10 incríveis mutações de cores em animais

Por , em 12.03.2014

Todo mundo sabe que pinguins são preto e branco, assim como os pandas. Que os elefantes são cinza, e tigres têm cor laranja com listras pretas. No entanto, a mãe natureza às vezes nos brinda com algumas mutações de cores que invertem a ordem das coisas.

Você provavelmente não verá nenhum canguru ou elefante albino no zoológico de sua cidade (até porque estes são indivíduos muito raros de encontrar), mas confira a nossa lista e você conhecerá animais surpreendentemente exóticos.

10. Urso panda marrom


Os simpaticíssimos pandas possuem apenas uma subespécie: justamente o urso panda marrom. Eles também são conhecidos como ursos Qinling, uma vez que são encontrados originalmente nas montanhas Qinling, na China. Estes urso pandas têm os pelos marrom-escuros, enquanto a maioria dos pandas (assim como aquele de pelúcia que você ainda guarda no seu quarto) possui pelos pretos. Além disso, os Qinling apresentam uma pelagem mais para o bege nas regiões em que a maioria dos pandas tem pelos brancos.

De acordo com cientistas, estes ursos de cor diferente provavelmente surgiram quando os pandas regulares se renderam à endogamia – ou seja, à procriação com parentes. Os pandas castanhos já têm sido observados desde 1985, mas os biólogos só os declararam uma subespécie particular em 2005. As estimativas sobre quantos indivíduos da subespécie Qinling existem variam bastante. É possível que haja centenas deles escondidos nas montanhas chinesas, mas os cientistas, até agora, avistaram não mais do que cinco espécimes reais de urso panda marrom.

O vídeo mostra um desses raros animais junto com seu companheiro branco e preto.

9. Pinguim preto

Por mais que não pareça, existem ao menos 17 espécies de pinguim em nosso planeta, o que significa que as aves podem variar consideravelmente de aparência. O pinguim padrão no imaginário popular e nas animações de Hollywood possui a parte traseira preta e uma barriga branca, mas existem pinguins com cristas coloridas, plumas laranjas, nadadeiras brancas ou olhos amarelos brilhantes.

Uma das espécies de pinguim que mais chama atenção é o pinguim preto, que possui o corpo inteiro recoberto por penas escuras, frente e verso. Quando um fotógrafo da revista National Geographic avistou uma destas aves, em 2010, um ornitólogo (biólogo especialista em aves) considerou a mutação como “uma em um zilhão”. Confira no vídeo:

Estes pinguins possuem melanismo – excesso de produção de melanina, o pigmento que colore a pele. Levando em consideração que existe um número muito maior de aves que sofrem com a falta de melanina do que com o seu excesso, o melanismo nos pinguins é realmente um fato quase inédito.

8. Vênus, a gata quimérica

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Quimera é uma figura mitológica caracterizada por uma aparência híbrida de dois ou mais animais com capacidade de lançar fogo pelas narinas. Ok, a gatinha Vênus não solta fogo, mas tem lá suas semelhanças com a fera mística no que diz respeito à sua genética – e por ter seu rosto dividido praticamente no meio. De um lado, pelos inteiramente pretos e olhos verdes. Do outro, pelos alaranjados malhados e olhos azuis.

Embora ninguém saiba exatamente como Vênus acabou ficando com a carinha dividida desta forma, muitos acreditam que ela é uma quimera – mas na definição biológica do termo. Quimerismo é o nome dado ao resultado de dois embriões que se fundem no útero, e é um fenômeno bastante comum em gatos. Na verdade, a maioria dos gatos da espécie escama-de-tartaruga (“tortoiseshell”, no termo em inglês) do sexo masculino é composta de quimeras, embora a porcentagem caia bastante quando se analisam as gatas desta espécie.

7. Zebra com melanismo

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Os pinguins não são os únicos animais originalmente de cor preto e branco a ter a possibilidade de nascer com melanismo. Algumas zebras também apresentam a mutação genética, e apesar de o melanismo entre as zebras ser mais comum do que entre os pingüins, ainda é um fenômeno bem raro.

Infelizmente, é grande a possibilidade de as zebras com melanismo não durarem muito tempo na natureza selvagem. Ao contrário de seus colegas pinguins, as zebras com melanismo não são totalmente pretas. Na realidade, a diferença consiste no tamanho das listras pretas, bem maiores e pronunciadas do que nas zebras comuns. Estas listras fazem o animal parecer mais negro do que o habitual, embora cada zebra seja diferente em sua própria maneira – não existem duas zebras com o mesmo exato padrão de listras, elas são tão originais e particulares quanto as nossas impressões digitais.

6. Zebras com listras douradas

Enquanto o excesso de melanina faz com que a zebra exiba enormes tarjas pretas, a falta de melanina resulta em animais com listras douradas em vez de negras. O vídeo abaixo que circula na internet mostra Zoe, a zebra havaiana que apresenta incomuns listras alaranjadas e crina branca.

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Apesar de diversas fotografias de Zoe disponível na rede terem sido manipuladas, sua aparência real ainda é marcante, como se pode ver pelo vídeo. Zoe possui listras douradas e olhos azuis também devido à condição genética do melanismo. Ela ainda sofre com a perda da tirosinase, uma enzima responsável pela oxidação de fenóis em plantas e animais.

5. Canguru albino cinzento oriental

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O canguru albino cinzento oriental (Macropus giganteus) é uma das maiores espécies de canguru existentes. Eles podem medir até 2,10 metros de altura e pesar até 54 quilos. Os cangurus também são capazes de saltar 8 metros em distância em um único salto, pulando mais de 1,80 metros em altura, além de conseguirem atingir velocidades de cerca de 56 quilômetros por hora.

Os cangurus albinos desta espécie são raros de encontrar na natureza, mas um exemplar foi recentemente flagrado no Parque Nacional Namadgi, a sudoeste da capital australiana Camberra. Os guardas florestas locais acreditam que se trata de um canguru fêmea e a batizaram de Renée. Diferentemente da maioria dos membros de sua espécie, que possuem pelos acinzentado, Renée tem os pelos brancos como a neve e olhos cor de rosa.

Especialistas em vida selvagem dizem que cangurus albinos têm uma possibilidade mais baixa de sobrevivência na natureza, uma vez que são presas mais fáceis para predadores naturais como cães e raposas selvagens em comparação com os cangurus comuns. Eles também são mais suscetíveis ao câncer de pele e a queimaduras solares, além de serem mais propensos a ter dificuldades de visão e de audição.

4. Lagosta americana “meio a meio”

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Um dos maiores crustáceos conhecidos, a lagosta americana (também chamada de lagosta do Maine) é originalmente marrom, mas se torna laranja quando cozida. Em julho de 2006, uma lagosta americana capturada justamente no estado de Maine, EUA, parecia estar meia normal, meia cozida, uma vez que seu lado direito estava manchado de marrom e o lado esquerdo era laranja.

A casca das lagostas americanas possui uma combinação de pigmentos amarelos, vermelhos e azuis, e a metade da lagosta capturada em questão era laranja porque não contava com o componente azul. A outra metade do animal não foi afetada porque cada metade de uma lagosta americana cresce de forma independente. Lagostas “meio a meio” são uma raridade: as chance de encontrar uma é de cerca de uma em 50 milhões.

3. Tigre com melanismo

tigre preto melanismo

A este ponto você está mais do que acostumado com o melanismo, então aqui vai um último tópico sobre a mutação genética para você. Este é um tigre, uma das maiores espécies de felino do mundo, cujo peso pode ultrapassar 300 quilogramas.

Assim como acontece com as zebras, os tigres com melanismo não são completamente pretos. No caso dos gatos gigantes, suas listras pretas extra-largas são muito mais fáceis de serem notadas do que qualquer zebra porque, é claro, estas listras normalmente são amarelas ou douradas em vez de negras.

Um grupo de fotógrafos avistou um tigre com melanismo no Parque Nacional Simipal, na Índia, durante um Censo de tigres em 2012. O felino em questão era espécie bengala, naturalmente muito agressivo, e tinha o mesmo tamanho que os tigres sem problemas de melanina.

2. Veado branco de Seneca

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Até o seu fechamento, em 2000, o depósito do exército dos Estados Unidos em Seneca, Nova York, serviu como um local de armazenamento para a Segunda Guerra Mundial e para armas no período da Guerra do Golfo. Diversos veados brancos ficaram presos dentro das dependências do depósito em 1941 durante o estabelecimento dos limites da propriedade.

Graças às políticas favoráveis e à caça controlada, os veados brancos correspondem a 25% dos cerca de 800 veados que vivem no antigo depósito hoje em dia, tornando-se a maior população do mundo de animais mutantes que vivem em um único habitat.

Os veados brancos de Seneca não formam uma espécie própria, eles são uma variante do cariacu, ou veado de cauda branca (Odocoileus virginianus). Os brancos possuem leucismo, o que significa que os pelos de seu corpo não possuem pigmentos, mas seus olhos são marrons, assim como os de qualquer outro veado. Esta é uma mutação menos radical do que o albinismo, por exemplo, que deixaria os olhos do veado cor de rosa.

1. Elefante branco

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Nada a ver com estádios para 60 mil pessoas em cidades que não possuem equipes de futebol nem na série C. Elefantes brancos existem, sim, e sofrem de albinismo. Porém, apesar de seu nome, eles não são exatamente brancos. Em vez disso, os animais possuem uma tonalidade cor de rosa ou marrom-avermelhada, e sua mutação rara é mais comum em elefantes asiáticos do que em elefantes africanos.

Em países asiáticos como Myanmar e Tailândia, os elefantes brancos são tradicionalmente considerados sagrados e não são utilizados para qualquer forma do trabalho. Acredita-se que encontrar um desses animais é um sinal de que o líder do país ou da região em questão governa com justiça e poder, e que o local é abençoado.

O elefante albino também deu origem à expressão do idioma inglês “white elephant”, que se refere a coisas com pouca utilidade real, apesar de seu suposto valor. O significado em português também é semelhante, e se consolidou em situações em que obras faraônicas e muitas vezes desnecessárias acabam se tornando mais um fardo do que um benefício à comunidade – embora a expressão possa ser usada para descrever o presente da sogra ou aquele berimbau que você comprou na viagem para Porto Seguro.

De qualquer forma, a história nos conta que os reis do antigo Sião (hoje Tailândia) costumavam para dar elefantes brancos como “presentes” a qualquer pessoa que eles desejavam punir por alguma razão. Como os elefantes albinos eram sagrados, os indivíduos não poderiam usar o elefante para qualquer tipo de trabalho e, certamente, não poderiam matá-lo. Assim, os coitados que recebiam o “presente” deveriam continuar tomando conta do valioso animal até que perdessem todo o dinheiro que possuíam. [Listverse]

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4 comentários

  • Cesar Grossmann:

    Eu lembro de alguém que uma vez disse que as mutações sempre são prejudiciais. Este alguém estava errado, como eu apontei, e aqui tem mais uma prova.

    Mas era só mais um alguém que não entendeu a Teoria da Evolução

    • Eric:

      Bom, isso é muto relativo. Até entre os cientistas frequentemente se faz confusão entre essas 3 coisas distintas: mutação, variação espontânea e adaptação biológica. A mutação é um termo usado pelos estudiosos no sentido negativo, de dano ao organismo. Variação pode ocorrer espontâneamente independente de fatores externos. E adaptação ocorre em resposta à um estímulo externo, como por exemplo pessoas que desenvolvem resistência à lactose. A palavra mutação tem uso muito indiscriminado.

    • Jéssica Reis:

      Pois qm falou isto faltou todas as aulas de biologia, se são as mutações uma das aliadas à evolução!!

    • Cesar Grossmann:

      Eric, eu acho que você está errado. “Variação espontânea” é outro nome para mutação, e adaptação biológica, como uma mudança no organismo em resposta a uma mudança no ambiente, até onde eu sei não existe, o que acontece é que a variação ambiental acontece e então quem tem sorte de ter os genes certos, sobrevive. Quem tem “resistência à lactose” (acho que o certo é “intolerância à lactose”) é por conta de um gene, ou seja, carrega uma mutação, que se manifesta quando o indivíduo toma leite.

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