Estranha estrela giratória pode ser o “elo perdido” das pulsares

Por , em 30.09.2013

Segundo cientistas, uma estrela desconcertante de rápida rotação poderia ser o “elo perdido” de um mistério de longa data envolvendo um pulsar (estrela de nêutron muito pequena e densa).

O remanescente estelar do tamanho de uma cidade nascido da morte explosiva de uma estrela maior, localizado a cerca de 18 mil anos-luz da Terra, tinha a capacidade nunca antes observada de mudar de um tipo de pulsar para outro e depois voltar a ter suas características iniciais.

Os pulsares são estrelas de nêutrons que giram rapidamente e possuem variedades diferentes, mas os cientistas não eram capazes de encontrar a relação entre dois tipos diferentes até agora.

“Esta foi a primeira vez em que pudemos ver tanto raios-X quanto pulsos de rádio extremamente rápidos vindos de um pulsar”, conta Simon Johnston, diretor de astrofísica da divisão de astronomia e ciência espacial da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth (Comunidade Britânica) [a CSIRO, na sigla em inglês], sediada em Sydney, Austrália. “Agora, temos evidências diretas de um pulsar que muda de um tipo de objeto para outro – como uma lagarta se transformando em uma borboleta”.

Os cientistas descobriram que o pulsar (chamado pela comunidade científica de PSR J1824 – 2452I) expele raios-X ou pulsos de rádio dependendo da quantidade de matéria que sua estrela companheira está lançando em sua direção em um determinado momento.

A estrela companheira, que tem apenas cerca de um quinto da massa do sol, às vezes atinge o pulsar com fluxos de matéria em alta velocidade. Os cientistas descobriram que o campo magnético do pulsar pode proteger a estrela do ataque de material estelar, mas também, de vez em quando, é sobrecarregado pela intensidade dos fluxos.

Quando o campo magnético não consegue impedir que a matéria atinja a superfície do pulsar, a estrela de rápida rotação libera jatos de raios-X. Por fim, o campo magnético do pulsar começa a proteger a estrela mais uma vez, após ela ter se acalmado.

“Nós demos a sorte de ver todas as fases deste processo com uma série de telescópios terrestres e espaciais”, relata Alessandro Papitto, astrônomo e autor de um estudo detalhando as novas descobertas na revista Nature. “Estamos procurando por estas provas há mais de uma década”.

Originalmente, os cientistas pensavam que os pulsares, em sistemas binários, lentamente acrescentavam o material expelido por suas estrelas companheiras, fazendo com que, aos poucos, se transformasse no que é conhecido como um pulsar de milissegundo: uma estrela de nêutrons que emite ondas de rádio, enquanto gira centenas de vezes a cada segundo.

No entanto, esta nova descoberta mostra que este pode ser um processo que acontece de uma hora para a outra, dependendo de quando a matéria vinda da estrela companheira atinge o pulsar.

“É como um adolescente que alterna seu comportamento entre atitudes de uma criança e de um adulto”, compara John Sarkissian, que observou o sistema com o radiotelescópio Parkes, da CSIRO, no leste da Austrália. “Curiosamente, as oscilações do pulsar entre este dois estados acontecem em questão de semanas”, completa. [Live Science]

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