Buraco negro é flagrado engolindo planeta gigante

Por , em 7.04.2013

Como praticamente todas as galáxias do universo, a galáxia NGC 4845 tem um buraco negro central. Nas últimas décadas, porém, esse buraco negro parecia adormecido, já que não dava sinais de atividade.

Isso mudou recentemente, quando os cientistas flagraram o buraco negro no processo de comer um pequeno lanche. Pequeno, neste caso, se refere a um planeta maior que Júpiter.

“A observação foi completamente inesperada para uma galáxia que aparentava tranquilidade por pelo menos 20 a 30 anos”, disse o principal autor do estudo, Marek Nikolajuk.

Tão inesperada, de fato, que os astrônomos não estavam sequer olhando para a NGC 4845 quando fizeram a descoberta.

Eles estavam usando tecnologia da ESA (agência espacial europeia) para observar uma outra galáxia, mas a NGC 4845, a 47 milhões de anos-luz de distância da Terra, estava em seu campo de visão. Então, quando os cientistas notaram chamas de raios-X brilhantes provenientes da galáxia, rapidamente voltaram sua atenção para ela. Dessa maneira, eles foram capazes de registrar este raro evento astronômico.

Pesquisadores da Universidade de Genebra (Suíça) analisaram os dados coletados pela equipe e viram o brilho de luz do buraco negro no centro da NGC 4845, que tem uma massa mais de 300.000 vezes maior que o nosso sol.

Quando algo é puxado para dentro de um buraco negro, o calor e a pressão de tal evento convertem tudo o que foi “engolido” – estrela ou planeta – em gás de alta energia.

À medida que os gases são absorvidos pelo buraco negro, a energia a partir deles é libertada como raios-X. Assim, quando os cientistas observaram as chamas, recorreram ao XMM-Newton da ESA, instrumento utilizado por astrônomos para detectar fontes de raios-X de todo o universo.

Eles examinaram o fenômeno e determinaram que a massa do planeta sendo devorado pelo buraco negro era de cerca de 14 a 30 vezes a de Júpiter – o que significa que ou era um gigante gasoso muito grande, ou uma anã marrom (corpo mais volumoso que um planeta, mas não grande o suficiente para iniciar o processo de fusão de uma estrela).

O estudo também mostrou que este buraco negro gosta de brincar com a comida: a forma como a emissão se iluminou e decaiu mostra que houve um atraso de dois a três meses entre o objeto ser desintegrado e o aquecimento dos restos desse lanchinho na vizinhança do buraco negro.

“Esta é a primeira vez que vimos a desintegração de um objeto subestelar por um buraco negro”, disse o pesquisador Roland Walter. “Estimamos que somente suas camadas externas foram comidas, ou cerca de 10% da massa total do objeto, e que um núcleo denso foi deixado em órbita no buraco negro”.[Forbes, ABC]

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24 comentários

  • Abalen:

    A física vive no mundo das hipóteses e continuará vivendo, pois nossa inteligência é jurássica. Meu espaço para escrever acabou…

  • Ozenildo Batista:

    Como eles sabem que o buraco negro estava engolindo um planeta gigante pela primeira vez, outros planetas podem ter sido engolidos antes, rs

    • Marcelo Ribeiro:

      Flagrado pela primeira vez.

    • Davi Oliveira:

      Ficou mal escrito. Deve estar tentando dizer: flagram pela primeira vez buraco negro engolindo planeta. Olha a correção Natasha Romanzoti.

    • Paulo Felix:

      É possível interpretar que o planeta gigante foi flagrado sendo engolido pela primeira vez e que ele seria engolido de novo depois.

  • Charles Tasca Schützler:

    Essas imagens são reais ou apenas ilustrativas?

    • Cesar Grossmann:

      Podem ser um misto. Como foram feitas em Raio-X, então elas não são “reais” no sentido de não poderem ser vistas a olho nu.

    • Paulo Felix:

      Seguramente são ilustrativas. Se uma imagem como essa fosse real, ela estaria nas primeiras páginas dos jornais e nas TVs.

    • Paulo Felix:

      Há montes de “coisas” que não vemos, mas são reais. O ar, a radiação…

    • Cesar Grossmann:

      Todas elas podem ser detectadas de uma ou outra forma.

  • paidoquinho:

    Na minha pura e inocente ignorância, imagino que, várias dimensões realmente existam e nelas possa se explicar uma série de coisas e fenômenos que interagem no nosso pequeno universo terráqueo.Algo me diz que as dimensões são campos energéticos diferentes, ainda desconhecidos por nós, que ocupam seus devidos espaços em função de impulsos eletromagnéticos naturais, nos quais, partículas compõem coisas e seres que ainda não podemos imaginar. A cada dia, estamos criando novos equipamentos para decodificar o desconhecido, o que é fascinante. Cada dimensão deve ter a sua massa, gravitando umas sobre as outras,(a titulo de ilustração),tal como as placas tectônicas sobre o manto da terra e, de vez em quando, algo vaza para outro espaço, por ter sido espremido ou algo semelhante, virando um vulcão, que suga de outro espaço aquilo que expele para o nosso meio.Cientistas estão buscando a comprovação de que a morte não existe e de que migramos para outra dimensão, que, porque não,pode ser uma forma de energia entrando em um buraco de minhoca para outra dimensão. Se em breve em nossa ignorância não nos autodestruirmos e não entrarmos no buraco de minhoca errado, com certeza vamos enxergar algumas das dimensões e entender como o buraco negro pode engolir um gigante e, o que dele realmente resulta, explicando sua função se; triturador gigante, sistema digestivo de um gigante ser, do qual, talvez sejamos apenas uma milionésima partícula que alimenta outras formas de energia.

    • Claudia Pereira Ricco:

      Acho que suas suspeitas estão no caminho certo pois sempre tive as mesmas idéias a respeito do “todo”. Que somos parte de uma milionésima partícula que alimenta outras formas de energia está claro pra mim. Assim como as células de que somos feitos, nós temos a mesma função pra um “ser” inimaginavelmente maior que nós. Vai ver, buracos negros são algo como furúnculos que expelem pra uma outra dimensão o que não é bom ou o que está em lugar errado. Mistérios, maravilhosos mistérios. Só espero que, ao morrer, eu tenha o privilégio de poder compreender tudo isso.

    • Rodrigo Ranzan:

      Na minha infância, eu pensava que cada elétron poderia ser um universo, assim como o nosso também é só mais um elétron. ou algo assim.

    • Maria Julia Foster:

      Muito boa a sua dissertação sobre o assunto, também acredito que uma parte de nós, não corpóreo, vai pra uma outra dimensão.

    • victor bRzz:

      Realmente muito boa sua teoria-imaginação , realmente me fez parar para pensar. Lhe dou créditos por isso.

  • John jones:

    me fez lembrar do galactus o devorador de mundos!!!!

  • Marco337:

    Realmente isso tudo é muito estranho. Os sentidos humanos são muito limitados (aqui no caso vale-se apenas da visão) e não dispomos de tecnologia de pequenas margens de erros, micro e macroscopicamente somos muito limitados. Além disso, apenas uma parcela mínima ( muito mínima) da população mundial tem acesso a essas tecnologias limitadas. Assim sendo, estamos a mercê daquilo que eles acreditem ser a verdade ou ” possível verdade”. Muitas leis e teorias foram incorporadas e aplicadas à nossa realidade e são inquestionáveis hoje em dia…mas no campo da astronomia até o momento ( repito: até o momento) não percebemos nenhuma aplicação prática de grande relevância , que já não tenham sido testadas em espaços não tão longínquos como os citados nos textos. A astronomia é muito linda e apaixonante, no entanto ela assim o é apenas por aguçar de maneira extrema nossa curiosidade sobre o desconhecido.

    • matheus pedro:

      sim mas n desmerece os amantes incondicionais da astronomia pois eu tenho 16 anos e me entereço fortemente sem dispor de tanta tecnologia

  • Andre Luis:

    A imagem é incrível mas, seria legal uma interpretação da imagem, para uma melhor compreensão desta interação do planeta e o buraco negro. De qualquer forma, ótima matéria!

  • pmahrs:

    Acreditar na observação de algo que na velocidade da luz levaria 47 milhões de anos para chegar lá e que está engolindo um planeta maior que Júpiter que passará num buraco de minhoca e entrará em outra dimensão, universo paralelo ou em outro espaço tempo do universo. Isto não é tão louco quanto acreditar em Deus ou monges? Ou vão nos explicar como funciona estes métodos e aparelho de captação de raio-X tão longe, os monges também podem explicar os métodos de captar a sintonia com o divino, dimensões espirituais ou energias sutis; o problema é se temos capacidade de entender como diria os cientistas.

    • Alexandre:

      Bom “pmahrs”, não se falou em “buraco de minhoca” e nem em “dimensões” ou “universos paralelos” no artigo. Quanto aos métodos e aparelhos utilizados, você acha facilmente a explicação simplificada de como funcionam na internet. Concordo com a sua preocupação na confiabilidade desses métodos (eu também as tenho em vários casos) , mas daí a comparar uma observação baseada em “métodos científicos” com alguém que bota a cabeça em uma caixa e diz que está vendo algo que vc precisa ter muita fé e vontade para ver também…
      Desculpe o exemplo utilizado, mas meu ponto é o seguinte: Ter fé em algo é normal (seja em deus, monges, orixás, inteligência universal, etc.)… é algo perfeitamente aceitável (nem estou aqui para discutir isso). Mas colocar em níveis iguais o que não é, aí já complica. Exemplo: Se vc disser que deus é tão real quanto isso (ou mais) eu vou ficar quieto (não concordo, mas azar o meu), agora se vc disser que acreditar nos dois é “tão louco quanto” ou que “os dois tem os mesmo níveis de provas concretas” aí eu não concordo de maneira alguma.

      Abraço

    • Renan Nascimento:

      Vai por mim, se tu parasse para estudar como funciona a Internet, seria mais fácil acreditar em Deuses também.

  • WalterZ:

    Um fenômeno de tal magnitide captado por pura sorte! Esse caras nasceram “virados para a lua”.
    Mas aparentemente houve uma certe pressa em divulgar a descoberta, antes que outros o fizessem. Achei meio “grosseiro” estiam o tamanho do astro entre 14 a 30 vezes a de Júpiter e ao mesmo tampo estimar a massa que “cerca de 10% da massa total do objeto foi comida pelo buraco negro”. Como não há como verifiar o quanto do astro continuo em órbita do burco negro, esta estimativa deve ter se baseado em um modelo matemático.
    E, como fala matemático amigo meu, “A matemática sempre dá a resposta certa, só que as vezes para a pregunta errada”

    • kid redman:

      hahaha !!! por vezes dá até a resposta certa mostrando uma conta errada quando, por exemplo, diz que 2 e 2 são 5 !!!

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