Aranha minúscula cria versão maior de si mesma para confundir predadores

Por , em 19.12.2012

Como nós podemos ver, essa não é uma aranha real. Para sorte da aranha real, no entanto, seus predadores não sabem disso.

Essa “aranha falsa” é um chamariz, construído a partir de galhos, folhas, restos de insetos mortos, enfim, qualquer material disponível para criar um disfarce e proteger o animal verdadeiro.

O biólogo e educador de ciência Phil Torres descobriu esse disfarce na Amazônia peruana, perto do Centro de Pesquisa Tambopata. O chamariz tem 2,5 centímetros, mas, impressionantemente, foi feito por uma aranha de 5 milímetros. Essa aranha é, provavelmente, uma nova espécie do gênero Cyclosa, conhecido por fazer disfarces semelhantes.

Outras aranhas do gênero Cyclosa criam chamarizes usando os sacos de ovos que sobram depois do nascimento de filhotes. As aranhas também organizam detritos ao longo de fios de seda de uma forma simétrica que faz parecer quase exatamente como uma aranha maior pendurada na teia.

Estudos descobriram que algumas espécies de Cyclosa têm uma maior taxa de sobrevivência contra potenciais predadores, como vespas, porque eles acabam atacando os animais falsos em vez de a aranha em si.

Mas esses disfarces não têm sequer pernas, e são bem mais simples que os vistos recentemente. Por conta disso, essa aranha minúscula que constrói réplicas detalhadas de aranhas maiores para intimidar e confundir potenciais predadores deve ser de uma nova espécie, conforme suspeitam os pesquisadores.

Torres disse que, quando viu pela primeira vez uma dessas pequenas aranhas, ficou maravilhado. Ela até que se move para trás e para frente, dando a impressão de que a aranha falsa está se movendo e, no processo, confundindo os predadores a atacar a “isca”.

Os pesquisadores passaram 3 dias explorando a região e encontraram cerca de 25 dessas aranhas em uma área em volta do Centro de Pesquisa Tambopata. Extensas pesquisas em outras regiões não encontraram nenhuma das aranhas, mostrando que elas têm uma gama bastante restrita, pelo menos localmente.

Agora, especialistas vão analisá-las para colaborar com a descrição da espécie. Isso é, se ela for mesmo uma nova espécie. O próximo passo é ter certeza que ela é realmente um novo animal, comparando-a com outras espécies, dissecando-a, entre outros testes científicos.[POPSCI, PeruNature, TheVerge]

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2 comentários

  • Gabriel Lima:

    Olá Tcharles Rafael,
    Bem, eu não estudei o caso, apenas li o artigo. No capítulo 8 do livro ”A origem das espécies”, Charles Darwin nos fornece ferramentas para responder a sua questão. O instinto, assim como as características morfológicas, é modificado pela seleção natural e selecionado se este for positivo para animal. As leis que regem a seleção morfológica regerão também a seleção do instinto: Etapas sutis e graduais de um comportamento vão sendo preservadas e acumuladas por uma espécie através da hereditariedade.
    No caso da aranha, como se mostra no próprio texto, existem diversas outras aranhas com esse instinto em estágios mais primitivos, ainda não representando uma forma real de aranha.
    No início o que se tinha era apenas uma variedade de alguma aranha que construía um emaranhado de teia para de proteger. As aranhas que construíssem os ”emaranhados” mais parecidos com aranhas reais seriam selecionadas por leis (que eu acredito que você já conheça) até que se atinja um estágio quase perfeito, como o que se tem acima.

  • Tcharles Rafael:

    alguém me explica isso evolutivamente, por favor…

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