Horas sobre a mesma onda na Pororoca

Por , em 17.03.2016

O monstro que ribeirinhos da Amazônia há muito temiam está chegando no final desta semana.

A Pororoca pode ser ouvida até uma hora antes de chegar. A grande onda vem a partir do oceano e viaja até a Amazônia em um caminho de destruição. Mas enquanto moradores da região aceitam a ira do rio e começam a mover seus barcos e animais, aventureiros pegam suas pranchas de surf.

A Pororoca é um Macaréu, uma onda que flui a partir do oceano e se propaga em dezenas de rios em todo o mundo. Ao longo do Amazonas, um dos mais fortes destes fenômenos traz grandes ondas que viajam por quilômetros e parecem durar para sempre, o que é perfeito para uma longa aventura.

A influência lunar

A lenda local diz que a Pororoca acontece porque três crianças travessas viajam até o Amazonas para pregar peças. Mas o prenúncio científico do fenômeno é uma força que estamos familiarizados e chamamos de gravidade.

Durante as luas nova e cheia, quando o rio está relativamente raso e a maré do oceano está alta, a água flui do Atlântico, ao invés do contrário. Conforme rio e oceano colidem, invertem o fluxo do Amazonas e uma contracorrente de água sobe rio acima com velocidade e força incríveis.

Os mais fortes Macaréus ocorrem em equinócios semestrais em setembro e março, quando o sol, a lua e a Terra se alinham; a força gravitacional combinada leva as marés do oceano a seu pico.

Surfistas do rio

A lua cheia em 23 de março combinada com o equinócio significa uma boa notícia para os aventureiros das ondas, como Serginho Laus, surfista e pioneiro da Pororoca. Ele quebrou recordes em 2003 por seu passeio de 33.25 minutos e 10,1 km ao longo da Pororoca do Araguari, um rio na bacia amazônica.

Laus diz que surfar as marés da Amazônia é perigoso não só por causa de sua força – ele compara a um tsunami – mas porque estes rios carregam o sangue de uma selva viva. “Você é o estranho em uma terra de onças, crocodilos, cobras, piranhas, parasitas e doenças tropicais”.

“Você não pode ir sozinho”, diz ele. “Você precisa ter uma equipe, com os pilotos de barcos e moradores que sabem o caminho do rio”.

Mesmo se você não está pronto para surfar uma onda gigante e infinita, você pode assistir a um de uma série de festivais que comemoram a Pororoca no Brasil nesta primavera. O mais famoso é São Domingos do Capim, no Pará. Mas Laus diz que prefere a crueza do rio em Mearim, no Maranhão. “Nós temos a Amazônia real ao nosso lado, sem cidades, sem pessoas – apenas nós e a natureza”, afirma.

As datas da Pororoca dependem da lua e ainda estão sendo anunciadas [NY Times].

Confira imagens do 14º Campeonato Brasileiro de Surfe na Pororoca, realizado em 2014:

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