Genes zumbis: pedaços de DNA inativos podem “voltar à vida” e causar doenças

Por , em 25.08.2010

Geneticistas descobriram recentemente que os genes não-codificantes – alguns dos muitos do genoma humano – podem “ressuscitar dos mortos”. E quando eles fazem isso, podem causar problemas, inclusive uma das formas mais comuns de distrofia muscular.

Um tipo de distrofia muscular, conhecida por ser genética, é hereditária de uma forma bastante simples – afeta cada pessoa que herda o gene. Porém, sua causa não era bem compreendida até que um estudo descreveu como um pedaço de DNA “inútil” (“não-codificante” é o termo politicamente correto), que os cientistas pensavam estar desativado, pode simplesmente voltar à vida, causando sérios problemas em alguns casos.

Há décadas os investigadores localizaram a região do genoma onde surge o problema, um lugar onde o gene “zumbi” se repetia várias vezes, mas sua transcrição estava com defeito por falta de uma secção específica da sequência. Porque faltava este código, os investigadores pensaram que ele havia sido extinto. Porém, parece que uma mutação pode adicionar essa sequência de volta à mistura do genoma, fazendo com que o gene ressuscite e afete os músculos do rosto, ombros e braços.

A descoberta é preocupante, pois ninguém gosta de pensar que qualquer um dos muitos genes inúteis no seu corpo possa subir da sua sepultura genética para desencadear algum tipo de doença. Mas a percepção desse mecanismo também abre as portas para estudos de como tratar essas doenças.

Se os genes “zumbis” podem causar distrofia muscular, pode haver outras doenças ainda incuráveis que são causa de mecanismos semelhantes. Mais estudos na área podem encontrar soluções. No caso da distrofia, os pesquisadores devem encontrar uma maneira de se certificar que o gene permaneça morto. [POPSCI]

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