Como cirurgiões plásticos sul-coreanos estão criando problema com fotografia de passaporte

Por , em 21.04.2014

Os cirurgiões plásticos sul-coreanos, ao que parece, são muito bons no que fazem. No entanto, são até bons demais para os funcionários de aeroportos da Ásia.

Isso porque cada vez mais cidadãos de países vizinhos, como a China ou o Japão, visitam a Coreia do Sul com o objetivo de se submeterem a cirurgias plásticas. Porém, quando esses viajantes estão prestes a voltar para casa, eles podem enfrentar um problema inesperado: a fotografia do passaporte.

De acordo com os websites coreanos “Onboa” e “Munhwa”, alguns hospitais coreanos estão emitindo agora um “certificado de cirurgia plástica”, a pedido dos visitantes estrangeiros. Como todos nós sabemos, os funcionários que trabalham na segurança dos aeroportos são muito rigorosos quando o assunto é a pessoa se parecer com a foto que aparece no seu documento de identificação. Estes certificados podem, supostamente, ajudar a tornar a passagem pela imigração um processo mais tranquilo para todos e acabar com a necessidade de os funcionários do aeroporto entrarem em contato com o hospital para confirmar os procedimentos realizados no turista em questão.

Os certificados incluem o número do passaporte do paciente, a duração da sua estadia, o nome e a localização do hospital, bem como o selo oficial do hospital para oficializar o documento. Os viajantes podem mostrar os formulários para os funcionários da imigração em sua viagem de volta para casa.

Esta prática de emissão de certificados de cirurgia plástica teve início aproximadamente três anos atrás, mas aumentou significativamente nos últimos meses com o número crescente de visitantes que tem viajado até a Coreia do Sul para melhorar o visual por meio de operação.

A maioria dos pacientes é de classe média alta ou alta e vive nas grandes metrópoles em expansão da China. Chen Shui, de 36 anos, é uma paciente da cidade de Chengdu e conta que, apesar de décadas da ênfase socialista na igualdade de gênero, as mulheres ainda enfrentam discriminação na sociedade, principalmente as jovens solteiras, com seus vinte e tantos anos, que são chamadas de “shengnu” ou “mulheres que sobraram”. No local de trabalho, Shui alega que os empregadores buscam mulheres jovens e atraentes.

Segundo Shui, a popularidade de celebridades como Angelababy – modelo, atriz e cantora de Hong Kong que, segundo rumores, teria passado por uma reformulação total no rosto na Coreia e agora goza de “status de deusa” na China – está ajudando a liberalização da sociedade.

Recentemente, o jornal local “The Korea Times” informou que o aumento do turismo médico de pacientes chineses na Coreia também tem sido o resultado da falta de confiança dos locais nos próprios médicos chineses. “É a mistura da desconfiança em relação ao sistema de saúde chinês com o fator psicológico”, explica o cirurgião plástico sul-coreano Park Byong-Choon. “Pais chineses vêm para a Coreia até mesmo para a realização do parto. A morte de uma jovem cantora na mesa de um cirurgião chinês há alguns anos fez as pessoas pensarem duas vezes antes de passar por uma operação dessas em casa”, completa.

Na China, clínicas de estética não são de propriedade dos médicos, e sim de empresários licenciados que pagam os médicos. De acordo com Park, mesmo os bons médicos não são páreos para o marketing de massa e é difícil saber quem é quem em um mercado tão saturado. “Além disso, existem cirurgiões inescrupulosos em busca unicamente de maximizar os lucros. Com tantos resultados de cirurgias mal-feitas, os pacientes acham que é melhor ir direito para a Coreia, mesmo que isso signifique ter que acabar pagando mais. Nem mesmo o Partido Comunista Chinês consegue controlar esse fluxo”.

Segundo o site “Onbao”, o número de turistas que foram à Coreia do Sul com objetivos médicos em 2011 foi de 2.545 pessoas. No ano passado, após apenas dois anos, esse número já aumentou dez vezes, para 25.176 visitantes. [Kotaku e Korea Times]

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