Incêndios florestais estão ocorrendo ao redor do mundo: mudança climática

Por , em 21.08.2019

Incêndios florestais estão ocorrendo ao redor de todo o planeta, na maior parte dos casos graças às consequências da mudança climática. O pior caso, no entanto, é o da floresta amazônica, que infelizmente mostra como a mão humana está redesenhando (para pior) o planeta.

Os incêndios

A Sibéria, na Rússia, perdeu mais de 54.800 quilômetros quadrados de florestas para o fogo apenas este mês. A fumaça se alastrou para grande parte do país, e até cruzou o oceano até os EUA.

Semana passada, a Dinamarca precisou enviar seus bombeiros para conter incêndios em partes desabitadas da Groelândia. Caso não fossem controlados, poderiam agravar o já extremamente preocupante descongelamento que a área sofre.

Já nas Ilhas Canárias, incêndios forçaram mais de 8.000 pessoas a saírem de suas casas. E no Alasca, novos incêndios surgiram para estender o que já vinha sendo uma temporada de queimas longa para o estado americano.

Tudo isso não deveria ser surpresa com a notícia dada recentemente pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA de que o último julho foi o mais quente do mundo todo desde que começamos a registrar a temperatura global, em 1880. O clima quente e seco certamente favorece este tipo de fenômeno.

Mudança climática

Para não ter dúvidas da origem destes incêndios, vale notar que vários extremos foram observados em todo o mundo graças à mudança climática. Países como Holanda, Alemanha e Bélgica e partes da Polônia, República Tcheca e Espanha registraram recordes de temperatura.

Paris registrou sua temperatura mais alta de todos os tempos, 42 graus Celsius. Os Estados Unidos também sofreram com uma onda de calor no mês passado.

Afora estes casos, muitas das áreas que queimaram ou estão queimando agora também viveram um julho de calor extremo, como a Sibéria, o Alasca e as Ilhas Canárias. Os dois últimos ainda lidaram com uma intensa seca. O Alasca, por exemplo, relatou condições “extremas” de seca, um índice inédito para o estado de acordo com o Monitor da Seca dos EUA.

Floresta amazônica

Com certeza, no entanto, o caso mais alarmante é o da floresta amazônica. Esta é uma região que, por conta de sua umidade quase constante, não queima por si só – diferentemente dos outros incêndios florestais aqui relatados -, o que indica que suas chamas são consequência da atividade humana.

“Não há nada de anormal no clima este ano ou nas chuvas na região amazônica, que está um pouco abaixo da média”, explicou Alberto Setzer, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), ao portal Reuters. “A estação seca cria as condições favoráveis para o uso e propagação do fogo, mas iniciar um incêndio é trabalho de seres humanos, seja deliberadamente ou por acidente”.

A floresta experimentou um número recorde de incêndios este ano, com 72.843 relatados até agora. Na última segunda-feira (20), a fumaça foi tão intensa chegou a escurecer o céu da cidade de São Paulo. Consequentemente, o Amazonas declarou estado de emergência.

O céu negro de São Paulo

Mais uma vez, não é nenhuma surpresa, tendo em vista as manchetes recentes do desmatamento na área. O fogo é normalmente aceso por fazendeiros que querem limpar áreas para cultivo ou gado, ou então para expulsar populações indígenas das proximidades. Tudo isso é ilegal, mas o governo atual praticamente desistiu de fiscalizar a região – e o resultado tem sido um aumento desesperador da destruição amazônica.

Salvem a Amazônia

Preservar a Amazônia é um passo fundamental para controlar a mudança climática no mundo todo, mas o presidente brasileiro Jair Bolsonaro parece não compreender esta questão, despedindo o diretor do INPE e chamando os dados da agência sobre o desmatamento de “mentirosos”. O fogo e a fumaça, infelizmente, não podem ser de mentira.

E é o próprio Brasil que vai sofrer mais com tudo isso. Sem árvores para ancorar o solo e reter umidade, a vegetação subjacente pode secar, dificultando a chuva que normalmente cai na floresta e por consequência facilitando novos incêndios.

Por enquanto, a Amazônia perdeu 15% ou mais de sua cobertura original. Os cientistas temem que, se essa perda alcançar 25%, não haverá árvores suficientes para o ciclo de água da floresta ocorrer normalmente. O perigo maior é que a Amazônia se transforme em uma savana.

Famoso letreiro “I AMsterdam” da capital holandesa é transformado em instrumento de protesto pela ONG “Greenpeace”

Neste ponto, não só o Brasil, mas o mundo todo verão consequências terríveis. Afinal de contas, a floresta produz uma quantidade enorme de oxigênio e sua vegetação captura bilhões de toneladas de carbono. Isso sem entrar em outros pontos, como a perda da rica biodiversidade da área.

Não é à toa que o mundo todo está sensibilizado pela causa – só falta o próprio governo brasileiro. [Vox]

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (22 votos, média: 4,55 de 5)

Deixe seu comentário!