Cientista estabelece as bases neurocognitivas do livre arbítrio

Por , em 1.08.2019

O professor Thomas Hills, do Departamento de Psicologia da Universidade de Warwick (Reino Unido), crê que é possível fazer uma ponte entre os argumentos filosóficos e as bases neurocognitivas do livre arbítrio.

Para tanto, ele criou uma lista estabelecendo essas bases.

Livre arbítrio: real ou ilusório?

É difícil dizer se seres humanos são realmente livres para fazer o que querem ou desejam, mas a filosofia e a teologia certamente tentaram entender se isso era possível.

Os elementos do livre arbítrio, na filosofia, envolvem vários fatores como o princípio de alternativas possíveis; a habilidade de deliberar; um senso do eu; a habilidade de manter metas (“querer o que eu quero”, conforme explica Hills), entre outras coisas.

Ao comparar seres humanos a outros organismos, de baratas a robôs, Hills sugere que as nossas habilidades neurocognitivas satisfazem os critérios para o livre arbítrio filosófico. Estas bases seriam:

  • Acesso adaptativo a imprevisibilidade;
  • Ajuste a essa imprevisibilidade para poder alcançar objetivos grandes;
  • Deliberação direcionada a metas através de uma busca interna em nossas representações cognitivas;

O papel da construção consciente do eu na geração e na escolha de alternativas.

Livre arbítrio não é o que a maioria pensa

Hills acredita que o livre arbítrio humano é um processo de “autoconstrução generativa”. Adaptação, consciência e experiência se unem para nos permitir explorar a construção de futuros alternativos.

“Há evidências de que as pessoas que creem no livre arbítrio são mais pró-sociais. Elas adotam um comportamento que beneficia os outros e a sociedade como um todo e têm um maior senso de controle sobre o futuro – acreditam que podem influenciar o futuro de maneiras positivas. Isso é importante: o livre-arbítrio neurocognitivo fornece uma base para entender por que elas estão corretas”, disse ao MedicalXpress.

Hills acrescenta que as bases neurocognitivas do livre arbítrio ligam nosso entendimento dele a algo real, e nos ajudam a entender o que ele significa.

“Eu suspeito que não é o que a maioria das pessoas pensa. Como Sartre disse uma vez, ‘A liberdade não é um triunfo’. O livre arbítrio dá algumas dicas de como isso poderia ser. Esse será o foco de um trabalho futuro”, conclui.

 Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society B. [MedicalXpress]

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