As florestas antigas riam na cara do aquecimento global

Por , em 7.10.2009

A ciência parece estar confirmando a realidade expressada em uma piada famosa do comediante estadunidense George Carlin: “O planeta irá nos chacolhar para fora como um se fôssemos uma infestação de pulgas”, pois a equipe do cientista Howard Falcon-Lang, do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Londres, chegou a uma descoberta nada surpreendente: a Mãe-Natureza é resiliente. Essa capacidade de se regenerar foi notada mais uma vez após se analisarem fósseis de florestas tropicais encontrados em minas de carvão do estado de Illinois (EUA).

As constantes mudanças climáticas que assolaram a Terra ao longo de sua história causaram sérios estragos a essas florestas primitivas, mas elas rapidamente se reergueram, segundo o que diz o estudo, publicado na revista Geology.

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A pesquisa pode dar pistas de como a mudança climática afetará a Amazônia no futuro. “Se nós pudermos compreender como o clima deu forma às florestas em um passado distante, podemos inferir como elas vão reagir no futuro”, comentou Falcon-Lang.

Essas florestas fossilizadas de Illinois são a maior do gênero no mundo e datam do Período Carbonífero (300 milhões de anos atrás), quando a maior parte dos recursos de carvão do mundo foi formada. As rochas nesse local contêm evidências de oscilações do clima, e fósseis mostram que, durante as “eras glaciais”, os trópicos secaram, e as florestas chegaram à beira da extinção, mas conseguiram se recuperar. As camadas de carvão que se formaram em seguida, conforme o clima ia se aquecendo, contêm sinais de abundantes espécies da floresta.

“Estas descobertas mudam radicalmente a nossa compreensão das primeiras florestas tropicais da Terra. Costumávamos pensar que esses eram ecossistemas estáveis e inalterados por dezenas de milhões de anos. Agora nós sabemos que eles eram incrivelmente dinâmicos, constantemente fustigados pelas alterações climáticas”, explica o cientista. “Nós mostramos que, dentro de certos limites, as florestas são resistentes a mudanças climáticas”, completou, lembrando que, se as oscilações forem extremas, as florestas tropicais podem passar de um ponto que, se ultrapassado, não permite retorno.

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O trabalho, realizado em conjunto com pesquisadores da Smithsonian Institution e da Illinois Geological Survey, é parte de um projeto de cinco anos financiado pelo Natural Environment Research Council do Reino Unido, e visa estudar como as alterações climáticas afetaram as primeiras florestas da Terra. [Scientific Blogging]

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3 comentários

  • Francisco WilmarSimm:

    Gosto muito de imaginar como as coisai seriam no futuro com o aquecimento global.
    Parece que já houve varias alterações na temperatura do nosso planeta mas nada que o colocasse em perigo vital…
    Acho que com o aquecimento global temos um enorme radiador que irá nos salvar(dois terços de superficie de agua)
    Realmente haverá mais calor,mais ciclones em todos os lugares,a natureza voltará a ser violenta promovendo extremos como o vento o calor, o frio mais chuvas…
    Isso impossibilitará a lavoura causando fome imensa no planeta e grandes convulsões sociais,mas do que uma floresta precisa para crescer? Sol e chuva e isso terá bastante a lavoura perecerá mas a floresta prevalecerá…e assim poderá a propria natureza restabelecer aquilo que o ser humano reluta em entender ou fazer o custo em vidas pode ser enorme mas será necessário

  • Marcelo Fonseca:

    Temos também que nos preocupar com o excesso de água, concentradas em certos pontos, lembrando dos tsunamis, das enchentes e das catástrofes naturais. A água também é vetor de inúmeras doenças. O maior problema é a qualidade, como muitos já falaram, e os altos custos para sua utilização. Os países mais ricos detém técnicas e recursos humanos, e podem investir na purificação da água. Os mais pobres não… Já fizeram as contas de quanto custa uma garrafa de água mineral? Só não é mais cara que o tunner (cartuchos) das impressoras, o combustível mais caro do planeta!

  • Clement:

    Sim, as florestas antigamente riam da cara…, assim como muitos como muitos hábitos alimentares nocivos de quem vivia muito bem e obrigado!
    Acontece que muita coisa mesmo está mudando juntamente com o aquecimento global, que a esta altura dá indícios de dificílima reversão devido a uma série de outras catastróficas mudanças.
    Por exemplo, a crescente manifestação de tornados no sul do nosso país é apenas uma entre outras vinte consequências irreversíveis, assim como a extinção dos corais devido a crescente concentração de gás carbônico nos oceanos.
    Se mudanças drásticas já ocorreram no passado, com certeza foram em condições em que a natureza ainda tinha recursos para se recuperar, diferentemente deste nosso momento atual em que para recuperar serão necessários algumas centenas de milhares de anos…
    Se nós que somos racionais não respeitamos a natureza, quem sobra???

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