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Esse novo fóssil mostra a transição da vida na terra para vida aquática

Por , em 6.12.2017

A biologia já sabe há algum tempo que a vida na Terra surgiu na água. Em algum momento, a evolução permitiu que os seres que viviam nos corpos d’água primitivos migrassem para a Terra e dominassem o planeta. Mas o contrário também aconteceu. Animais que viviam na terra em algum momento se mudaram para os mares. Nós ainda não temos todas as respostas para as causas e os motivos disso, mas cientistas da Universidade Johns Hopkins e do Museu Americano de História Natural acabaram de encontrar pistas importantes ao pesquisar um fóssil de 155 milhões de anos.

Segundo os pesquisadores, o réptil, chamado de Vadasaurus herzogi, possuía características aquáticas, incluindo uma cauda alongada e em forma de chicote e cabeça triangular, enquanto seus membros relativamente grandes o ligam a espécies terrestres. O Vadasaurus, que é o termo latino para “lagarto caminhante”, foi descoberto em pedreiras de calcário perto de Solnhofen, na Alemanha, parte de um antigo mar raso, explorado há muito tempo por sua grande quantidade de achados fósseis.

“Características anatômicas e comportamentais de grupos modernos de seres vivos se acumularam por longos períodos de tempo. Os fósseis podem nos ensinar muito sobre essa história evolutiva, incluindo a ordem em que essas características evoluíram e seu papel adaptativo em um ambiente em mudança”, diz Gabriel Bever, pesquisador do Museu Americano de História Natural, em Nova York, onde o fóssil está localizado, e professor assistente de anatomia funcional e evolução na Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins.

“Sempre que podemos ter um fóssil como esse, que seja tão bem conservado e tão significativo na compreensão de uma grande transição ambiental, é muito importante”, completa Mark Norell, paleontólogo do museu. “É tão importante que podemos considerar o Vadasaurus como o Arqueopteryx dos rincocefálicos (répteis primitivos)”, acrescenta.

Ligações

De acordo com Bever, a pesquisa que eles estão fazendo pode ser acrescentada a uma lista de criaturas do mar cujos antepassados ​​eram vertebrados terrestres. Eles incluem baleias modernas, focas e cobras marinhas, e espécies antigas (e agora extintas) como os ichthyosaurus, mosasaurus e plesiosaurus.

Bever diz que o estudo oferece evidências de que o Vadasaurus pode ser ligado pela sua anatomia a um pequeno grupo de espécies marinhas chamadas pleurosauros, que há muito tempo pensavasse que tinham raízes terrestres. Os pleurossauros viveram durante o período jurássico, 185 a 150 milhões de anos atrás. As criaturas, semelhantes a enguias, tinham membros reduzidos que provavelmente eram usados como auxílio na direção em vez de propulsão na água. Até agora, fósseis de apenas três espécies antigas de pleurossauros foram descobertos.

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Bever e Norell dizem que o Vadasaurus e os pleurosauros fazem parte de uma linhagem de répteis chamada Rhynchocephalia. Como acontecia nos pleurosaurios, o crânio do Vadasaurus possuía uma forma triangular, uma adaptação encontrada entre muitos animais aquáticos, como a maioria dos peixes, enguias e baleias. Um focinho alongado, comum entre os animais marinhos, apresentava dentes mais afastados do corpo.

Outra característica “aquática” do Vadasaurus estava na mordida. Ao examinar a forma e a estrutura do crânio do animal, os pesquisadores concluíram que a mordida do Vadasaurus provavelmente era um movimento rápido, feito lateralmente, em comparação com a mordida mais lenta e mais forte, típica de muitos animais terrestres.

Híbrido

Apesar de suas características aquáticas, o Vadasaurus manteve algumas características mais frequentemente encontradas entre os vertebrados terrestres. Por exemplo, ele possuía membros grandes em relação ao tamanho de seu corpo, algo comum em um réptil terrestre. Porém, assim como acontecia com os pleurossauros, os pesquisadores acreditam que eles não usavam seus membros para propulsão, mas sim para o direcionamento. O Vadasaurus pode ter nadado como uma cobra do mar moderna, movendo sua coluna vertebral com um movimento ondulante.

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“Nossos dados indicam que Vadasaurus é um primo primitivo do pleurossauro”, diz Bever. Segundo ele, os dois répteis ancestrais estão intimamente relacionados com o moderno tuatara, um réptil que vive nas ilhas costeiras da Nova Zelândia e é a única espécie rincocefálica restante ainda viva.

“Nós não sabemos exatamente quanto tempo o Vadasaurus gastava em terra versus na água. Pode ser que o animal tenha desenvolvido suas adaptações aquáticas por algum outro motivo, e que essas mudanças simplesmente eram vantajosas para a vida na água”, diz Bever. Ele diz que mais detalhes sobre a história evolutiva do Vadasaurus exigirão mais dados e outros achados fósseis. [phys.org]

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2 comentários

  • Cristiano Moreira:

    Desculpe, não me chame de criacionista, por favor. Não sou a favor de nenhuma das ciências que discutem a vida, mas o que descobriram foi um réptil que morreu e caiu na água ou morreu afogado. Isso não prova nada, mas sigo observando.

    • Cesar Grossmann:

      Como é que você sabe que “foi um réptil que morreu e caiu na água ou morreu afogado”? Como pode ter tanta certeza? Você examinou o fóssil? Examinou o local em que ele foi encontrado? Sabe exatamente qual a espécie de “réptil” encontrada?

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