5 mitos perigosos sobre vícios

Por , em 19.09.2012

Antes de se tornar um conceituado psicólogo na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos EUA, o americano Adi Jaffe era viciado no popular Pervitin (nome comercial para a metanfetamina).

Quando ele decidiu mudar de vida e se desintoxicar, não foram as reações do corpo que mais dificultaram sua recuperação. Foram as pessoas. Segundo ele, a sociedade olha com desconfiança para ex-viciados devido a alguns estereótipos que recaíram sobre eles ao longo do tempo.

Cinco destes conceitos são desmentidos a seguir pelo pesquisador:

5 – Não existe nenhum “gene do vício”

Já houve pesquisas sugerindo que algumas pessoas são geneticamente predispostas a se viciar em determinados tipos de comida ou de outras substâncias químicas, mas o pesquisador americano afirma que isso não é verdade.

Nenhum cromossomo, segundo ele, determina que alguém vai se viciar em determinado tipo de droga caso experimente. O que existem são tendências: pesquisas recentes estimam que 50% da propensão ao vício em uma pessoa têm alguma relação com a genética. Os outros 50% dependem de outros fatores corporais e ambientais.

4 – A maconha não é a “porta de entrada” para outras drogas

Mães de adolescentes no Brasil e no mundo têm um terrível ataque de pavor quando ouvem falar em maconha. A droga ganhou fama de ser o início da carreira de um viciado. Sendo barata, fácil de obter e não causando nenhum grande dano no corpo humano nos primeiros contatos, ela é tida como uma droga que “prepara o terreno” do organismo para outras mais pesadas que virão a seguir.

Um equívoco, de acordo com Jaffe. A maconha tem um poder de viciar menor do que o álcool. O que se encaixa nesse perfil de “pórtico de passagem” são algumas substâncias muito populares entre adolescentes nos Estados Unidos, mas que nem fazem tanto sucesso por aqui: Oxicodona e mistura de Paracetamol com Hidrocona (conhecidos por seus nomes comerciais de OxyContin e Vicodin).

3 – Vício não é uma doença permanente

Está na cartilha básica dos alcoólicos anônimos que o vício em bebidas é uma doença “progressiva, incurável e fatal”. Ou seja: uma vez viciado, você será viciado até o fim da vida, e só a vigilância e tratamento constante o manterão longe da substância.

Talvez a forma como se aborda os viciados em bebidas seja diferente entre o Brasil e os Estados Unidos, mas Jaffe apresenta um número impressionante: segundo o NIAAA (na prática, os Alcoólicos Anônimos da terra do Tio Sam), 75% das pessoas consideradas alcoólatras se recuperam sem tratamento. Isso prova, segundo eles, que a força do vício varia de um organismo para outro.

2 – Drogas não causam danos irreversíveis ao cérebro

Empregadores e chefes de admissão de universidades olham muito ressabiados para ex-viciados, segundo Jaffe. Está muito disseminada, de acordo com o psicólogo, a ideia de que as drogas devastam neurônios e dão prejuízos permanentes ao cérebro. Não existe, no entanto, nenhuma prova de que o cérebro não possa se recuperar. Mesmo entre aquelas que atingem o sistema nervoso diretamente.

1 – Um pessoa já é viciada antes de atingir o fundo do poço

Em muitos círculos sociais, uma pessoa só passa a ser vista como “drogada” quando algo realmente ruim acontece: perde o emprego ou larga os estudos, tem algum bem ou dinheiro da família extorquido por um traficante, passa uma noite na cadeia ou em um banco de praça.

Jaffe afirma que é perigoso pensar assim. Não pode haver diferença entre o tratamento dispensado a alguém que usa drogas de vez em quando, por recreação, e àquele que já sofreu algum dos infortúnios citados acima. Ambos merecem atenção por parte de quem pode ajudá-los a superar o problema. [CNN/NIAAA/AABR]

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7 comentários

  • Heitor Giacomini:

    Não sei se liberarem as drogas os números de dependentes irão aumentar, só sei que liberar as drogas, é liberar a escolha. A pessoa tem (deveria ter) a liberdade de escolher por si própria o que é bom ou ruim, ninguém tem que se intrometer na vida das outras pessoas e proibi-las de fazer algo.

    • Marcelo Castro:

      O único senão é que os viciados nunca se ferram sozinhos: vide a quantidade de gente que morre atropelada diariamente aqui porque o “fulano tem o direito de fazer o que bem entender e ninguém deve se meter na vida dele”: você acha isso certo?
      Quantas situações de estupro acontecem “porque eu tinha cheirado…” te parece minimamente certo sua liberdade acabar com a vida de alguém?

  • Roberto Raful:

    Muito boa…

  • luysylva:

    com a liberação! seria uma solução para o narcotráfico? será que deixaríamos, os traficantes desempregados? deixaríamos à policia como mais tempo, para prevenir outros tipos de crimes? são talvez soluções e medidas que ainda não tentamos, ser não tentamos como vamos saber.

    • D. R.:

      Realmente, esse é um dilema muito polêmico:

      Será que é melhor legalizar as drogas para combater o narcotráfico ou não?

      Bom, acredito que se legalizassem as drogas, os traficantes simplesmente iriam migrar para outros tipo de crime como: jogo ilegal, prostituição, assaltos, sequestros, etc.; já que o que move eles é a ambição pelo dinheiro.

      O problema das drogas é que elas causam dependência física e não apenas psicológica; o crack, por exemplo, provoca danos físicos irreversíveis (segundo alguns estudos) ao cérebro. Segundo já vi alguns depoimentos de viciados, eles chegam a perder o amor à própria família por causa da droga. Já o OXI é mais terrível ainda, já que a sua composição devastadora contém soda cáustica, amônia, óxido de cálcio, ácido sulfúrico e gasolina; para baratear os custos de produção; provocando dores de cabeça, atacando o aparelho digestivo, o estômago, o fígado e a arcada dentária ( http://www.zevariedades.com/oxi-%E2%80%93-a-droga-letal/ ).

      Mas, a melhor forma de saber se compensa ou não liberar as drogas é ver os exemplos de países que já fizeram isso. Infelizmente, a liberalização das drogas na Holanda tem trazido tantos problemas que muitos políticos querem proibi-las de novo; só que “depois que deu o osso para o cachorro, é quase impossível tirá-lo”. Se não me engano, após a liberalização, cerca de 30% dos jovens holandeses já estão viciados e gerando um grande custo social e financeiro ao país.

      O problema em liberar o uso de drogas mais leves como, por exemplo, a maconha (uma droga considerada até menos prejudicial que o cigarro) é que amanhã vão querer liberar a cocaína, depois o crack, depois o ópio, depois a heroína, depois o OXI e assim por diante.

      Penso que se, com liberalização do álcool e do cigarro, já temos tantos problemas sociais e econômicos, como: doenças, câncer, problemas sociais e familiares, acidentes de trânsito, etc.; imaginem uma liberalização geral, uma ‘zorra total’?

      Infelizmente, mesmo com o governo mantendo a proibição das drogas ilícitas, acredito que será cada vez mais difícil combatê-las; principalmente, por causa da divulgação (através da internet) de fórmulas de drogas sintéticas muito mais poderosas que as atuais e que podem ser fabricadas pelo próprio usuário.

      Agora, se vocês quiserem ver o futuro que nos aguarda daqui há alguns anos, se nada for feito, vejam essa estarrecedora matéria (não deixem de assistir o vídeo; mas só se você tiver estômago forte e não for muito sensível) sobre uma nova droga que está se alastrando na Rússia, o KROKODIL, que está transformando pessoas literalmente em zumbis e em esqueletos vivos.

      http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/12917-krokodil-a-manifestacao-fisica-do-mal-e-seus-antecedentes-parte-1.html

  • luysylva:

    a liberação seria uma solução para o narcotráfico? seria que deixaríamos, os traficantes desempregados? deixaríamos a poluição como mais tempo, para prevenir outros tipos de crimes?

  • John jones:

    isso e bom pra ajudar a molecada de hoje!!!!!!!

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