Bullying entre irmãos: é normal ou é perigoso para as crianças?

Por , em 24.09.2013

Segundo um novo estudo da Universidade Clemson (EUA), bullying entre irmãos é um tipo de violência predominante na vida da maioria das crianças, mas pouco se sabe sobre o fenômeno. Os pesquisadores clamam que mais estudos precisam ser feitos na área.

A pesquisa explorou em que medida o bullying entre irmãos era visto como normal, e as diferenças percebidas entre vítimas e agressores.

O objetivo do estudo era traçar o perfil desse fenômeno ao examinar suas taxas de prevalência. 75% dos participantes relataram que ter sofrido bullying por um irmão, e 85% relataram ter cometido bullying contra um irmão.

“Em pesquisas sobre bullying, normalmente os percentuais são significativamente mais baixos para perpetração do que vitimização”, explica o professor de psicologia Robin Kowalski, um dos autores do estudo. “O contrário ocorreu desta vez, o que sugere que os participantes não viam o bullying entre irmãos como algo tão negativo”.

As conclusões foram apoiadas por outros dados que mostraram que, entre a maioria dos pares de irmãos, há uma norma de aceitação sobre o bullying.

Vítimas e agressores não avaliaram os casos de bullying da mesma maneira, no entanto. As vítimas avaliaram o bullying mais negativamente do que os perpetradores.

Kowalski acredita que estes resultados servem para aumentar a consciência de um fenômeno pouco estudado. “As pessoas tendem a pensar que irmãos provocando e intimidando um ao outro é ‘normal’. Minimizar o comportamento desta forma, no entanto, faz com que se deixe de examinar as consequências que o bullying pode ter para o relacionamento entre os irmãos envolvidos, algo que definitivamente precisa de pesquisas adicionais”.

Por exemplo, um estudo da Universidade de New Hampshire (EUA) publicado na edição de julho da revista Pediatrics descobriu que ser fisicamente ou mentalmente intimidado por um irmão pode ser tão prejudicial à saúde mental da vítima como ser intimidado por um colega.

O comportamento agressivo por parte de um irmão pode produzir raiva, ansiedade e depressão na vítima.

“Acho que porque os pais esperam algum nível de agressão entre os seus filhos, eles podem não reconhecer quando isso se torna um problema real”, disse Tim Goldsmith, terapeuta familiar e diretor clínico da Youth Villages, uma entidade privada sem fins lucrativos que ajuda crianças com problemas de saúde emocionais, comportamentais e mentais.

Segundo ele, há três características definidoras que determinam se o comportamento de agressão entre irmãos é bullying:

  • Se é deliberado. O agressor tem a intenção de machucar alguém fisicamente ou emocionalmente.
  • Se é repetido. O agressor alveja repetidamente a mesma vítima.
  • Se há um desequilíbrio de poder. O agressor escolhe uma vítima que ele ou ela percebe como vulnerável.

Goldsmith dá dicas para os pais prevenirem ou impedirem o bullying entre irmãos:

  • Defina a expectativa de que a casa é um lugar seguro e bullying não será tolerado.
  • Modele o comportamento que deseja ver nos seus filhos. Não discipline de forma agressiva ou com raiva, mostre o devido respeito para cada membro da família e elogie seus filhos quando eles fizeram o mesmo. Pratique essa disciplina de forma clara e consistente.
  • Cultive uma relação próxima com seus filhos.
  • Estabeleça uma comunicação aberta e confiável no seio da família. Ouça seus filhos e responda se eles dizem que estão sendo emocionalmente ou fisicamente abusados de alguma forma – por qualquer pessoa, mesmo um irmão ou irmã.
  • Descubra o que há por trás do comportamento de bullying. Talvez a criança esteja em busca de atenção ou sendo intimidada na escola.
  • Encontre maneiras positivas para que os irmãos interajam, como jogos em família.
  • Ensine às crianças formas de se acalmar antes de reagir, como contar até 10, ouvir música, etc. Essas habilidades de enfrentamento são benéficas para todas as situações. Certifique-se de louvar o bom comportamento.
  • Forneça supervisão e participação na vida do seu filho. Se o bullying está ocorrendo, aumente a supervisão e não deixe as crianças envolvidas juntas e sozinhas.
  • Certifique-se de que os seus filhos têm o apoio social adequado onde quer que vão, inclusive na escola. Cuidadores e babás devem estar cientes do comportamento de bullying.
  • Deixe o seu filho saber que ele ou ela não é o único que já experimentou o bullying, e você vai tomar medidas para protegê-lo.
  • Observe atentamente para quaisquer pensamentos ou ações suicidas. As crianças que sofrem bullying estão em alto risco de tentativa de suicídio. As intimidações são também fatores de risco para problemas de saúde mental, incluindo depressão e uso de drogas. [ScienceDaily, PRWeb]

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1 comentário

  • engvictorh_10:

    “bullying”, ô palavrinha que nunca sai de moda.

    Sempre brinquei com meus irmãos e amigos, a modo de colocar apelidos por conta de vários aspectos físicos, modos de se comportar e tal. E eles sempre devolviam na mesma moeda, sempre. E nem por isso acusamos uns aos outros de praticar “bullying”.

    Deve haver sim, a atenção com as crianças em que são maldosas (muitas vezes por terem algum sofrimento vindo de casa). E também o cuidado com as brincadeiras que as crianças fazem, pois elas não tem noção de perigo em determinadas situações.

    O modo que essa sociedade está caminhando é deprimente, onde qualquer comportamento ‘diferenciado’ é considerado resultado de bullying.

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