Asteroides: o estranho efeito castanha-do-pará

Por , em 20.07.2014

Se você achou que nunca na sua vida encontraria as palavras “asteroides” e “castanha-do-pará” na mesma frase, só tenho uma coisa para te dizer: bem-vindo ao clube. Eu também não achei que esse dia fosse chegar, mas o assunto é, de fato, curioso.

Eu explico.

Uma equipe de pesquisadores liderada por Soko Matsumura, da Universidade de Dundee, na Escócia, encontrou evidências que parecem explicar o excessivo número de pedras encontradas na superfície dos asteroides. Em um artigo científico, a equipe descreve experimentos de laboratório que foram realizados. E é aí que entra a castanha-do-pará.

Segundo a equipe de Matsumura, a explicação para o volume de pedras grandes na superfície de asteroides está em um efeito justamente chamado de “efeito castanha-do-pará”.

Uma década atrás, a nave espacial japonesa Hayabusa estava estudando o asteroide Itokawa e revelou o que parecia ser uma anomalia. Esse asteroide, em particular, tinha mais pedras grandes em sua superfície do que o normal – e muito mais do que poderia ser explicado pela atividade vulcânica no local.

Isso na verdade poderia ser um evento particular, uma exceção. Porém, cinco anos antes dessa verificação, os pesquisadores que estudavam outros asteroides encontraram a mesma coisa. Logo, o evento não poderia ser ignorado e completamente assumido como “ok, é uma exceção”. Ele estava mais para uma regra desconhecida e que aguçou a curiosidade dos pesquisadores.

O efeito castanha-do-pará

Quando você tem um jarro cheio de castanhas dos mais variados tamanhos, as maiores tendem a ficar mais na parte de cima do pote, enquanto que as menores, acanhadinhas, acabam ficando lá no fundo. Se você for pensar em balas, é a mesma coisa. E com um saco de biscoitos de polvilho também – aqueles que não são feitos em uma forma e por isso acabam adquirindo os mais variados tamanhos. Nesse caso, o farelo, que é a menor parte, fica todo no fundo, enquanto que os biscoitos maiores ficam todos concentrados na parte de cima.

Bem, as castanhas, balas e biscoitos maiores ficam na parte de cima do jarro devido a empurrões que sofrem das menores. Estas, por sua vez, vão ficando para baixo justamente porque se encaixam em espaços menores.

Os pesquisadores da equipe de Matsumura acreditam que é exatamente isso que acontece na superfície dos asteroides. E eles têm demonstrado isso através da realização de experimentos em laboratório.

Os experimentos

Dentro de um tubo, eles colocaram uma grande esfera e mais um grupo de esferas menores e, em seguida, balançaram o conjunto sob diversos estados de gravidade simulada. A intenção era imitar a dinâmica da Terra, da lua e de vários asteroides conhecidos. Assim, eles descobriram que, sob certas condições, a grande esfera, de fato, tende a subir à superfície, mesmo sob as simulações de gravidade fracas. Além disso, outras simulações realizadas pela equipe sugerem que as oscilações que ocorrem em asteroides devido a colisões com outras rochas no espaço é suficiente para conduzir as pedras grandes para o topo (em menos de algumas horas), oferecendo uma explicação para o grande número de grandes rochas visto pelas sondas especiais.

Ou seja, quando as rochas espaciais colidem com um asteroide, elas provocam uma oscilação que é suficiente para empurrar pedras menores para baixo e deixar as maiores para cima da superfície, consequentemente, mais à vista. Exatamente como as castanhas-do-pará fazem com os amendoins, quando eles estão em um mesmo pote. [Phys]

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