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6 pequenos erros de projeto que causaram enormes desastres

Por , em 11.10.2017

Quem é engenheiro sabe que qualquer erro de cálculo pode significar um enorme problema no resultado final. A consequência desse erro será uma das duas seguintes: um enorme prejuízo financeiro, ou a morte de muitas pessoas inocentes e um prejuízo financeiro maior ainda.

Confira a abaixo enormes problemas de construções e meios de transporte que poderiam não ter acontecido se o projeto tivesse sido analisado com mais cuidado.

6. Aviões com janelas quadradas se desintegravam


Na década de 1950, companhias aéreas estavam se aventurando na terra dos jets. A empresa que liderou a construção desse tipo de avião foi a Habilland Comet.

Este jet tinha características únicas, como cabine pressurizada que permitia que a nave voasse mais alto e mais rápido.

Infelizmente, em 1954, dois Comets se desintegraram em pleno voo, matando 56 pessoas.

O erro de cálculo:

O problema com esses dois aviões passou batido por muito tempo pela equipe que investigou os acidentes. Até que os engenheiros testaram a estrutura do avião ao simular pressurização da cabine repetida, e observaram que a fuselagem acabava se rompendo a partir de rachaduras que se originavam das quinas das janelas quadradas.

Uma janela quadrada tem quatro quinas com ângulos de 90º, criando quatro pontos fracos na parede do avião. Este ponto é conhecido como “concentração de estresse”, um ponto em que o formato do objeto pode torná-lo mais fraco quando está sob pressão.

Já as janelas redondas distribuem essa pressão de forma igual na janela, tornando-a mais segura.

Representantes de outras empresas como Boeing e Douglas afirmaram que seus engenheiros também não haviam pensado nisso, e que se a Comet não tivesse saído na frente, suas naves provavelmente teriam passado pelos mesmos problemas.

5. Jets de porta-aviões batiam por conta do ângulo da pista de aterrissagem


Pousar em um porta-aviões não é coisa para principiante. A pista está cheia de aviões estacionados e o navio se move para cima e para baixo e de um lado e para o outro acompanhando as ondas.

Se este pouso é difícil atualmente, com equipamentos de todo tipo para ajudar na aproximação, imagine na década de 1910, quando o piloto estava nessa sozinho. Para complicar, as primeiras pistas dos primeiros porta-aviões tinham um ângulo incorreto, que causou terríveis quedas.

O erro de cálculo:

Como você pode ver, aviões que esperavam para decolar estavam na ponta da mesma pista que aviões estavam dentando pousar. Se o avião não parasse em tempo, um terrível acidente aconteceria.

Nos primeiros projetos, os pilotos tinham enorme dificuldade em engatar o gancho do avião (tailhook) no cabo de desaceleração da pista, aquele sistema mecânico que reduz a velocidade de uma nave em poucos segundos. No final das contas, um sistema de emergência de redes foi desenvolvido como último plano para segurar o avião, mas mesmo assim algumas naves passavam por cima da rede e batiam nos aviões estacionados.

O que fazer para tornar o pouso mais seguro? A resposta foi mudar o ângulo da pista para 9º, para que o pouso e a decolagem não ocorram na mesma pista. Isso se chama deck de voo angular. Esta ideia levou anos para ser desenvolvida, sendo colocada em ação apenas em 1952.

Com esta alteração, o avião que não consegue capturar o cabo simplesmente arremete e tenta novamente depois.

O deck angular também permite que jets decolem e posem ao mesmo tempo, uma vantagem tática importante.

4. Uma enorme plataforma caiu por causa dos parafusos


Quando a equipe do hotel Hyatt Regency estava projetando o mais novo prédio que seria erguido no centro de Kansas City, o objetivo era fazer um trabalho tão inovador e especial que seria o centro de todas as atenções.

A empresa de arquitetura encarregada do projeto criou uma série de plataformas suspensas do teto para que os hóspedes pudessem observar as pessoas no hall abaixo. A ideia em si era bastante interessante, mas uma mudança de última hora no projeto causou um acidente que matou mais de cem pessoas.

O erro de cálculo:


Uma única haste de aço presa ao teto desceria até as duas plataformas, sendo que as duas plataformas estariam presas a esta mesma haste. Duas porcas de parafuso seriam usadas, sendo que cada uma sustentava apenas o peso de uma plataforma.

Para facilitar a fabricação e transporte da haste, porém, a empresa de aço sugeriu à empresa responsável pelo projeto que fossem utilizadas duas hastes menores, e que três porcas fossem utilizadas ao invés de apenas duas.

Esta pequena mudança no projeto causou a morte de 114 pessoas e o pagamento de US$140 milhões em processos para as vítimas. Durante o julgamento, ficou claro que tanto a empresa fabricante das hastes quanto a empresa de engenharia não refizeram os cálculos para ver se a mudança traria algum problema estrutural.

A explicação para a queda das plataformas é simples: no projeto original, as duas plataformas estavam sustentadas pelo teto através da haste. No projeto executado, a plataforma 2 estava completamente apoiada na plataforma 1, e a porca 1, que antes sustentava apenas o peso de uma plataforma, passou a sustentar o peso das duas plataformas.

No dia do incidente, em 1981, o hotel estava lotado de visitantes que participavam de um baile de chá, onde havia muita dança e gente animada. Por isso, as plataformas estavam cheias de gente, e o peso foi superior ao que a porca 1 conseguia aguentar.

3. Porta de boate matou 492 pessoas


O local mais quente de Boston nas décadas de 1930 e 1940 foi a boate Cocoanut Grove. Ela tinha capacidade para 460 pessoas, mas era comum que o dobro de pessoas se apinhassem no local para curtir noites com temas tropicais.

Em 1942, um incêndio causou a morde de 492 pessoas. Tudo começou quando um jovem que havia tirado uma das lâmpadas de um abajur para ter privacidade com sua namorada foi instruído a recolocar a lâmpada no lugar. Como o ambiente estava escuro, ele usou um fósforo para enxergar, e acabou causando um incêndio na decoração tropical, que envolvia folhas de coqueiros.

O erro de cálculo:

O fogo se espalhou rapidamente, e muitos tentaram sair pela porta principal, mas ela era giratória e acabou emperrando com a pressão de centenas de corpos. As portas secundárias foram procuradas, então, mas elas abriam para dentro, e não para fora. A coluna de pessoas correndo em direção a elas tornou impossível abri-las para dentro.

Mais tarde, os bombeiros calcularam que mais 300 pessoas poderiam ter sobrevivido se as portas abrissem para fora. Infelizmente o mesmo problema com as portas aconteceu em teatros, em escolas, fábricas e hotéis posteriormente.

2. A ponte Tacoma caiu porque era muito sólida


Quando a ponte Tacoma, no estado norte-americano de Washington foi inaugurada, em julho de 1940, ela foi considerada uma obra prima da engenharia. Apenas quatro meses depois, porém, ela entrou em colapso levando consigo carros e um cão que estava aterrorizado em um veículo.

Ainda quando estava em fase de construção, entre 1938 e 1940, os trabalhadores observaram que havia uma grande movimentação vertical da ponte, apelidando-a de “Gertie Galopante”. Isso acontecia toda vez que ventava muito, com ventos a partir de 60km/h.

O erro de cálculo:


Se você observar fotos desta ponte e compará-la com outras grandes pontes como a Golden Gate (São Francisco) e a Ponte do Brooklyn (Nova York), você vai notar que a lateral da ponte é diferente. A lateral da ponte de Tacoma é sólida, enquanto as outras são vazadas, permitindo a passagem do vento.

É justamente aí que aconteceu o problema. Apesar de vários livros de física de ensino médio explicarem que o fenômeno aconteceu por conta da ressonância da ponte com o vento, os grandes movimentos foram causados pelo flutter aeroeslástico. Essa oscilação acontece quando uma superfície sustentadora sofre deflexões por conta de forças aerodinâmicas e depois volta ao estado original, recomeçando o ciclo.

Notando que a ponte estava fadada a cair, o estado contratou um professor de engenharia para tentar corrigir os problemas de design. Ele propôs fazer buracos na lateral da ponte para permitir a passagem do vento, mas não deu tempo de colocar o plano em prática.

A ponte foi fechada na manhã do dia 7 de novembro de 1940, e caiu duas horas depois, matando um Cocker Spaniel chamado Tubby. O professor Frederick Burt Farquharson, engenheiro da Universidade de Washington envolvido no projeto da ponte, tentou salvar o cão, mas levou uma terrível mordida quando tentou tirá-lo do carro. Os ventos estavam a uma velocidade de 68km/h.

A demolição completa da ponte levou três anos – um ano a mais que a construção.

Uma nova ponte foi construída 10 anos depois e duplicada em 2007, desta vez sem problemas de cálculos. O apelido da nova ponte foi “Gertie firme”. A boa notícia é que esta falha causou muitos estudos sobre aerodinâmica e aeroelasticidade, conhecimentos que são colocados em uso em toda ponte longa no mundo todo.

1. O Titanic afundou porque o propulsor central não tinha modo reverso


Há muitas hipóteses sobre o que causou a tragédia do Titanic e se o navio e seus ocupantes poderiam ter sido salvos da colisão com o iceberg. Muitos focam na falta de equipamentos de emergência do navio, como botes suficientes para todos os passageiros. Mas um problema no projeto poderia ter evitado a colisão.

O erro de cálculo

É provável que o iceberg tivesse sido evitado se o propulsor central do navio funcionasse em modo reverso. Ele tinha três propulsores a vapor, sendo que os dois das pontas tinham motores a pistão e o central tinha uma turbina a vapor.

Esse tipo de turbina tem a vantagem de ser menor e mais eficiente que os de pistão, mas tem a desvantagem de só funcionar em uma direção. Isso quer dizer que o vapor só consegue ir para uma direção, e o propulsor só gira em um sentido.

Então quando o primeiro oficial Murdoch tentou colocar o navio em modo reverso para evitar o iceberg, dois propulsores funcionaram na direção desejada, enquanto o central apenas parou. Outro problema é que este propulsor estava diretamente na frente do leme, e desligá-lo fez com que menos água entrasse no leme, dificultando o controle da direção.

Se este propulsor tivesse sido projetado de forma que ele continuasse funcionando quando o navio entrasse em modo reverso, é possível que o navio tivesse evitado o iceberg e as 1.514 pessoas e oito cães teriam sido salvas. [Cracked]

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