As baratas estão ficando próximas da invencibilidade

Por , em 12.07.2019

A Blattella germanica L., conhecida como barata alemã, é considerada uma peste presente em diversas partes do globo. Ela vive exclusivamente em locais ocupados por pessoas. O problema é que a barata ameaça a saúde dos seres humanos por produzir alérgenos desencadeantes de crises de asma e rinite; por ser vetor de micróbios resistentes a antibióticos e, assim, contribuir para ambientes internos pouco saudáveis. Além disso, as baratas são vetores de patógenos entéricos como Salmonella, Enterococcus e E. coli, de acordo com artigo publicado por cientistas no periódico Scientific Reports.

Diante dessas ameaças, os inseticidas são essenciais para reduzir a população de baratas. No entanto, desde os anos 1950, a resistência a eles tem sido uma barreira para o controle populacional desses insetos. Isso se deve ao fato de a B. germanica viver em populações relativamente restritas, o que facilita a rápida seleção das mais resistentes.

Uma alternativa, de acordo com o artigo, foi o uso de armadilhas. Tanto para o controle das baratas, quando para a redução no volume de pesticidas utilizados em casas nas regiões urbanas. Acontece que nem essa alternativa ficou imune à questão da resistência.

Controle

Resistência múltipla a pesticidas aparece de forma onipresente entre as baratas, mas é difícil distinguir a resistência cruzada provocada por um único mecanismo. O estudo da Universidade Purdue, liderado por Michael Scharf, encontrou evidências de que as baratas estão desenvolvendo resistência cruzada aos melhores inseticidas, o que as torna mais difíceis de matar.

O controle dessas baratas se torna quase impossível apenas com o uso de produtos químicos, se elas desenvolvem resistência a múltiplas classes de inseticidas de uma vez. O ciclo reprodutivo das baratas é de três meses, durante o qual cada uma pode ter até 50 filhotes. Portanto, mesmo que uma parte pequena dessa população seja resistente a um inseticida e adquira resistência cruzada, depois de ser exterminada a população pode aumentar novamente no período de meses.

Solução

Diante das possibilidades de disseminação de doenças e da resistência das baratas, é preciso combinar tratamentos. Scharf sugere aliar o uso de produtos químicos com armadilhas, melhorar a higienização e utilizar aspiradores capazes de remover baratas.

“Alguns desses métodos são mais caros do que usar só inseticidas, mas se esses inseticidas não vão controlar ou eliminar uma população, você só está jogando dinheiro fora”, considera Scharf. Por isso, a combinação de métodos é a forma mais efetiva de eliminar baratas. [Purdue University, Scientific Reports]

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