5 erros comuns sobre armas e combate em filmes

Por , em 10.09.2014

Todo mundo sabe que filmes de ação são encenações bem mais ou menos da realidade – na verdade, na maioria das vezes, são absurdamente fora da realidade -, mas isso não muda o fato de que eles são responsáveis por cerca de 100% do nosso conhecimento sobre armas e combate.

É por isso que todos nós temos ideias completamente bizarras sobre o assunto.

Para que você não detenha uma opinião potencialmente fatal sobre armas, confira abaixo cinco fatos explicados por dois veteranos de guerra americanos que também já trabalharam em Hollywood: Matt Wagner, que lutou na África, América do Sul e no Afeganistão e em seguida foi consultor técnico para uma série de produções incluindo Stargate SG-1 e The Colt, e Jerry, um empreiteiro militar e de segurança privada que já foi dublê e coreógrafo de lutas.

5. Armas automáticas são úteis, mas extremamente perigosas

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Metralhadoras transformam qualquer pessoa em um exército de um homem só nos filmes. Basta o protagonista ter uma que pode matar qualquer um à sua frente, saindo ileso.

Na realidade, se você atirá-la por mais de um par de minutos, a arma explode.

Toda vez que uma arma – qualquer arma – é disparada, o cano esquenta um pouco. Afinal de contas, a bala está sendo impulsionada por uma pequena explosão, e cria atrito de metal sobre metal por todo o cano. Se você disparar muitas balas sem dar chance para a arma esfriar, ela fica literalmente em brasa.

Quente o suficiente, ela acabará por disparar espontaneamente, sem você puxar o gatilho. Parabéns, você agora está segurando uma metralhadora possuída que pode atirar sem querer nos piores momentos possíveis. Observe uma demonstração:

Sim, esse é um perigo real. Como mostra um outro vídeo abaixo, você pode ser vítima de sua própria arma:

Na vida real, essas armas temperamentais têm que ser usadas em coordenação e com muito cuidado – não só é um cara com uma metralhadora. Isso nem sequer é permitido nas forças armadas. Há toda uma ciência de como usá-las, que é aplicada pelos atiradores. Geralmente, no mínimo três pessoas atiram como parte de uma unidade, sendo que o primeiro atira seguido do segundo, seguido do terceiro, para só então o primeiro voltar a atirar.

4. Todo mundo fica completamente surdo durante um tiroteio

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Se você já ouviu uma arma disparando, sabe que elas são MUITO altas. Altas o suficiente para te fazer não ouvir qualquer coisa por um tempo depois do disparo. Mesmo o som potente do cinema não consegue transmitir o quão alto um real tiroteio é – se fizesse isso, danificaria permanentemente a audição de todos na sala.

Tiros são mais altos do que martelos pneumáticos – uma espingarda calibre 12 ao seu lado é mais alta do que ficar perto de um motor a jato. Este é realmente um fator chave em qualquer tiroteio que praticamente nenhum filme reconhece – neles, as pessoas têm conversas casuais enquanto atiram, o que é totalmente absurdo.

Ah, e sabe como nos filmes as forças especiais sempre fazem sinais com as mãos uns aos outros, para coordenar suas ações?

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Filmes tendem a retratar esses sinais como a chave para uma operação noturna furtiva, mas gestos geralmente não são visíveis à noite. No entanto, sinais de mão são ótimos durante tiroteios diurnos, quando suas orelhas são arruinadas pelo zumbido das armas. Em resumo, eles não estão ali para tornar os atiradores mais silenciosos, mas sim porque o combate ensurdece as pessoas.
Aliás, perda auditiva e zumbido no ouvido são as lesões mais comuns em veteranos de guerra.

3. Em um verdadeiro combate, há pausas estranhas na ação

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Uma cena de ação de Hollywood é cuidadosamente editada com a estimulação em mente – a ação vai em um crescente, os riscos aumentam a cada tiro disparado, as coisas vão ficando cada vez mais frenéticas até que finalmente alguma coisa explode e o protagonista sobrevive.

Em um tiroteio real, existem pausas estranhas na ação que podem ser tensas, chatas ou até hilárias. Por exemplo, você pode ficar preso em um veículo esperando por ordens de um superior para poder atirar de volta nas pessoas que estão querendo te matar. Além de precisar confirmar que estão mesmo disparando contra você, é necessário se certificar onde essas pessoas estão – elas fazem questão de se esconder para se proteger – para não acertar civis ou colegas ao contra-atacar.

Além disso, quando foi a última vez que um filme mostrou seu herói parando no meio de um tiroteio para urinar? Funções corporais não deixam de existir apenas porque você está segurando um rifle. Soldados também fazem pausas em combates para comer, para estudar o terreno, e inúmeras outras coisas.

Por fim, existem as situações bizarras – que não acontecem só em filmes, mas na vida real ainda mais. Por exemplo, Matt já presenciou um burro – isso mesmo, o animal – sendo explodido no meio de um tiroteio, o que suspendeu a ação de ambos os lados por um tempo, já que todo mundo se assustou.

2. Em um combate, pessoas formam ligações emocionais com ferramentas

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Quando Jayne de “Firefly” deu um nome a seu rifle, alguns podem ter achado isso bobo ou tomado como um sinal de que ele estava louco. Mas, na vida real, quando você conta com as mesmas ferramentas todos os dias em questões de vida ou morte, elas começam a desenvolver personalidades e as pessoas criam ligações emocionais com elas.

Por exemplo, Matt conta que operadores de robôs ficam muito ligados às suas máquinas. As que dão mais trabalho (quebram mais) tendem a receber o máximo de atenção, e são as que as pessoas atribuem mais “personalidade”. Alguns operadores chegam a fazer funerais para seus robôs destruídos.

Tanto Jerry e Matt tiveram sentimentos em relação a algumas de suas armas. “Elas eram ferramentas descartáveis. Mas todas as minhas eram meninas”, conta Jerry. “Uma das minhas armas, uma Colt 1911, emperrou uma vez durante um combate. A única maneira de desobstruí-la era batendo-a contra a parede muito forte. Mas eu demorei um tempo para fazer isso enquanto as pessoas estavam atirando em mim, e disse: ‘Desculpe, garota’. Não sei porquê”.

1. Mitos de Hollywood fazem as pessoas morrerem

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Em filmes, basta atirar uma vez em uma pessoa que ela vai cair em terra e morrer – logo após você falar alguma frase de efeito. Para ganhar um tiroteio em Hollywood, só é necessário ser o cara mais rápido no gatilho.

Na realidade, no entanto, ninguém tem ideia do que vai acontecer depois que uma pessoa é atingida com uma bala. Talvez, se você conseguir dar um tiro perfeito, pode incapacitar alguém rapidamente. No geral, porém, levar um tiro quase nunca é imediatamente fatal. “Eu vi pessoas fazer todos os tipos de coisas depois de levar um tiro, incluindo ficar em combate por horas”, afirma Jerry.

Outra coisa que você vê em tiroteios de filme é aquele momento dramático em que o herói atira até que ouve um “click” do gatilho e percebe que acabaram suas balas. Na vida real, isso é o equivalente a dirigir seu carro até que o tanque esteja completamente vazio, sabendo que sua gasolina está acabando e que você vai ficar parado no meio da rua (aliás, para ser mesmo equivalente, seria ideal acrescentar – rua “extremamente perigosa cheia de bandidos”).

Segundo Matt, toda vez que você tiver uma chance de recarregar sua arma, você a recarrega – simples assim. Deixar sua arma vazia em um combate real é um sinal de que você fez algo muito errado – mas, para sorte da verdadeira polícia, muitos bandidos que receberam seu treinamento pela televisão fazem exatamente isso.

E, embora praticamente qualquer objeto sólido pode parar uma bala em Hollywood, as reais tendem a perfurar praticamente qualquer coisa a não ser uma parede de concreto. A pessoa média claramente não percebe isso. Jerry já presenciou uma pessoa se escondendo atrás de um sofá e rindo como se tivesse fugido. Nem sequer portas de carro param balas verdadeiras. [Cracked]

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11 comentários

  • Álvaro Neves Filho:

    Sem mencionar os filmes que o personagem fica minutos atirando sem recarregar, eu já vi um filme onde deram mais de 40 tiros de pistola.

  • Rodrigo A. Sena Pereira:

    Aperte o botão “Suspensão de Crença e Física” ou popular “dane-se+quero_me_divertir” quando assistir um filme de tiroteio!! hehehe

  • Dinho01:

    Sempre achei absurdo essa história do bandido morrendo tão facilmente com um tiro mas eu acho que pior do que as pessoas morrerem instantaneamente com um único tiro são aqueles filmes em que elas morrem com uma simples espetada de florete.

    • Marcelo Ribeiro:

      Se a espetada for no coração ou em uma grande artéria a morte tem que ser rápida, mas dificilmente instantânea mesmo. Instantânea acho que só no cérebro e em certas partes, penso. Em qualquer outro lugar a morte é por hemorragia geralmente, algo muito mais desagradável.

  • Malforea Shin:

    Isso tudo e mais o mais básico, que é uma arma ultra-moderna aparecer num filme em cuja época retratada ainda não existiam armas desse tipo. Descontextualização histórica.

  • Guilherme Artur Zippin:

    Outro problema nos filmes é a recarga de pistolas semi-automáticas. Dificilmente acertam o procedimento.

    Sem contar o fato de que quando uma semi-automática fica sem munição, o ferrolho permanece aberto e não tem jeito de ocorrer o famoso “click” ao pressionar o gatilho. Isso só ocorre com revolveres de dupla ação.

  • Cesar Grossmann:

    Em treino de tiro, aprende-se a dar dois tiros, o primeiro acerta o alvo e o segundo é chamado de “confere”, você vai conferir se a pessoa morreu.

    Mas mesmo com um tiro fatal, como os que se vêem nos vídeos dos francoatiradores muçulmanos, matando solados americanos, a morte dificilmente é instantânea, o soldado geralmente tem alguns segundos ainda de lucidez e consciência, onde ele poderia tentar atirar de volta, se visse de onde veio a bala.

    • Cesar Grossmann:

      Lembrei de outra coisa que só acontece em filme: a bala arrancando uma faísca enorme quando atinge algum alvo metálico. Projetis de chumbo não fazem isso, e quando o projetil tem algum metal que pode criar uma fagulha, ela é bem discreta.

    • Alexandre Marques:

      Depende também da distância. Em distâncias curtas, os atiradores treinados sabem onde atingir a junção da cervical com a cabeça.

    • Alexandre Marques:

      Um tiro de fuzil nesse ponto específico literalmente separa a cabeça do corpo, causando uma morte instantânea.

    • Alexandre Marques:

      O tiro normalmente sai um pouco abaixo do nariz.

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