Conheça o estranho “paradoxo da obesidade”

Por , em 3.01.2013

Normalmente, quando se fala em obesidade, uma das coisas que pensamos imediatamente é “problemas de saúde”. Não foi o que descobriu um estudo recente.

Fazendo uma revisão de 97 estudos que relacionam peso e risco de mortalidade, a Dra. Katherine Flegal e sua equipe confirmaram que a obesidade estava ligada a um risco de morrer 18% maior, e a obesidade severa aumentava este risco para 29%.

A surpresa veio com os dados de mortalidade das pessoas com sobrepeso – seu IMC é maior que o de uma pessoa considerada com peso normal, e menor que o obeso e o obeso severo. Para quem tinha sobrepeso, o risco de morrer era 6% menor do que para uma pessoa normal, e para quem era obeso leve, o risco de morrer era 5% menor.

Ainda é cedo para aposentar a dieta, entretanto. O estudo simplesmente aponta uma pequena diferença percentual, e não explica qual o motivo. Para o Dr. Steven Heymsfield, que participou do estudo, uma das coisas que explicaria esta diferença seriam pessoas que pelo IMC estão na classe de sobrepeso, mas que têm mais músculos do que gordura.

Para a nova análise, os pesquisadores usaram dados de outros estudos e classificaram os riscos de acordo com as categorias tradicionais de IMC, aceitas pela Organização Mundial da Saúde e pelo Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos: IMC entre 18,5 e 24,9 é considerado normal, entre 25 e 29,9 é sobrepeso, e 30 ou maior é obeso. A categoria de obesos foi subdividida em obeso grau 1 para IMC entre 30 e 34,9, e obeso grau 2 ou 3 para IMC acima de 35.

O resultado da pesquisa, que combinou informações sobre cerca de 2,9 milhões de pessoas e 270.000 mortes, reacende antigas polêmicas sobre o IMC, como a classificação de sobrepeso como “não saudável” ou arriscado.

Outros fatores que não apareceram no estudo devem ser mais importantes, como pressão arterial e colesterol. E para quem está na categoria de sobrepeso ou obesidade leve, é importante controlar o peso, porque se ganharem um pouco, entram para a categoria de obesos, com seu risco de morte aumentado. [Reuters, Zero Hora]

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4 comentários

  • Antonio Carlos Valença de Oliveira Motta:

    Ainda tendemos a pré avaliar a condição de saúde de um indivíduo pelo exame visual. NADA mais errôneo e empírico. Exames laboratoriais e físicos é que determinam como anda a nossa saúde. São as referências mais científicas que temos. O numero de vezes que adoecemos no ano também deve ser quantificado. Afinal, conheço várias pessoas com sobrepeso que quase nunca adoecem, tem exames com taxas normais e caminham todos os dias.

  • Lucas Noetzold:

    Músculos pesam mais que gordura, então o IMC (índice de massa corporal correto?) não demonstra necessariamente obesidade.

    • Cristiano M. G.:

      Na verdade o músculo ocupa menos espaço que a gordura, ou seja, a questão é sobre o volume, não sobre o peso. Afinal 1 kg de ferro pesa o mesmo que 1 kg de penas de galinha…
      Mas você está correto em relação ao IMC. Realmente é um atraso adotarem um índice tão simplista, que apenas correlaciona peso x altura. Por este índice, um atleta olímpico que tenha 93 kg e 1,80 m estaria em sobrepeso, caminhando para a obesidade.

    • Tiago Vicença:

      IMC não é apenas uma das formas de se avaliar a obesidade. Sim, é um método simples, porém no caso deste ser o utilizado para avaliar um atleta, o profissional que o faz com toda certeza usará seus conhecimentos bem como o bom senso para diferenciar gordura de massa magra, perceptível a olho nu.

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