6 desastres muito piores do que você pensava

Por , em 20.06.2016

Dizem que tudo que acontece tem um lado bom. Mas, às vezes, o que já é ruim pode ser muito pior do que pensávamos. Desastres horríveis, por exemplo, podem ter alguns detalhes mais horríveis ainda que nem sempre aparecem nas histórias.

6. Marinheiros condenados ficaram presos debaixo d’água por duas semanas após Pearl Harbor

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O ataque kamikaze surpresa sobre Pearl Harbor em 1941 resultou em uma incrível quantidade de morte e destruição. Dezenove navios foram afundados ou danificados, e mais de 2.400 pessoas foram mortas. Isso é o que podemos chamar de um grande desastre, e contém vários horrores dentro de si. Mas um horror em particular merece atenção, por causa do tempo que levou para acabar.

Um dos navios danificados nos ataques foi o U.S.S. West Virginia. E se ser atingido com duas bombas, sete torpedos e perder mais de uma centena de sua tripulação já tinha arruinado o dia do navio, ele ainda tinha um terrível segredo à espera para a tripulação encarregada de salvá-lo.

No rescaldo do ataque, os fuzileiros de guarda que estavam sobre os destroços relataram ter ouvido ruídos emanando do casco do navio. Pensou-se em primeiro lugar que estes ruídos vinham do arrefecimento do metal, ou de equipes de salvamento, ou mesmo fantasmas. Mas, conforme eles continuaram investigando, ficou claro o que estava realmente acontecendo: havia pessoas vivas e presas nos destroços. Pior ainda, elas foram condenadas a ficar lá. Cortar um buraco no casco poderia inundar o navio ou provocar uma explosão. Não havia nada a ser feito por eles.

Somente seis meses depois as equipes foram capazes de elevar o navio. Dentro de um armazém hermético, encontraram os corpos de três marinheiros – Ronald Endicott, Clifford Olds e Louis Costin – ao lado de pilhas de rações abertas, alimentos, pilhas de lanterna e um tanque de água doce. De acordo com um calendário que foi encontrado na sala, os homens tinham sobrevivido por 16 dias antes de sufocar.

Suas famílias foram informadas de que os homens morreram no dia 7 de dezembro, o dia do ataque. Somente anos depois que a verdade veio à tona e, até hoje, os monumentos listam 7 de dezembro como o dia de suas mortes.

5. O desastre do Titanic causou outro naufrágio

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Em 1912, o Titanic afundou por razões que são relativamente bem conhecidas (iceberg, confiança exagerada, etc). Inquéritos subsequentes sobre o desastre colocaram a maioria da culpa sobre os procedimentos de segurança horríveis do navio, mais notavelmente sua falta de botes salva-vidas. Isto precipitou um abalo nas normas de segurança de navios de passageiros, o que certamente soa como uma coisa boa. Definitivamente isso não é o tipo de coisa que poderia sair pela culatra e levar à morte outras 800 pessoas.

Infelizmente, poderia. Esses procedimentos de segurança mais tarde iriam sair pela culatra e levar à morte outras 800 pessoas.

Em 24 de julho de 1915, o Eastland, um navio de passageiros que operava a partir de Chicago, partiu para Michigan City. A viagem terminou em poucos segundos, quando o navio simplesmente deitou de lado e jogou seus 2.573 ocupantes no rio Chicago, matando 844 deles.

E a culpa, ironicamente, foi dos botes salva-vidas, colocados lá para evitarem desastres como este. Após o Titanic, o Congresso dos EUA aprovou leis que exigiam que navios de passageiros transportassem botes salva-vidas suficientes para acomodar todas as pessoas a bordo. Isso acabou se tornando um grande problema para os barcos de rio e seus cascos para águas rasas. O Eastland já era um pouco pesado demais, e estas novas regulamentações o obrigaram a ir de seis barcos salva-vidas a onze. Adicione mais botes e coletes salva-vidas – todos os quais foram armazenados no deck superior – e você tinha algo que era menos um navio e mais um desastre ambulante.

Em defesa do pobre coitado que originalmente concebeu esta ideia, o Eastland foi originalmente feito para transportar 500 pessoas, e não 2.500. As modificações improvisadas, aparentemente legais, deixaram o navio estável quando em movimento, mas ele era sempre um pouco instável durante o carregamento e descarregamento. Os bem-intencionados botes salva-vidas acabaram sendo os culpados finais pela tragédia.

4. Presos foram abandonados em uma inundação (de cocô) por quatro dias durante o furacão Katrina

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O furacão Katrina foi um dos piores desastres da história dos EUA. Estima-se que a tempestade e suas consequências tenham matado mais de 2.000 pessoas, deslocado centenas de milhares mais e causado mais de 100 bilhões de dólares em danos. E essas são apenas as partes que você já ouviu falar. Enquanto isso, há um capítulo da tempestade que parece que ninguém gosta de falar a respeito.

De acordo com pesquisadores de direitos humanos que entrevistaram presos detidos em uma prisão chamada Templeman III, quando a enchente atingiu o local, as pessoas correram da prisão – guardas, administradores, todos – e abandonaram mais de 600 prisioneiros em células inundadas, sem comida ou água, durante quatro dias.

De acordo com um cronograma de eventos levantado por estes pesquisadores, os prisioneiros relataram ter visto guardas pela última vez em 28 de agosto – dia em que o furacão chegou à costa e a grande maioria dos moradores da cidade fugiram ou se enfiaram no interior do estádio Superdome, que serviu como abrigo para aqueles que não puderam fugir. Até 29 de agosto, a prisão era uma cidade fantasma sem lei preenchida com água da enchente que ia até o peito. Para completar, graças a um sistema de esgoto reserva, a água não estava exatamente limpa, por assim dizer.

Os internos tentaram resolver o problema com suas próprias mãos. Alguns deles conseguiram sair de suas celas para escapar da subida das águas. Outros, na vã esperança de que alguém iria se importar com a situação absurda, penduraram sinais fora de suas celas implorando por ajuda – uma visão testemunhada por um oficial correcional em outra prisão. Independentemente disso, demorou até o dia 1º de setembro para alguém perceber que eles acidentalmente esqueceram uma prisão inteira, e que provavelmente deveriam resgatar as pessoas lá dentro.

Não haviam chefões do crime na cadeia. A grande maioria dos presos naquela instalação em particular estavam detidos por delitos como perturbação da ordem ou embriaguez em público – muitos não tinham sido condenados ou mesmo acusados ainda. Os presos “graúdos” foram detidos nas prisões similares Templeman I e Templeman II, ambas as quais foram evacuadas quase imediatamente.

3. Homens negros que lutavam contra o racismo nos EUA foram diagnosticados com “esquizofrenia”

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O Movimento dos Direitos Civis dos EUA trouxe grandes avanços para as minorias do país, mas estas vitórias vieram a um custo tremendo para as pessoas que lutaram por elas. Durante anos, as comunidades negras sofreram através de protestos, motins e, digamos, uma fiscalização policial “vigorosa”. E há um caso ainda mais triste de discriminação a partir deste momento que quase ninguém conhece, um que coloca um monte de homens negros em hospitais psiquiátricos.

Antes de 1960, pensava-se que a esquizofrenia era algo que apenas as mulheres de classe média tinham. Seus sintomas, como entendidos na época, combinavam o que nós hoje chamamos de depressão, e eram geralmente relacionados com pressões ligadas ao trabalho doméstico e à maternidade. Mas tudo isso mudou em 1968, com a publicação de novas diretrizes psiquiátricas que reclassificaram a esquizofrenia como uma doença que se manifesta através de explosões de agressividade ultra-violenta. Antes, a esquizofrenia era tratada com compaixão e piedade. Agora, era necessária a contenção.

Adivinhe como isso acabou.

OK, não precisa adivinhar. Nos anos que se seguiram, os diagnósticos de esquizofrenia em “homens negros com raiva” dispararam. Além disso, um tipo específico de esquizofrenia foi de repente descoberta: esquizofrenia paranóide, com os pacientes que sofriam deste suposto mal sendo tipificados como tendo “delírios anti-brancura”.

Os psiquiatras que mudaram essas diretrizes provavelmente não estavam sendo explicitamente racistas. Mas, nas palavras do professor de psiquiatria que identificou a tendência de repente, essa mudança “refletiu as tensões sociais da década de 1960 na América”. Longe de ser uma decisão fria e clínica, os novos procedimentos de diagnóstico foram fortemente entrelaçados com os valores culturais da época, ou pelo menos os valores culturais dos médicos brancos da época, levando-os a criar o que era essencialmente uma versão moderna de “drapetomania” – a “doença” inventada para explicar por que os escravos muitas vezes fugiam de seus donos.

2. Sobreviventes de tiroteio em massa tornaram-se alvos de teóricos da conspiração

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Alguns anos atrás, Carli Richards teve um dia ruim, como seria para a maioria de nós se alguém tentasse nos matar com uma espingarda. Como você provavelmente adivinhou a partir do uso do verbo “tentar”, Carli sobreviveu quando James Holmes começou a atirar nas pessoas em um cinema em Aurora, Colorado, nos EUA, em 2012. Doze outras pessoas não tiveram a mesma sorte. Infelizmente, o universo tinha mais algumas surpresas guardadas para ela.

Primeiro, o terrível e relativamente previsível sofrimento. Após o tiroteio, Carli foi diagnosticada com transtorno de estresse pós-traumático. Durante um turno entregando pizzas, ela abriu uma garrafa de água e cheirou gás lacrimogêneo, que desencadeou um episódio e fez com que ela começasse a ter vômitos. Então, esse bico não durou muito tempo. Logo, ela não tinha mais recursos para pagar seus seguros e parcelas do carro, tudo ao mesmo tempo em que lidava com a dor causada pelas balas de espingarda que ainda estavam em seu corpo, que ela eventualmente vendeu (!!) para permanecer em dia com suas contas.

E então ela passou a ter um tipo de sofrimento ainda mais estranho. Quase todo tiroteio em massa nos EUA agora faz com que apareçam teóricos da conspiração que acreditam que ele é falso, tipicamente culpando o presidente Barack Obama, que estaria usando os crimes como uma desculpa para confiscar as armas de todos. A mesma coisa aconteceu com Aurora, e estas pessoas em breve passaram a usar as mídias sociais para assediá-la, chamando-a de mentirosa, acusando-a de ser um fantoche do governo, e provavelmente algumas coisas impublicáveis também.

Não dá um orgulho dos seres humanos quando a gente vê grandes demonstrações de empatia depois de desastres assim?

1. Os astronautas da Challenger provavelmente sobreviveram à explosão inicial

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Em 28 de janeiro de 1986, o ônibus espacial Challenger sofreu uma falha catastrófica quando o gás quente pressurizado rompeu um dos principais reservatórios de combustível, provocando a desintegração da nave em um dos maiores desastres da história da NASA. É comum pensar que a tripulação morreu imediatamente. Infelizmente, há evidências que sugerem o contrário.

Diferentemente da crença popular, a explosão não despedaçou o ônibus espacial – ele se desintegrou, mas fez ejetar o compartimento da tripulação relativamente intacto. E, embora este compartimento quase certamente tenha despressurizado durante o processo, todo mundo lá dentro estava em um traje espacial equipado com um PEAP, um dispositivo de ejeção pessoal. Quando as equipes de salvamento localizaram estes PEAPs (eles encontraram quatro de um total possível de sete), observaram que três tinham sido ativados. E não por baterem na água – eles foram ativados manualmente. Ao examinar o PEAP pertencente ao capitão Michael Smith, a NASA descobriu que uma parte significativa do ar tinha sido usada. O que significa que alguns membros da tripulação estavam provavelmente vivos quando atingiram o oceano.

Após isso ter sido descoberto, houve um esforço considerável feito pela NASA para encobrir esses achados. Isto parcialmente nasceu de um desejo de poupar as famílias da tripulação do trauma de perceber que seus entes queridos não morreram instantaneamente, mas a NASA também pode ter tentado evitar o constrangimento público por estar tão mal preparada para um cenário como este. Um ônibus espacial se desintegrando durante o lançamento é ruim, não há dúvida disso. Mas se o compartimento da tripulação sobreviveu quase intacto, um pouso suave ou uma descida que retardasse a velocidade poderia ter salvo a vida de todos – se fosse algo que a NASA tivesse previsto.

No entanto, esta não foi a maior besteira da vez, considerando que a NASA também tinha ignorado avisos feitos pelas pessoas que construíram a Challenger de que o ônibus espacial estava prestes a explodir. [Cracked]

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