Cientistas inventam o jeito mais fácil de fazer dieta

Por , em 7.04.2015

Não vai ser uma pílula mágica. Nem uma semente misteriosa.

A próxima dieta da moda, ao que tudo indica, vai ser baseada em micróbios especiais.

Dieta dos micróbios?

Pesquisadores têm programado bactérias para gerar uma molécula que, através do metabolismo normal, torna-se um lipídio capaz de suprimir a fome. Os ratos que beberam água “contaminada” com essas bactérias programadas comeram menos, tiveram menor taxa de gordura corporal e protelaram o desenvolvimento de diabetes, mesmo quando alimentados com uma dieta rica em gordura.

Esses resultados deixaram a comunidade científica bastante empolgada, porque oferecem uma nova luz a uma estratégia potencial de perda de peso para os seres humanos.

Seria o fim da obesidade?

Ainda é cedo para afirmar, mas a equipe responsável por esse incrível avanço científico está bastante confiante.

A obesidade aumenta significativamente o risco de desenvolver várias doenças e condições, tais como doenças cardíacas, derrame, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. Um em cada três americanos é obeso, e os esforços para conter a epidemia têm falhado.

Infelizmente, tanto a incidência da obesidade quanto o insucesso em seu tratamento vale para o mundo inteiro. Mudanças de estilo de vida e medicamentos normalmente são boas estratégias apenas para uma perda de peso moderada, e a maioria das pessoas acaba recuperando os quilos perdidos.

Vamos virar o jogo?

Nos últimos anos, numerosos estudos demonstraram que a população de micróbios que vivem no intestino pode constituir um fator-chave na determinação do risco de obesidade e doenças relacionadas, o que sugere que a alteração microbiota intestinal estratégica pode influenciar a saúde humana.

Vantagens da medicina microbial

Uma vantagem da medicina microbial seria a de que ela é de baixa manutenção, diz Sean Davies, PhD no assunto. Seu objetivo é produzir bactérias terapêuticas que vivem no intestino por seis meses ou um ano, fornecendo entrega sustentável de substâncias necessários ao sucesso do tratamento.

Isso está em contraste com medicamentos para perda de peso que normalmente precisam ser tomados pelo menos diariamente e a longo prazo. “Por isso, precisamos de estratégias que entregam substâncias sem a necessidade de o paciente se lembrar de tomar suas pílulas a cada poucas horas”, diz Davies.

A molécula terapêutica

Para uma molécula terapêutica, Davies e colegas na Universidade de Vanderbilt, nos Estados Unidos, selecionaram a N-acil-fosfatidiletanolaminas (NAPEs), produzida no intestino delgado após uma refeição. Elas são rapidamente convertidas em N-acil-etanolaminas (NAEs), lípidos potentes que tiram o apetite.

O estudo

Os pesquisadores alteraram os genes de uma estirpe de bactérias probióticas para que elas fabricassem NAPEs. Em seguida, adicionaram as bactérias em uma porção de água potável que foi ingerida por uma linhagem de camundongos que estava sendo alimentada com uma dieta rica em gordura e tinha desenvolvido obesidade, diabetes e sinais de fígados gordos.

Em comparação com os ratos que receberam água pura, os ratos que beberam as bactérias programadas para fazer NAPEs tiveram um ganho de 15% menos peso ao longo das oito semanas de tratamento.

Além disso, seu metabolismo da glucose foi melhor.

Quando esse tratamento vai estar disponível para humanos?

O principal obstáculo para iniciar os testes em humanos é o risco potencial de que uma pessoa tratada possa transmitir essas bactérias especiais para outra em caso de exposição fecal.

“Nós não queremos que as pessoas sejam tratadas de forma não intencional, sem o seu conhecimento”, diz Davies. Especialmente porque poderia haver alguns indivíduos que poderiam sofrer danos por serem expostos a uma bactéria para tirar a fome.

Então, os pesquisadores estão trabalhando para modificar geneticamente as bactérias e reduzir significativamente a sua capacidade de serem transmitidas. [medicalxpress]

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