As supernovas que podem ter mudado a biologia da Terra com radiação

Por , em 12.07.2016
Esta imagem mostra o remanescente da supernova 1987A em diferentes comprimentos de onda

Esta imagem mostra o remanescente da supernova 1987A em diferentes comprimentos de onda

Um novo estudo descobriu que duas supernovas que explodiram milhões de anos atrás a cerca de 300 anos-luz da Terra provavelmente expuseram a biologia de nosso planeta a uma rajada de radiação cósmica de longa duração, que também afetou nossa atmosfera.

“Fiquei surpreso ao ver quanto efeito havia”, disse Adrian Melott, professor de física na Universidade de Kansas, nos EUA, um dos autores da pesquisa. “Eu estava esperando que houvesse muito pouco efeito, pois 300 anos-luz é muito longe”.

As consequências

Inicialmente, as duas estrelas – uma morreu em uma detonação entre 1,7 e 3,2 milhões de anos atrás, e a outra entre 6,5 e 8,7 milhões de anos atrás – teriam causado uma luz azul no céu noturno brilhante o suficiente para perturbar os padrões de sono dos animais por algumas semanas.

Mas o principal efeito foi da radiação que elas liberaram, com doses equivalentes a uma tomografia computadorizada por ano para cada criatura que habitava a terra ou o oceano raso do nosso planeta.

Mutação e evolução

Essa radiação impulsionou os raios cósmicos de supernovas a ter efeitos substanciais sobre a atmosfera terrestre e biota.
Por exemplo, a pesquisa sugeriu que as supernovas podem ter causado um aumento de 20 vezes na irradiação por múons ao nível do solo da Terra.

“Um múon é um primo do elétron, cerca de cem vezes mais pesado do que o elétron, e penetra centenas de metros de rocha”, disse Melott. “Normalmente, há muitos deles atingindo o chão. A maioria apenas passa por nós, mas por causa de seu grande número, contribuem com cerca de 1/6 da nossa dose normal de radiação. Portanto, se havia 20 vezes mais, havia o triplo de dose de radiação”.

Melott disse que o aumento na radiação de múons teria sido alto o suficiente para aumentar a taxa de mutação e frequência de câncer, mas não muito. Ainda assim, esse aumento da taxa de mutação poderia ter acelerado a evolução.

O clima

Na verdade, uma “pequena” extinção em massa aproximadamente 2,59 milhões de anos atrás pode ser ligada em parte aos raios cósmicos que poderiam ter ajudado a esfriar o clima da Terra.

Os novos resultados da pesquisa mostram que os raios cósmicos ionizaram a troposfera da Terra, o nível mais baixo da atmosfera, a um coeficiente oito vezes superior ao normal. Isso teria causado um aumento de relâmpagos no planeta.

“Houve mudanças climáticas em todo esse tempo”, disse Melott. “A África secou, e muitas florestas se transformaram em savanas. Depois, começamos a ter glaciações e não está claro por quê. É controverso, mas talvez os raios cósmicos tenham algo a ver com isso”. [Phys]

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