O cérebro dos mentirosos

Por , em 4.02.2015

Todo mundo mente; faz parte da natureza humana. Grande parte do tempo, nós somos mentirosos para poupar os sentimentos de alguém. Dizemos coisas como: “Não, está tudo bem, eu amo sair com seus amigos, eles são ótimos!”, ou algo como: “Oh, seu bebê é tão adorável e inteligente!”. Nossas intenções são geralmente boas, nestes casos, e sem a capacidade de mentir, viver em sociedade seria muito mais difícil.

Mas sabemos quando estamos fazendo isso, e podemos controlar estes impulsos. Mentirosos patológicos, por outro lado, o fazem sem uma boa razão, mesmo sem perceber que estão fazendo.

E os seus cérebros são diferentes dos cérebros dos outros seres humanos.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA, deu uma olhada em uma amostra de pessoas aleatórias. Após uma série de testes de personalidade, 12 pessoas foram classificadas como mentirosos habituais, 16 poderiam ser descritas como tendo personalidades antissociais sem serem mentirosas regulares, e 21 foram consideradas “normais”. Uma vez que estavam em um grupo, os participantes fizeram exames de ressonância magnética a fim de determinar se havia uma diferença na forma como seus cérebros eram conectados.

Os cérebros dos mentirosos patológicos se apresentaram 25% mais brancos em seus lobos pré-frontais quando comparados com o grupo antissocial. Em comparação com o grupo de controle – o “normal” -, eles eram cerca de 22% mais brancos.

Com a massa cinzenta foi ao contrário: os mentirosos patológicos tinham cerca de 14% menos massa do que o grupo normal.

As implicações são duas. A grande quantidade de substância branca dá aos mentirosos regulares a capacidade de criar histórias muito, muito rapidamente, tão rapidamente que é difícil dizer se eles estão mentindo ou dizendo a verdade. Também lhes dá mais poder para avaliar as respostas e reações das pessoas com quem estão falando, para ver se a mentira está funcionando e fazer os ajustes necessários.

A matéria cinzenta reduzida também é muito importante, pois é a massa cinzenta dos lobos pré-frontais que ajuda a governar as escolhas que fazemos. É o nosso centro de moral, e com a matéria cinzenta reduzida, os pesquisadores sugerem que os cérebros dos mentirosos patológicos não só são equipados para criar contos e histórias, mas também para não ver nada moralmente errado em suas mentiras constantes.

Mesmo sabendo que há também um número de outros fatores que são responsáveis pela presença da mentira patológica como parte da personalidade de uma pessoa, o que não está claro para os pesquisadores é o que vem em primeiro lugar. Eles não sabem se os mentirosos de alguma forma treinam o cérebro e aumentam o crescimento em algumas áreas e a diminuição de outras, ou se algumas pessoas já nascem com cérebros que incentivam as mentiras.

Os pesquisadores levaram a ideia um passo adiante ao analisar os cérebros de pessoas que tinham sido diagnosticadas com autismo. Estudos anteriores demonstraram que as pessoas com autismo têm dificuldade em criar e dizer mentiras, e parte da diferença em seus cérebros é justamente o crescimento lento da substância branca. [Knowledge Nuts]

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