canoas tripuladas por soldados. Ao longo de três dias, entraram em Singapura, plantaram explosivos em vários navios japoneses e escaparam. O disfarce enganou forças japonesas na área e, em meados de outubro de 1943, o Krait já estava de volta na Austrália, são e salvo.

4. Os elaborados esquemas da Marinha Real para interceptar U-Boats

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Depois que a Alemanha declarou guerra submarina irrestrita, em 1917, os britânicos procuraram muitas maneiras de revidar. Uma dessas formas foi a camuflagem Dazzle, mas outra foram os Q-Ships.

Q-Ships – navios mercantes que estavam secretamente armados com canhões e metralhadoras – foram equipados com anteparas impermeáveis que os tornaram resistentes aos torpedos e enganaram os U-Boats para que se aproximassem antes de serem destruídos. Esta estratégia funcionou porque os submarinos carregavam um número limitado de torpedos. Dada a natureza sem armas do inimigo que estavam atacando, os submarinos muitas vezes vinham até a superfície e usavam suas armas de convés para acabar com navios mercantes.

O pessoal dos Q-Ships fazia exposições elaboradas para fazer com que os submarinos se aproximassem e viessem até a superfície – dessa forma, os submarinos poderiam ser alvo das armas dos Q-Ships. Por exemplo, se um submarino atingisse o Q-Ship com um torpedo, o navio permanecia à tona, enquanto metade da tripulação fingia estar em pânico, correndo em volta no convés e lançando botes salva-vidas ao mar.

A coreografia inevitavelmente incluía um último homem correndo pelo convés em pânico e um barco salva-vidas tendo de voltar para o navio para levá-lo. Eles chegavam a usar até papagaios empalhados para tornar as cenas mais realistas, porque marinheiros geralmente tinham um animal de estimação. A tripulação restante ficava em estações de armas ocultas até que o U-Boat viesse à tona. Em seguida, a tripulação do navio abria fogo sobre o submarino.

3. Forças armadas dos EUA foram enganadas por troncos de madeira e palheiros

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Após a dissolução da Iugoslávia e a chegada ao poder de Slobodan Milosevic na Sérvia, os Bálcãs entraram em uma orgia de violência e limpeza étnica. O estado de Kosovo foi particularmente afetado, e bósnios sérvios se esforçaram para remover kosovares albaneses da província, mesmo que o custo tenha sido que as forças armadas dos Estados Unidos realizassem ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra as forças sérvias.

As coisas ficaram ainda mais sangrentas quando os albaneses começaram a revidar, formando o Exército de Libertação do Kosovo. A Otan iniciou ataques aéreos em larga escala em 1999. Durante esse ano, a Otan afirmou ter destruído centenas de tanques e matado milhares de soldados sérvios. No entanto, estava enganada.

O exército sérvio tinha usado chamarizes primitivos para enganar os aviões da Otan, como pontes falsas feitas de plástico, peças de artilharia de madeira e falsos lançadores de mísseis antiaéreos de caixas de leite.

Surpreendentemente, esses disfarces ridículos funcionaram. O exército sérvio ficou quase inteiramente intacto e se retirou em bom estado, com quase todos os seus equipamentos, após o cessar-fogo ter sido declarado em 1999.

2. Soldados alemães disfarçaram um posto de observação de árvore

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Durante a Primeira Guerra Mundial, postos de observação de artilharia disfarçados de árvores foram usados por cada um dos lados para espionar o outro. Em 1915, os franceses foram os primeiros a desenvolver esta estratégia, aproveitando a experiência artística de alguns de seus soldados.

Eles secretamente criaram réplicas de aço de árvores e substituíram as reais pelas falsas na calada da noite. Isso foi feito para evitar que o inimigo suspeitasse de uma nova árvore que aparecesse de repente em terras de ninguém. Os britânicos logo copiaram os franceses e os alemães depois seguiram o mesmo exemplo.

As “árvores” de aço tinham exteriores elaborados que se assemelhavam a casca e madeira que tinham sido submetidas a tiros e estilhaços de artilharia. Os soldados ficavam no topo dessas árvores em pequenos bancos em condições precárias e provavelmente usavam periscópios para ver o exterior através de pequenos buracos nas árvores falsas – malha de aço era usada para disfarçar os buracos.

1. Navio de guerra holandês escapou de japoneses disfarçado de ilha

Abraham Crijnssen
Após a invasão japonesa da Índias Orientais Holandesas em 1941, os navios holandeses que ainda restavam nas Índias Orientais foram obrigados a fugir para a Austrália. Muitos navios holandeses em suas rotas de fuga ou foram afundados ou foram vítimas de navios de guerra japoneses ou aeronaves de patrulha.

No entanto, o HNLMS Abraham Crijnssen, um pequeno caça-minas com pouco em termos de armamento ofensivo ou velocidade, foi capaz de escapar com sucesso para a Austrália porque o capitão criou um esquema louco: ele disfarçou o navio inteiro como uma pequena ilha.

Embora a Abraham Crijnssen tenha sido um navio relativamente pequeno, ele ainda era um objeto grande, com cerca de 55 metros de comprimento e 7 metros de largura. Então, a tripulação usou vegetação e tinta cinza para fazer o casco do navio parecer com paredes rochosas.

Movendo-se apenas à noite, o navio foi capaz de misturar-se com as milhares de outras pequenas ilhas ao redor Indonésia e os japoneses não perceberam o inimigo. O Abraham Crijnssen foi o último navio Aliado que escapou das Índias Orientais Holandesas. [Listverse]

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