Cerveja vai ficar mais rara e mais cara com o aquecimento global

Por , em 17.10.2018

Se nenhum dos alertas já feitos sensibilizou as pessoas a respeito do perigo das mudanças climáticas, esse talvez ajude: o aquecimento global causará escassez de cerveja e a duplicação de seu valor de mercado. O principal ingrediente da bebida alcoólica mais popular do mundo, a cevada, é sensível à seca e ao calor extremos. O aquecimento global levará a reduções substanciais nos rendimentos das colheitas de cevada, de acordo com um novo estudo publicado na segunda-feira (15).

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Uma equipe de pesquisadores chineses, juntamente com Steven J. Davis, cientista ambiental da Universidade da Califórnia, criou um modelo que mostra o impacto que mudanças na oferta de cevada em quatro cenários climáticos diferentes teriam sobre o preço da cerveja em alguns países.

Na melhor das hipóteses simuladas, as emissões de gases de efeito estufa chegam a um pico em 2020 e as temperaturas globais médias da terra sobem menos de 3 ° C em relação aos níveis pré-industriais até o final do século. Nos dois cenários mais prováveis, o pico de emissões acontece em 2040 ou 2080 e as temperaturas sobem de 4 ° C a 5 ° C até 2100. No pior dos casos, as emissões continuam a aumentar ao longo do século XXI e as temperaturas aumentam mais de 5 ° C no fim do século.

O estudo descobriu que, globalmente, os preços da cerveja devem subir 15% durante as secas extremas no melhor dos casos – e 100% no pior dos casos.

“Se você não quer que isso aconteça – se você ainda quer alguns copos de cerveja – então a única maneira de fazer isso é mitigar a mudança climática. Temos que trabalhar todos juntos para mitigar a mudança climática”, diz Dabo Guan, co-autor do estudo e professor de economia climática da Universidade de East Anglia, em Norwich, no Reino Unido, ao site do canal de notícias americano CNN.

Qualidade

Segundo os pesquisadores, haverá diferenças nas mudanças de produção de cevada entre as nações. De acordo com a matéria da CNN, os Estados Unidos e a Austrália provavelmente produziriam mais cevada, enquanto China, Brasil e Japão produziriam menos.

O maior problema para a produção de cerveja, no entanto, é justamente a qualidade da cevada utilizada para este fim. De acordo com Guan, apenas a cevada de boa qualidade é utilizada na produção cervejeira, e é esta cevada boa que mais sofre com as mudanças climáticas. “Globalmente, apenas uma pequena fração de cevada entra na fabricação de cerveja – apenas 17%. O restante dos 83% na verdade vai alimentar porcos e outros animais, basicamente”, diz o especialista na matéria da CNN.

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Portanto, o aumento da produção previsto em alguns países não beneficiará necessariamente a indústria da cerveja.

Em média produção global de cevada diminuirá entre 3% e 17%, dependendo da severidade do clima, mostrou o estudo. Considerando os eventos climáticos mais severos, o consumo global de cerveja diminuiria em média 16%, enquanto os preços da cerveja em todo o mundo dobrariam. Em circunstâncias menos severas, o consumo global de cerveja cairia apenas 4% na média, enquanto os preços saltariam 15%, de acordo com o estudo.

Adaptação

Agricultores de todo o mundo já estão usando técnicas avançadas de reprodução de plantas para criar grãos mais resistentes à seca e usando sistemas de irrigação mais eficientes para conservar água. Essa adaptação a um novo planeta, mais quente, porém, pode não chegar a todos os cantos do planeta. De acordo com o estudo de Guan e seus colegas, muitas regiões não serão capazes de lidar com as condições áridas do futuro.

Caroline Sluyter, diretora do programa do grupo de defesa de alimentos Oldways Whole Grains Council, disse à CNN que os resultados do novo estudo estão de acordo com outros documentos. “Há uma conexão bem compreendida entre o aumento da temperatura, a redução do suprimento de água e o impacto no rendimento das safras”, aponta.

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A especialista lembra que as três grandes plantações de cereais para consumo humano são milho, trigo e arroz, e diz que estudos anteriores já apontaram redução na produção destes alimentos também. “Este estudo levanta muitas questões importantes sobre como a nossa oferta de alimentos vai se adaptar a um clima em mudança”, diz ela na matéria. “Dedicar tempo para realmente pensar sobre onde precisamos colocar esses recursos [agrícolas] para maximizar a qualidade de nosso suprimento de comida é uma questão que está se tornando cada vez mais importante”, acrescenta Sluyter. [CNN, Wired, Quartz]

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