Essa simples atitude pode salvar seu relacionamento

Por , em 30.09.2019
Foto de Erik Maciosek

Leia as afirmações a seguir: “Em geral, o sacrifício é um componente necessário dos relacionamentos íntimos” e “É normal fazer sacrifícios em relacionamentos íntimos”?

Um dos pontos positivos de ter um relacionamento romântico é ter uma pessoa que possa apoiar e ajudar quando quando precisamos. Em bons relacionamentos, os parceiros se ajudam mutuamente, apoiam o outro quando ele está estressado ou triste e conciliam as necessidades um do outro fazendo sacrifícios ou se comprometendo. Se você espera este tipo de atitude do seu parceiro, não está só. E se você não pudesse contar com seu companheiro para ajudar quando precisa, o que isso quer dizer?

No entanto essas expectativas podem ser um tiro pela culatra. Esperar que sua parceira desfaça seus planos de sairem com os amigos porque você voltou de viagem e está cansado demais para fazer qualquer coisa além de cobertor e Netflix, provavelmente quer dizer que você estaria em um relacionamento em que vocês se apoiam e sacrificam um para o outro. Porém, de acordo com novas pesquisas, isso também quer dizer que há menor probabilidade que você seja grato pelo sacrifício do seu companheiro e, por isso, poderia ficar menos feliz com o seu relacionamento. Uma equipe de cientistas que pesquisam relacionamentos na Holanda observou 126 casais durante 8 dias. Todos os dias cada parceiro relatava todos os sacrifícios que teriam feito (desistido de algo que queriam para acomodar o parceiro), relatavam também seu grau de gratidão pelo parceiro, o grau de respeito ao parceiro e o quão satisfeitos estavam com o relacionamento. Todos os voluntários também responderam quatro perguntas sobre quais seriam suas expectativas de sacrifício, inclusas as duas que citamos no início deste artigo (as demais eram: “As pessoas precisam se sacrificar para preservar um relacionamento saudável” e “Espero que meu parceiro se sacrifique em nossa relação”).

Quando os pesquisadores analisaram os dados de como as expectativas transformavam as reações aos sacrifícios, observaram que as pessoas sentiam mais gratidão, respeitavam mais seus parceiros e eram mais satisfeitas com seus relacionamentos naqueles dias em que observavam que seus companheiros haviam se sacrificado por elas. Mas sentiam isso muito mais intensamente se elas tinham baixas expectativas relativas ao sacrifício do outro. As pessoas que tinham expectativas fortes de sacrifício se comoviam muito menos com o sacrifício e não demonstraram maior intensidade na gratidão, satisfação ou no respeito nos dias que percebiam que seu parceiro teria se sacrificado por eles ao comparar aos dias sem sacrifício.

No fim das contas pensar que temos que ser apoiados por nossos parceiros nos torna complacentes. E quando recebemos apoio consideramos que é nada mais que a obrigação de nosso parceiro. Não sentimos muita gratidão por isso.

O que fazer? É difícil não ter expectativa de comportamentos que ocorrem com frequência. Somos seres muito adaptáveis. Por essa razão temos que nos habituar a agradecer quando nossos parceiros se sacrificam por nós, mesmos nas pequenas coisas como lavar uma louça ou deixar a sua escova de dentes já com creme dental na pia do banheiro. Essa ausência de demonstração de gratidão pode levar que sua parceira ou parceiro não se sinta tão animada a se sacrificar por você no futuro.

Outra sugestão: tente abordar o assunto das expectativas de apoio e sacrifício com seu parceiro – neste trabalho, os cientistas encontraram uma correlação fraquíssima entre as expectativas dos parceiros (r = 0,11). Isso quer dizer que você pode estar esperando sacrifícios do seu companheiro enquanto ele não tem essa expectativa. Pode ser útil esclarecer as coisas! Que tal puxar a conversa mandando este link? E se você não se sentir valorizado por não receber gratidão pelos seus sacrifícios como pensa que merece tenha em mente que seu parceiro pode ter as mesmas expectativas. [Psychology Today]

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (24 votos, média: 4,71 de 5)

Deixe seu comentário!