Mais de 1.200 novas espécies são descobertas em Moçambique

Por , em 19.06.2013
Sapo árvore (Leptopeles flavomaculatus), uma das 33 espécies de sapos descobertas

Sapo árvore (Leptopeles flavomaculatus), uma das 33 espécies de sapos descobertas

Uma equipe de 15 cientistas viajou para um lugar remoto e inexplorado do globo e encontrou exatamente o que esperava: muitas espécies novas e interessantes.

Liderados por Piotr Naskrecki, os pesquisadores passaram três semanas no Planalto de Cheringoma do Parque Nacional da Gorongosa, no Moçambique. A missão dos cientistas era coletar e registrar informações sobre as espécies da região para ajudar os gestores do parque a entender e proteger a biodiversidade de Gorongosa.

A expedição pelas falésias, cavernas profundas, mata ciliar exuberante dos rios e desfiladeiros da região resultou na descoberta de mais de 1.200 espécies (até agora), incluindo 182 aves, 54 mamíferos, 47 répteis, 33 sapos, mais de 100 espécies de formigas e 320 espécies de plantas.

Algumas das espécies notáveis descobertas pelos cientistas foram o “morcego Chewbacca”, nomeado em homenagem ao personagem de Star Wars, um sapo estranho que mora em cavernas que é possivelmente novo para a ciência, uma formiga incapaz de andar em superfícies planas, um besouro bombardeiro que se defende produzindo pequenas explosões em seu abdômen, e vários gafanhotos.

Morcego Chewbacca (Triaenops persicus)

Morcego Chewbacca (Triaenops persicus)

Os cientistas usaram uma variedade de métodos para coletar os animais, incluindo armadilhas, redes, arapucas de feromônio, câmeras remotas e detectores de ultrassom. Eles exploraram território desconhecido em Gorongosa, descendo em cavernas de calcário em desfiladeiros profundos, e subindo as copas altas das árvores, utilizando avançadas técnicas de escalada e rapel.

Este foi o primeiro levantamento da biodiversidade global na história deste área protegida, e seus resultados vão ajudar a orientar o esforço de restauração para reverter a perda de biodiversidade sofrida pelo parque durante os conflitos armados que assolaram Moçambique de 1975 a 1992.

Ao entender que espécies existem em Gorongosa, a gestão do parque pode tomar as melhores decisões sobre como protegê-las. Será montado um laboratório de ciência moderna dentro do parque em breve, onde os espécimes coletados serão investigados. As informações contribuirão para o banco de dados da biodiversidade do parque, uma ferramenta que ajuda a gerenciar e proteger seus recursos naturais.[NationalGeography]

Pesquisadora Jennifer Guyton liberando espécies coletadas para estudo

Pesquisadora Jennifer Guyton liberando espécies coletadas para estudo

Nova formiga (Melissotarsus emeryi) descoberta, incapaz de andar em superfícies planas. Esta espécie vive dentro da passagem estreita no fundo da madeira de árvores e só pode mover-se empurrando suas pernas curtas abaixo e acima do corpo ao mesmo tempo

Nova formiga (Melissotarsus emeryi) descoberta, incapaz de andar em superfícies planas. Esta espécie vive dentro da passagem estreita no fundo da madeira de árvores e só pode mover-se empurrando suas pernas curtas abaixo e acima do corpo ao mesmo tempo

Besouro bombardeiro (Cerapterus dilacera)

Besouro bombardeiro (Cerapterus dilacera)

Nhagutua, desfiladeiro inexplorado

Nhagutua, desfiladeiro inexplorado

Acauloplax exigua, uma espécie encontrada pela primeira vez mais de 100 anos desde que foi originalmente descrita

Acauloplax exigua, uma espécie encontrada pela primeira vez mais de 100 anos desde que foi originalmente descrita

Camaleão Chamaeleo dilepis

Camaleão Chamaeleo dilepis

Idolomorpha dentifrons

Idolomorpha dentifrons

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7 comentários

  • Sérgio Moreira:

    Como Noé se lembrou de colocar todos eles na Arca!?

    • Jonatas:

      O problema deve ter sido distribuir depois… ursos polares pro polo norte, pinguins pro sul, onças atravessarem o atlântico… etc

    • Cesar Grossmann:

      O curioso é que alguns diluvistas apelam para a Evolução para explicar isso. Segundo alguns deles (e eles são todos criacionistas, é bom lembrar), os animais que saíram da Arca tinham a evolução potencializada dentro de si, ou seja, eram “ancestrais” dos animais que hoje existem nestes lugares, e que passaram por um período de rápida diversificação graças a este poder.

      Como observou um biólogo em visita ao Museu da Criação nos Estados Unidos, eles “invocam a Evolução das Espécies, mas com mágica para explicar como aconteceu”.

  • Jonatas:

    A formiga é um animal fantástico, altamente adaptado e moldado pelo seu meio ambiente. Formidável, ou melhor, formigável. 😀

  • Abel Zandamela:

    certas aventuras tornam a vida mais interessante e bela de ser vivida deve ser exactamente por isso que eles se aventuraram

  • grasisuperstar:

    O que será que motiva esses cientistas biólogos a escarafunchá essas matas perigosas pra descobrir novas espécies?
    Gosto pela aventura? amor a ciência? ou são meio suicidas..
    Eu jamais me embrenharia num lugar inexplorado atrás de sapos e morcegos …Deus me livre

    • Cesar Grossmann:

      Com certeza é amor pelo que fazem, por que nenhum deles fica rico fazendo isso…

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