Manipulando a gravidade: de acordo com este cientista, é possível

Por , em 13.01.2016

A geração de gravidade artificial em naves espaciais é recorrente em filmes de ficção científica, já que é mais fácil inventá-la do que alcançá-la.

Isso pode mudar em breve. Recentemente, foi aceito para publicação na Physical Review D um trabalho do professor André Füzfa, da Universidade de Namur, Bélgica, que sugere que temos tecnologia suficiente para gerar gravidade.

A Teoria da Relatividade é a base

O princípio teórico do professor Füzfa está na Teoria da Relatividade. Ele começou do mesmo ponto que Einstein, o princípio de equivalência: uma pessoa de pé sobre a superfície do planeta vai sentir a mesma coisa que alguém de pé dentro de um foguete que acelere constantemente. Se a pessoa estiver dentro de um ambiente sem janelas, ela não vai conseguir saber qual a situação em que se encontra.

Mas para o princípio da equivalência ser verdadeiro, os outros fenômenos naturais, entre eles o campo eletromagnético, também devem ser afetados de acordo. Segundo as palavras do professor, todos os tipos de energia produzem e estão sujeitas à gravitação da mesma forma.

No seu trabalho, o professor sugere que a criação de um campo magnético muito forte poderia criar um campo gravitacional pela distorção das geodésicas, as linhas do espaço-tempo.

Solucionando as equações de Einstein-Maxwell – tem mais de 40 no trabalho -, o campo magnético curvaria as linhas geodésicas, curvando a trajetória de um feixe de luz. Além de curvar a luz, ele também criaria um efeito Doppler gravitacional – a luz sofreria um desvio para o vermelho.

Colocar em prática não é tão simples

Tudo isso não pede nada que já não seja conhecido: o professor não inventou nenhuma nova física, apenas usou o que já é de conhecimento. O problema é testar esta hipótese.

Para fazer o aparato que é sugerido pelo trabalho, é preciso muito investimento. O campo magnético será gerado por vários dias em uma máquina com camadas sobre camadas de ímãs supercondutivos, e um aparelho ultrassensível para detectar variações mínimas de gravidade no campo magnético.

Eu falei detectar variações mínimas, e são realmente mínimas. Os campos magnéticos extremamente fortes vão gerar um campo gravitacional mínimo. Desculpe astronautas, vocês vão continuar flutuando imponderáveis na viagem a Marte, nada de gravidade artificial nas espaçonaves terrestres. Por enquanto.

De qualquer forma, o trabalho do professor vai lançar novas luzes sobre o relacionamento entre eletromagnetismo e gravidade, e aumentar nosso entendimento sobre a gravidade. E, quem sabe, em um futuro não tão distante, teremos gravidade artificial em espaçonaves, sem precisar fazer a nave girar. [IFLScience]

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1 comentário

  • João Batista:

    poderia usar os super condutores. e a energia solar, para produzir a energia necessária. o gerador Tesla também seria uma idéia.

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