A homeopatia é tão implausível quanto parece?

Por , em 20.09.2012

Geralmente a ciência ocidental é rápida em chamar de besteira qualquer “medicina alternativa”, mas existe uma diferença entre o que não foi provado que funciona e o que não pode funcionar de jeito nenhum.

Com o avanço das ferramentas de investigação da ciência, algumas práticas alternativas foram, em parte, reabilitadas. Um exemplo é a meditação, que era considerada puro misticismo, mas que técnicas de mapeamento da atividade do cérebro mostraram que pode melhorar a estrutura e funcionamento do cérebro (e promover bem-estar físico, mental, etc…).

Mas e a homeopatia? Criada por um médico alemão perto do início do século 19, ela tem crescido desde então. Será que ela é simplesmente algo que não foi testado e injustamente tem sido estigmatizada, ou ela é completamente implausível?

Para responder à pergunta, vamos dar uma olhada nos seus princípios. Vamos ignorar algumas noções homeopáticas, como a de que as doenças sejam causadas por distúrbios na “força vital” do paciente, em vez de algo externo, como bactérias ou vírus. Vamos nos focar no que mais importa: se o medicamento realmente melhora a saúde das pessoas.

Os medicamentos homeopatas são formulados de acordo com alguns princípios, chamados por alguns de “leis”. A primeira destas “leis” é que “semelhante pelo semelhante se cura”, ou seja, uma substância que produz os mesmos sintomas em uma pessoa saudável vai curar uma doença que tenha aqueles sintomas.

Este princípio, por assim dizer, apesar de baseado em teorias místicas, está incorporado na medicina ocidental na forma das vacinas, que são compostas de pelo menos partes da doença para a qual previnem.

Outra noção da homeopatia que é comum à medicina é a atenção às dosagens nos tratamentos. Todos os medicamentos homeopáticos aparecem em muitas concentrações diferentes. Mas há uma grande diferença: as concentrações são diminutas. Em homeopatia, menos é mais, então os homeopatas pensam grandes doses em termos de grandes diluições (menos princípio ativo), e não de grandes concentrações (mais princípio ativo).

Potência e homeopatia

A ideia de que uma dose menor de droga tenha um efeito melhor que uma dose maior vai contra todas as descobertas da medicina e da farmacologia. A contradição é problemática, mas não serve para eliminar a plausibilidade da homeopatia. A falha fatal está no tanto que a homeopatia dilui as substâncias.

A maioria dos medicamentos está disponível a concentrações máximas (ou diluição mínima) de 6X. Um remédio nesta concentração contém somente 1 micrograma (um milionésimo de um grama) do componente ativo. Para colocar em perspectiva, é 1/20 de uma dose de LSD (20 microgramas), 1/5000 da dose de morfina (5 mg) e 200.000 mais diluído que Ibuprofeno (200mg), um anti-inflamatório e analgésico comum.

Existem substâncias cujos efeitos ainda se fazem sentir com diluições maiores que 6X. A toxina botulínica, por exemplo, é letal (quando ingerida) a uma dose de 80 nanogramas, ou cerca de 4% de um medicamento homeopático 6X. E o corpo humano produz quantidades mínimas de várias substâncias químicas cujo efeito é um mistério para a ciência.

O problema é que a maior parte dos medicamentos homeopáticos são vendidos em diluições muito maiores que 6X. Em um site de medicamentos homeopáticos popular, o enxofre está disponível em 13 diluições diferentes, e a terceira mais diluída é 30X, o que está bem além do ponto onde a plausibilidade cai por terra.

Uma dose de um medicamento de concentração 21X contém apenas 20 moléculas do material original. Depois de uma nova diluição, só tem duas moléculas. Na diluição 23X, você tem uma chance de 20% de que uma dose do medicamento tenha uma única molécula do ingrediente ativo. Em uma diluição de 30X, a chance que uma dose tenha uma molécula do componente ativo é uma para cem milhões.

Delírios homeopáticos

Existem tratamentos homeopáticos disponíveis que são vendidos em diluições até mais absurdas. Oscillococcinum, um remédio popular contra gripe, derivado do fígado de patos e feito pela Boiron, um fabricante francês de medicamentos homeopáticos, é vendido em diluições de 400X. É uma proporção menor de ingrediente ativo do que uma gota d’água em todo o oceano.

Nesta concentração baixa, para garantir que você ingira uma única molécula do composto ativo, você teria que engolir 10380 pílulas – muito, muito mais pílulas que o número de átomos em todo o universo. Isso, sim, é bastante implausível. Imagine que no frasco do Oscillococcinum cabe toda a água de todos os oceanos da Terra. Neste caso não haveria sequer UMA GOTA de princípio ativo dentro deste colossal frasco.

No fim das contas, se a homeopatia realmente funciona ou não, fica a critério de quem opta por esse tipo de medicamento. Como muitos estudos clínicos em que pessoas que tomaram placebo obtiveram melhoras, nada parece totalmente impossível. [PopSci]

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42 comentários

  • Éleéfe PêCê:

    Texto muito bom… mas para o século XIII. Sugiro que o site mude o nome para Hypepseudoscience!

    • Cesar Grossmann:

      E por que motivo?

  • alvaug:

    Discussões sobre homeopatia parecem shows do Roberto Carlos (não mudam nunca!): de um lado, alguém argumentando sobre a impossibilidade física da terapia, sobre efeito placebo e outras coisas. Do outro, os defensores, com um furor quase religioso, lançando mão de falácias lógicas (“você é apenas um engenheiro”, “a alopatia também parte de princípios”, “também não entendemos como muitas outras coisas funcionam”, etc.) e invalidando toda a ciência moderna ao tentar uma cartada que lhes parece definitiva: “eu sou a prova viva de que a homeopatia funciona!” Bem, pelo menos é divertido.

  • Francisco Júnior:

    Claro que homeopatia funciona! Esses dias eu estava morrendo de sede, ai tomei 300ml de substância homeopática e minha sede passou!

  • Lucas machado pontes:

    Que pena! um engenheiro elétrico querendo desmentir o que não entende
    e o pior é vcs da “Hypescience” divulgando esse erro crasso e que só contribui para perpetuar a ignorância e preconceito
    Para ajudar dê uma olhada neste artigo de um periódico CIENTÍFICO internacional: Thermoluminescence ofultra-high dilutions of lithium chloride and sodium chloride, Louis Rey 2003, publicado na Physica A (www.elsevier.com/locate/physa)

    Obs.: existem muitas outras publicações que já explicam os mecanismo de funcionamento da homeopatia ou superdiluição

    cuidado com a insistência em manter paradigmas e preconceitos infundados e que negam qualquer avanço científico real

    • Cesar Grossmann:

      Lucas, o princípio da homeopatia é que “o similar combate o similar” (produtos “termogênicos” seriam usados para combater febre, por exemplo) e que “quanto mais diluído, mais potente”.

      O trabalho que você apontou não comprova nem uma das afirmações dos defensores da homeopatia, quem está tentando manter paradigmas é você – contra todas as evidências, não há comprovação clínica de que a homeopatia funcione melhor que um placebo.

      Ainda sobre o trabalho de Louis Rey, eu não encontrei nenhuma resposta ao mesmo a não ser uma referência em um artigo no BadScience (“But perhaps most significant is the growing body of experimental evidence, based widely on different physico-chemical methods represented by the papers in this issue by Elia, Rao et al, Rey, Vybíral and Voráček. None of this work is final, conclusive or above criticism and in some cases the relevance to clinical homeopathy is not immediately obvious. But here are some remarkable convergences, for instance, Elia and Vybíral and Voráček, on the basis of entirely different methods, have detected properties that are unexpected, reflect large-scale organisation in liquid water, and, perhaps, mostly remarkably, increase with time.“), mas parece que não é especificamente sobre o trabalho do Rey. Quer dizer, não teve nenhuma repercussão? Ninguém tentou repetir o trabalho, ou examinar o trabalho do Rey? Por que estes trabalhos não tem a mesma repercussão do trabalho do Benveniste, por exemplo?

    • Daniel Lima:

      O artigo mencionado foi produzido num laboratório homeopático, questionável no mínimo eu diria…

  • Desejo Semfim:

    lembrando que não só eu me curei da asma conheço muitas pessoas que tinham outras doenças e que também se curaram acho que isso é o suficiente pra mostrar pelo números de pessoas a eficacia da homeopatia =)

    • Desejo Semfim:

      pelos* corrigindo

    • CMagalha:

      Não, Desejo SemFim, “muitas pessoas” não é uma unidade de medida reconhecida válida.

      É necessário um estudo sério, com grupos controlados, como se faz com qualquer medicamento, para comprovação de eficácia.

      Como não se trata de medicamento, não há como produzir prova que seja minimamente aceitável.

      Mas vc e qualquer outra pessoa podem continuar com as crendices que desejem, o país é livre. Apenas, por favor, não tentem influenciar com sandices os menos favorecidos em discernimento (diluído 1000X).

  • Giuliano Gasparini:

    Se o efeito placebo existe (e existe) para qualquer terapia, então porque não usufruir dele em conjunção a um remédio que FUNCIONE e não em conjunção a um tiro de festim, como é esse embuste chamado homeopatia?

  • Nuno:

    Ia responder mas o Cogita Tibi já disse tudo!

    Ciência não se faz no “eu acho” ou “comigo funcionou”. Pra ter certeza de algo é preciso uma amostragem tal que seja representativa de um conjunto-universo.

    Traduzindo: é preciso um grande números de pacientes e este conjunto-amostra tem que apresentar desvios significativos estatisticamente falando de um outro grupo de referencia.

  • Desejo Semfim:

    falo com toda certeza e Experiência própria,a homeopatia FUNCIONA,eu tinha asma desde que eu nasci,nunca fiz tratamento nenhum vivia tendo crises de asma terríveis,quando me indicaram a homeopatia,fiz durante 1 ano,após o tratamento nunca mais tive crise de asma,até hoje não tenho 10 anos depois,sou curada graças a homeopatia =)

  • Drica Bitarello:

    Para se obter o “efeito placebo” é necessário que o indivíduo que recebe a “medicação” tenha uma “intenção”. Ou seja, uma situação- alvo que ele deseja alcançar, previamente instalada em sua mente e da qual ele tenha consciência. Assim, o “remédio” mobilizaria forças do próprio indivíduo, promovendo sua cura. No entanto, esta lógica cai por terra ao se observar o efeito da homeopatia sobre animais e plantas. Eles não teriam essa capacidade cognitiva de projetar o estado desejado. Sendo assim, creio que há muito que se descobrir acerca da ação da homeopatia. Quanto aos atuais postulados científicos que derrubariam as teorias homeopáticas de vez, acredito no seguinte. Se a humanidade aceitasse os fatos como acabados em si, estaríamos ainda na idade da pedra. São a dúvida, o contraponto e a inquietação que nos fazem evoluir.

    • Cogita Tibi:

      Drica: “No entanto, esta lógica cai por terra ao se observar o efeito da homeopatia sobre animais e plantas. Eles não teriam essa capacidade cognitiva de projetar o estado desejado. Sendo assim, creio que há muito que se descobrir acerca da ação da homeopatia. “

      Sinto, mas não. NENHUM estudo demonstrou que funciona em animais, muito menos em plantas. E precisa entender o conceito de “duplo cego”, que evita que o pesquisador, o desejo e o viés do pesquisador, interfira nos resultados.

      E alguns animais tem sim respostas, especialmente em relação a seu tratador, e podem sim responder a efeito placebo.

      Entretanto, como a avaliação sobre a “melhora” de animais ou plantas é feita pelo pesquisador, é preciso controlar essa variável. Quando controlada, o efeito, a eficácia, cessa.

      Por isso todas as metanalises de estudos que tentaram demonstrar a eficácia de homeopatia mostraram que esta não existe.

      Leia os links sugeridos, que contém inclusive as indicações dos estudos, e entenderá melhor a questão. É fé e superstição, não ciência.

      http://bulevoador.com.br/2011/02/20471/

      E este aqui é interessante para entender a questão do relato anedótico versus o relato estatístico:

      http://bulevoador.com.br/2010/02/7923/

      Leia, e entenderá melhor porque a homeopatia não é real.

    • Gil Cleber:

      E esta, meu caro Tibi, é a estratégia de todos que querem atacar a homeopatia, a velha falácia do ataque ad hominem: o usuário nunca é idôneo para falar de sua enfermidade e dos resultados obtidos com o uso da homeopatia. O cara é sempre um ignorante, incapaz de avaliar os próprios sintomas, portanto toma efeito placebo por efeito real do medicamento homeopático. Eu, ao contrário, que já fiz uso da homeopatia com sucesso em vários casos, e sem sucesso em outros (haja vista que qualquer modalidade terapêutica pode ter sucesso, ou não, do contrário não haveria mais doenças na face da Terra); eu, portanto, que não sou um ignorante, mas que me considero totalmente capaz de um julgamento imparcial, garanto que a homeopatia é muito mais do que simplesmente efeito placebo. Evidentemente há ainda senões e incompreensões, e todo questionamento é não apenas válido como necessário para aprofundar-se o conhecimento, como o questionamento acerca das diluições. Mas homeopatia não é apenas remédio diluído, em muitos caso a presença de um princípio ativo é fato, ainda que em doses pequenas.
      Como cético, eu questiono também os resultados apresentados por você nos endereços acima. Quem me garante que sejam idôneos?

    • Cogita Tibi:

      Gil: “E esta, meu caro Tibi, é a estratégia de todos que querem atacar a homeopatia, a velha falácia do ataque ad hominem: o usuário nunca é idôneo para falar de sua enfermidade e dos resultados obtidos com o uso da homeopatia.”

      Está enganado Gil, não é um “ad hominem”, é uma exigência do método científico: para ter confiabilidade, nenhuma alegação pode se basear apenas em relatos pessoais. Não se aplica “apenas” a quem toma homeopatia, mas a TODOS os participantes de grupos de estudo de TODOS os tipos de medicamentos.

      O ceticismo, que não implica em desconfiar da boa fé de quem afirma que “algo funciona”, é parte do rigor do método. Leia os links sugeridos para entender melhor.

      Resultados podem ter diversas causas, e controlar as variáveis (ceteris paribus) é importante. Um monte de gente dizendo “funcionou para mim”, não é uma evidência aceitável. Descobrimos isso a duras penas, por isso estudos de medicamentos, exigem enorme rigor e mecanismos de controle, como duplo cego.

      Gil: “Eu, ao contrário, que já fiz uso da homeopatia com sucesso em vários casos, e sem sucesso em outros “

      Isso não é uma evidência, é um relato anedótico (que NÃO significa piada). Precisa ser estatístico, e para isso precisa de controles de rigor.

      Leia http://bulevoador.com.br/2010/02/7923/ para entender a diferença.

      Gil: “Mas homeopatia não é apenas remédio diluído, em muitos caso a presença de um princípio ativo é fato, ainda que em doses pequenas.”

      Não, não é. Aparentemente nem mesmo o que é homeopatia você compreende bem. Só é homeopatia se a diluição for a um nível que não deixe nenhum elemento ativo. É exigência do padrão, definido pelo criador. A sucussão “potencializaria” o efeito de cura.

      Entenda, o criador, de boa fé e tentando realmente ajudar as pessoas, usou substâncias como arsênico, estricnina, etc, e viu o efeito que causavam se qualquer resíduo restasse. Diluições de 30/60 não deixam nenhuma molécula do princípio ativo.

      De novo, leia os links sugeridos, antes de dar palpite.

      Gil: “Como cético, eu questiono também os resultados apresentados por você nos endereços acima. Quem me garante que sejam idôneos?”

      O método. O rigor de validação deste método, pelo que os dados apresentados passaram antes de serem aceitos. Anos de pesquisa, replicação, análise por pares (sempre tentando demonstrar qualquer erro, falha, engano, etc).

      E ceticismo não é “duvidar de tudo”, isso é teimosia e burrice. Ceticismo é duvidar até que evidências confiáveis sejam produzidas.

      Entenda, seu computador funciona porque o conhecimento em que é baseado passou por isso, pelo rigor do método. Sua expectativa de vida, de mais de 80 anos, contra menos de 30 de seus antepassados, se baseia em conhecimento que passou por este rigor.

      Tudo a sua volta, que funciona, ou que tem confiabilidade de eficácia, passou por este rigor de testes.

      A homeopatia, quando testada dessa forma, falha. Não demonstra mais eficácia que água sem nada.

      Coloque água sem nada, sem passar por tratamento homeopatia ou diluição, aplique a pessoas afirmando ser medicamento homeopático, e uma parte delas vai alegar melhoras. A mesma que alegaria se nenhum tratamento, ou placebo, fosse aplicado.

      É isso que depõe contra a homeopatia, não implicância de cientistas malvados.

      Leia os textos sugeridos. Entenda os argumentos apresentados. Não precisa concordar com eles, precisa apenas entender que a confiabilidade destes depende apenas de você entender os argumentos.

    • Gil Cleber:

      Pelo visto a homeopatia, para você, é o que você define. Procure por medicamentos homeopáticos fabricados por laboratórios reconhecidamente homeopáticos e você verá que existem muitos com pequenas doses do princípio ativo. Dizer que a homeopatia se resume a diluições é uma estupidez sem limites. A homeopatia trata com tinturas (altas concentrações), com pequenas concentrações e com as discutíveis diluições. Estas são, sim, discutíveis, mas é preciso ter em conta que o processo de diluição segue um determinado critério. Outro aspecto da homeopatia é a individualização do tratamento, em que o paciente não é tratado como um simples “intestino” ou como um mero “pulmão”, mas como um conjunto em que o funcionamento de uma parte não se dissocia das demais partes. Curioso, no entanto, é que os medicamentos alopáticos, que passam pelo “rigor” do método científico, nem sempre funcionam!! Por que é que pessoas hipertensas nem sempre obtém resultados positivos usando remédios alopáticos para hipertensão?
      Água sem nada pode funcionar como placebo, assim como uma pílula de açúcar, mas água sem nada não passou pelo mesmo processo homeopático. Os textos que você sugeriu são apenas uma mera repetição do que você alega aqui, não valem como prova, não provam nada, são apenas alegações, e apenas sofrivelmente redigidas.
      A individualidade de cada organismo é levada em conta quando se efetuam testes duplo-cego? Será que cada paciente é profundamente estudado, para que sejam conhecidas todas as suas idiossincrasias, para que esse teste seja válido? Ou será que os famosos testes são feitos de acordo a se obterem resultados que interessam a alguns mas não a outros?
      Os depoimentos pessoais devem, sim, ser levados em conta, porque se não são estatísticos pelo menos relatam fatos concretos. A partir deles algum estudo pode ser desenvolvido. Por que não o fazem? Por que é mais fácil fazer um teste duplo-cego com meia dúzia de pessoas e dizer “não funciona”?

  • Elizabeth:

    Tem muita gente para afirmar que homeopatia não funciona, que é apenas placebo, mas aposto que nenhuma dessas pessoas já fez algum tratamento homeopático.

    Meus cães sempre foram tratados unicamente com homeopatia, desde que nasceram. Tenho uma cadela que tem 18 anos, tem câncer de mama há quase 10 anos, é cardiopata e parece mais saudável que muitos cães novinhos.
    A homeopatia não curou o câncer, mas ela não poderia mesmo ser operada por conta do problema cardíaco (morreria durante a cirurgia). O que a homeopatia faz é dar suporte para ela ter uma vida melhor.
    Veterinários alopatas que viram os exames de sangue dela, disseram que não parece exames de uma cadela idosa e doente mas sim de um cão novo e saudável.

    • marcospsi:

      Pois bem Elizabeth. Contarei pra vc a minha história. Sou filho de pai homeopata e posso dizer com absoluta certeza que HOMEOPATIA NÃO FUNCIONA. Meu pai sempre tentou me tratar com todos os remédios possíveis, mas NUNCA funcionou. Já fui em outros homeopatas tbm, pq dormia mal, tive problemas no estomago e uma doença de pele, mas a homeopatia nunca conseguiu realizar a sua promessa de cura. É pseudociência pura. Talvez vc não saiba ao mínimo o que é ciência de fato. O pior foi ler na matéria que o critério fica pra quem a usa. Por favor. O critério É CIENTÍFICO. E a ciência comprova: homeopatia não passa de água e placebo.

    • Gil Cleber:

      Quer dizer, meu caro Marcospsi, que você apresenta como prova de que a homeopatia não funciona os fatos (1) de você ser filho de médico homeopata e (2) ter feito tratamento homeopático e não ter tido benefícios. Em face de tais alegações, sou propenso a acreditar que o fato de uma pessoa com câncer, filha de um oncologista, e que faz tratamento quimio/radioterápico, mas que não obtém sucesso e morre é prova de que a oncologia é uma pseudociência e que os tratamentos quimio/radioterápicos são enganosos? Esta é sua linha de raciocínio? Bem… então temos um probleminha de falácia lógica…

    • Cogita Tibi:

      Elisabeth: “Tem muita gente para afirmar que homeopatia não funciona, que é apenas placebo, mas aposto que nenhuma dessas pessoas já fez algum tratamento homeopático.”

      Irrelevante. Não é assim que se determina se algo “funciona ou não”, pela experiência pessoal. Já foi assim no passado, mas não funcionava bem. Hoje, para ser determinado cientificamente a eficácia ou não de algo, é preciso passar pelo rigor, extremo, do método.

      Entenda, não importa qual tratamento, por mais maluco e sem sentido que seja, sempre será possível encontrar quem alegue que ‘comigo funcionou”. Como até você entende que não podem TODOS serem reais, é preciso determinar, por outras formas que não o relato pessoal, o que é real ou não.

      Funcionar “pra você”, não significa ser real, ou eficaz.

      Leia este texto que explica melhor essa questão:

      Relato anedótico versos relato estatístico
      http://bulevoador.com.br/2010/02/7923/

  • Revitalizando O Brasil:

    Bom, não sei os preconceituosos que já comentaram, mas eu sou a prova viva de que a homeopatia funciona.

    • Cogita Tibi:

      De novo, NÃO é assim que funciona a “prova” de algo, com relatos pessoais. Precisa funcionar de forma constante, dentro de um rigor de análise.

      Mais uma vez, leia os links e artigos sugeridos, e tente entender a complexidade da questão.

      Não é “pré-conceito”, mas pós-conceito, conclusão baseada nos resultados, negativos, de estudos já feitos.

  • Nuno:

    Como bioquimico, se a homeopatia funcionasse, o detergente utilizado pra lavar os frascos seria muito mais potencializado que o principio ativo já que foi muito mais diluido que este!

    Tb nunca ouvi alguém falar que vou tomar um café fraco pra tirar o sono!

    Mais uma prova que homeopatia NÃO FUNCIONA!

  • Kurac:

    “semelhante pelo semelhante se cura”
    Minha gente…eu acho muito bonito, mas não é bem assim. Quem estuda imunologia, biomol, bioquimica e biofisca sabe que não é assim, porem não podemos descartar a base de atuação destas terapias como inverdades, pelo contrario, temos que estudá-las e buscar entender.

  • J Miguel El-mokdisi:

    Que o autor me perdoe, mas é impressionante como toda a credibilidade do texto cai por terra, quando diz que sabe o número de átomos no Universo.

    • Cogita Tibi:

      Não é que ele “saiba”, mas sim que podemos estimar, com boa dose de segurança, em relação ao universo visível. Estimativas, não certezas absolutas.

      E o argumento ainda procede, diluições dessa magnitude não apresentam nem uma única molécula do princípio ativo na solução. É matemática, tanto a estimativa do número de átomos do universo visível, como o cálculo sobre as moléculas em diluição.

      Homeopatia não tem mecanismos válidos, viola leis físico/químicas bem estabelecidas, e não apresenta resultados quando testada dentro do rigor de validação do método científico. É só superstição e efeito placebo.

    • J Miguel El-mokdisi:

      O termo usado não foi “universo visível”, nem sequer foi usado o termo “estimativa”.
      Não sabemos nada a respeito da gravidade, mas conhecemos seus efeitos. Dizer que a gravidade não pode ocorrer porque não entendemos como funciona, apenas nos torna ainda menores diante dela…

    • Cogita Tibi:

      Irrelevante, o autor usou a comparação para demonstrar o absurdo dos valores envolvidos, não precisava saber “exatamente” o número de átomos do universo.

      E está bastante enganado sabemos muito sobre a gravidade. E a gravidade apresenta efeitos mensuráveis de toda forma, coisa que a homeopatia não faz (NENHUM estudo, dentro do rigor do método, apresentou resultado positivo para as alegações da homeopatia).

      Levado à sério seu argumento, poderíamos dizer que, “afirmar que feitiçaria não existe porque não entendemos como funciona, apenas nos torna menores”.

      O que é tolice, claro. Ou demonstra efeitos, ou podemos descartar sem muito problema a realidade desta. Tanto da homeopatia quanto da feitiçaria.

    • J Miguel El-mokdisi:

      Caro Cogita:
      Lamento ser eu a dizer, mas é você o enganado. Não sabemos absolutamente nada sobre a gravidade. Sabemos sobre seus efeitos ou, como era a intenção da comparação, sobre seus resultados. Da origem, de como funciona, não sabemos.
      Da mesma forma que não entendemos a origem de muitos outros fenômenos corriqueiros.
      Quanto ao tamanho do Universo, novamente você se engana. Quando se diz que 10^380 é maior que o número de átomos do Universo, está-se dizendo que a quantidade de átomos do Universo é menor que esse valor. Ora, todas as teorias (cientificamente embasadas) especulam que o Universo é infinito, logo, de acordo com o texto, 10^380 é maior que infinito. Como matematicamente sabemos que infinito é infinito e fim de papo, então a credibilidade do texto cai por terra. Simples assim.
      Por fim, substituir uma palavra do que eu disse, para realçar sua crença em feitiçaria, não é levar a sério o meu argumento. Sob minha ótica, é desrespeito.

    • Cogita Tibi:

      Miguel: “Lamento ser eu a dizer, mas é você o enganado. Não sabemos absolutamente nada sobre a gravidade. Sabemos sobre seus efeitos ou, como era a intenção da comparação, sobre seus resultados. Da origem, de como funciona, não sabemos.”

      Acho que não. Não saber tudo sobre algo é diferente de não saber nada. Saber sobre efeitos e interações é saber bastante.

      O que não sabemos é como conciliar o que sabemos sobre a gravidade com outras forças básicas do universo. Mas sabemos que é causada pela curvatura do espaço pela matéria, pela massa de corpos como planetas e estrelas, e galáxias.

      A ideia de que “a ciência não sabe de nada” é muito comum, mas incorreta. É um espantalho, que usa o fato de que o conhecimento científico é, por definição, incompleto e parcial, para “encaixar” crenças e tolices diversas nas lacunas desse conhecimento.

      Assim, se “não sabemos nada sobre a gravidade”, e nem sabemos “quantos átomos tem, de verdade, o universo”, então a homeopatia pode funcionar nessas lacunas de informação.

      Entretanto, não é assim que funciona. Estimativas podem avaliar o número de átomos do universo, que ao contrário do que afirma, não é “cientificamente” determinado como infinito. O conceito de infinito, inclusive, não se aplica da forma como parece pensar.

      Mais um texto sugerido, que provavelmente vai ignorar sem ler:

      A Relatividade do Errado
      http://ateus.net/artigos/ceticismo/a-relatividade-do-errado/

      E não é, não deveria ser, desrespeito dizer que alguém está errado, e apresentar argumentos e dados sobre isso. Nem deveria ser considerado desrespeito dizer que uma bobagem em que alguém acredita é uma bobagem.

      Excesso de suscetibilidades não faz parte de debates racionais. Se alguém está errado, então está errado, apenas isso.

      O sentido básico do que foi afirmado no texto é demonstrar o problema com o conceito de diluição. O uso do número de átomos do universo (observável) é eficiente e válido nesse sentido. Desconsiderar o texto todo, e a argumentação, apenas porque ainda é preciso definir melhor qual o número real de átomos do universo, é tolice e ilógico.

      Substitua a frase “muito mais pílulas que o número de átomos em todo o universo” por algo como “muito mais pílulas que a atual estimativa do número de átomos em todo o universo observável”, se preferir, os argumentos contra a homeopatia ainda são válidos.

    • Alfonso Uslar:

      Embora 10^380 seja um número azedo de tão grande, de fato foi o bastante para mostrar a pretensão do autor.

  • CMagalha:

    Sendo engenheiro químico, me é fácil entender que extremas diluições representam a ausência do componente original na mistura ou substância.

    A homeopatia funciona mais por efeito placebo (sim, funciona) do que pela ação do componente (in)existente.

    Coletei algumas informações (há até organizações empenhadas em demonstrar a inoperância da homeopatia) e as juntei nessa página:
    http://dezporhora.site11.com/homeopatia-feita-de-nada.htm

    .

  • D. R.:

    Mas, já não fizeram uma grande pesquisa científica demonstrando que a homeopatia tem a mesma eficácia do efeito placebo?

    Acho que a homeopatia é só efeito placebo mesmo!

    Estranho mesmo é por quê o efeito placebo funciona em algumas pessoas e até mesmo animais?!

    Isso sim é muuuiiito estranho e deveria ser melhor investigado!!!

    • D. R.:

      Acho até que todo medicamento deveria passar por um teste, se o efeito fosse próximo ao do placebo, simplesmente, deveria ser retirado do mercado.

      O mesmo deveria ser aplicado a produtos cosméticos, suplementos e pílulas que prometem milagres de rejuvenescimento, recuperação de cabelo, emagrecimento, etc.; cuja a grande maioria não passa de pura propaganda enganosa.

      Só que órgão nenhum do governo faz nada; é o consumidor que tem que fazer papel de palhaço e ficar no prejuízo mesmo!

    • Cogita Tibi:

      Mas todo medicamento alopático (não gosto deste termo, na verdade), inclusive os que menciona (como produtos cosméticos) passam por isso, testes rigorosos e demorados, antes de serem aprovados. Inclusive a reclamação de defensores de animais é justamente os testes seres vivos, até para batons.

      Um medicamento real, farmacêutico, leva anos para ser aprovado. Se não demonstrar eficácia maior que placebo, não chega ao mercado. Se estudos posteriores demonstrarem erro, é retirado.
      Se quiser, MESMO, entender como isso funciona, leia este artigo:

      http://www.projetoockham.org/ferramentas_medicos_1.html

      Se não, vai continuar sem entender porque a ciência não aceita a homeopatia como eficaz.
      Se quiser entender a homeopatia, MESMO, leia este outro artigo:

      http://www.projetoockham.org/pseudo_homeo_1.html

      Depois de ler, e entender os argumentos, volte e diga o que pensa sobre estes.

    • Alfonso Uslar:

      Amigo, desculpe minha pretensão de estudante, mas mesmo o efeito placebo tem seus usos e nada, nem ninguém, que pratica medicina séria afirma que apenas a Homeopatia é indicada como tratamento.

      Qualquer médico ou profissional de saúde decente sabe que nem sempre os tratamentos holopáticos tem a resposta esperada/adequada e o uso de terapias coadjuvantes como a homeopatia, a meditação e até mesmo as práticas religiosas podem ajudar na resposta do paciente aos tratamentos.

      Só a Homeopatia em si não prova muito coisa além da inferência estatística e dos testes com placebos? De certa forma sim. Da mesma maneira que pacientes com a mesma doença, em um quadro de não depressão, com ficha clínica e históricos familiares semelhantes podem apresentar respostas diferentes a um mesmo tratamento.

      Pesquisem na literatura médica.

    • Cogita Tibi:

      Alfonso: “nada, nem ninguém, que pratica medicina séria afirma que apenas a Homeopatia é indicada como tratamento.”

      Na Australia, um casal de homeopatas foi condenado por ter permitido que sua filha de 9 meses anos morresse por falta de tratamento médico real, para eczema, por alegarem que apenas a homeopatia a curaria. E não é caso isolado.

      Quer rever sua alegação?

      http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090929_casalaustralia_ba.shtml

      E o termo “ninguém que pratica medicina séria” remete a Falácia do Verdadeiro Escocês. Posso listar milhares de praticantes de medicina, e de homeopatia, que defendem que homeopatia é tratamento sim, e você responderia apenas “ah, mas não praticam medicina séria”.

    • Alfonso Uslar:

      Caro Cogita. Criticar toda uma classe e uma terapia baseando-se apenas em casos isolados e em radicais que a praticam é um tanto forçado, não acha?

      Lamento, mas mesmo deturpando a minha frase e mesmo que cite “os milhares de casos”, da mesma forma, posso citar “milhares de casos” onde terapias holisticas diversas atuaram na melhora da resposta dos pacientes ao tratamento.

      E reitero o que disse independentemente do seu jogo retórico: Mesmo o efeito placebo tem seus usos e nada, nem ninguém, que pratica medicina séria afirma que apenas a Homeopatia é indicada como tratamento.

    • Cogita Tibi:

      Alfonso: “Caro Cogita. Criticar toda uma classe e uma terapia baseando-se apenas em casos isolados e em radicais que a praticam é um tanto forçado, não acha?”

      Não, não acho. Embora este caso seja extremo, muitos sofrem desnecessariamente devido a confiança em tratamentos “alternativos”, antes de procurar tratamento real e eficaz.

      Mesmo seu uso como complementar é em alguma medida daninho, pois leva pessoas a se habituarem a confiar em algo sem comprovação de eficácia.

      Mas enquanto procurar por bobagens como tratamento é um direito de todos, a saúde pública é algo diferente. Uma pessoa pode escolher um tratamento sem eficácia, como o Steve Jobs, e pagar o preço dessa escolha.

      Já o sistema de saúde pública deve oferecer o melhor e mais confiável tratamento disponível ao público, e o que tiver mais confiabilidade, e provas de eficácia. Dessa forma, fornecer homeopatia ou outras terapias “holísticas” em postos de saúde ou hospitais, não é razoável ou justo.

      Além de todos os links sugeridos, leia também este:

      http://bulevoador.com.br/2011/02/20471/

      E como todos os que protestaram contra o “ataque” a homeopatia, deveria entender que o que estes textos expõem são argumentos, evidências, e são estas que devem ser refutadas, se possível, e não quem as apresenta.

      Por exemplo, se a homeopatia funcionasse, seja por que motivo for, por que quando testada com rigor e controle ela falha?

  • bengf:

    Efeito placebo.
    Ingerir um remédio homeopático e comer farinha são essencialmente a mesma coisa, porém, no caso do “medicamento” o paciente é condicionado a sentir algum efeito pelo que ingeriu.

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