Como fazer bebês com 2 mães e 1 pai

Por , em 8.06.2014

De acordo com um painel da Autoridade de Fertilização Humana e Embriologia (HFEA, do inglês Human Fertilisation and Embryology Authority) do Reino Unido, cientistas conseguirão criar bebês a partir de três pessoas em cerca de dois anos, caso a técnica seja legalizada.

O procedimento, usando óvulos de duas mulheres e esperma de um homem, seria usado para prevenir doenças mitocondriais fatais. O órgão regulador de fertilidade Reino Unido disse que não havia nenhuma evidência de que o método não seria seguro, mas pediu mais verificações.

Tais doenças são causadas por danos às mitocôndrias, pequenas centrais eléctricas existentes em todas as células do corpo. Um em cada 6.500 bebês nascem com doença mitocondrial grave, o que significa que elas não têm energia suficiente funcionar – o que leva a fraqueza muscular, cegueira, insuficiência cardíaca e até morte.

Considerando que as mitocôndrias são passadas apenas da mãe para o filho, o painel da HFEA apresentou duas formas avançadas de fertilização in vitro com material de três pessoas – os futuros pais e uma mulher com mitocôndrias saudáveis.

Segundo método: reparação do óvulo 1) Óvulos de uma mãe com mitocôndrias danificadas e de uma doadora com mitocôndrias saudáveis ​​são coletados; 2) A maioria do material genético é removido de ambos os óvulos; 3) O material genético da mãe é inserido no óvulo doado, que pode ser fertilizado por um espermatozoide.

Primeiro método: reparação do embrião
1) Dois óvulos são fertilizados com esperma, criando um embrião dos futuros pais e outro dos dadores; 2) Os pró-núcleos, que contêm a informação genética, são removidos de ambos os embriões, mas apenas o dos pais é mantido; 3) Um embrião saudável é criado adicionando os pronúcleos dos pais ao embrião doador, que é finalmente implantado no útero.

Primeiro método: reparação do embrião 1) Dois óvulos são fertilizados com esperma, criando um embrião dos futuros pais e outro dos dadores; 2) Os pró-núcleos, que contêm a informação genética, são removidos de ambos os embriões, mas apenas o dos pais é mantido; 3) Um embrião saudável é criado adicionando os pronúcleos dos pais ao embrião doador, que é finalmente implantado no útero.

Segundo método: reparação do óvulo
1) Óvulos de uma mãe com mitocôndrias danificadas e de uma doadora com mitocôndrias saudáveis ​​são coletados; 2) A maioria do material genético é removido de ambos os óvulos; 3) O material genético da mãe é inserido no óvulo doado, que pode ser fertilizado por um espermatozoide.

De acordo com Robin Lovell-Badge, membro do painel científico e do Conselho de Pesquisa Médica britânico, tudo indica que as técnicas são seguras, mas é recomendada um pouco de cautela. O relatório da HFEA pede uma série de testes finais antes que qualquer um dos procedimentos possa ser realizado. Isso incluiria uma avaliação mais detalhada da eficiência de ambas as técnicas propostas usando óvulos ou embriões humanos. O risco para a criança e quaisquer gerações subsequentes destas mitocôndrias modificadas sendo transferidas também precisa ser pesquisado mais detalhadamente.

“Eu acho que [dois anos] não é uma estimativa ruim. [Isto considerando] os outros tipos de experimentos que nós acreditamos serem necessários”, afirma Lovell-Badge.

Andy Greenfield, que presidiu a análise do painel científico, disse que a segurança “não era uma questão simples”, já que não saberemos se estas técnicas são seguras para humanos até que realmente sejam feitos testes em seres humanos. “Até que um bebê saudável nasça, não podemos dizer com 100% de certeza que estas técnicas são seguras”.

Três pais

Como as mitocôndrias têm seu próprio minúsculo conjunto de DNA, todas as crianças resultantes deste método terão material genético de três pessoas. Os tratamentos poderiam ser classificados como terapia germinal, causando mudanças que seriam transmitidas através das gerações. O termo “germinal” diz respeito às células germinativas, que podem dar origem aos gametas – no caso dos animais, o espermatozoide e o óvulo.

Preocupações éticas foram levantadas e alguns grupos acham que esta poderia ser a linha mais fina já cruzada na modificação genética de pessoas.

O governo do Reino Unido, à princípio, apoia bebês provindos de três pessoas. A diretora-geral da Saúde da Inglaterra, Dame Sally Davies, disse no ano passado: “É justo que nós estudemos a introdução deste tratamento salvador de vidas o mais rapidamente possível”.

A avaliação científica presidida por Greenfield foi encomendada pelo governo como parte de uma consulta mais ampla. O Ministério da Saúde deve publicar, nos próximos meses, a sua resposta à consulta, quando uma escala de tempo definitiva para as alterações regulamentares será revelada.

“A doação mitocondrial vai dar às mulheres que carregam doença mitocondrial grave a oportunidade de ter filhos sem transmitir doenças genéticas devastadoras. E também irá manter o Reino Unido na vanguarda do desenvolvimento científico nesta área”, declarou um porta-voz do órgão.

Sarah Norcross, diretora do Fundo Progress Educational (entidade que busca auxiliar famílias e indivíduos inférteis ou com problemas genéticos que desejam ter filhos), considera que o comitê de análise científica deu um grande incentivo para permitir que as técnicas para evitar a transmissão da doença mitocondrial hereditária possam ser aplicadas. “Estamos, portanto, exortando o governo a avançar e passar regulamentos para permitir que as famílias atingidas pela doença mitocondrial se beneficiem o mais rápido possível”, declarou. [Progress Educational Fund, BBC, Counsel & Heal]

Vote: 1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars

1 comentário

  • Falcone:

    Como o título está “bebês” no plural, já soltei mentalmente: E precisa ser cientista pra fazer isso?
    Hahahaha… 😛

Deixe seu comentário!