Mundo corporativo: salve-se de você mesmo! Diga não!

Por , em 10.05.2015

ENGRENAGENS DO MUNDO CORPORATIVO

Vamos tomar como exemplo a história de um profissional de uma grande corporação.

Este executivo é eficiente e eficaz. Trabalha de forma incansável. Ele é honesto (sim, existem executivos honestos) cumpre com precisão todas as suas obrigações.

O que ele ganha ao final de um projeto como prêmio à sua dedicação?

Adivinhem.

Ganha mais trabalho.

Então o que ele faz?

Trabalha mais. Continua competente, continua com a mesma eficiência e eficácia.

O que ganha com isso?

Mais trabalho.

Deixa a família em segundo plano, abandona os amigos, já não tem uma vida de relação, não consegue atualizar-se pois dedica-se integralmente ao seu trabalho.

O que ganha com isso?

– Mais trabalho.

HOMENS E LARANJAS

Essa corporação em particular tem uma fórmula interessante de administrar a mão de obra. Colhe um profissional no mercado de trabalho como quem colhe uma laranja no pomar. Traz este profissional para as insensíveis engrenagens de seu dia a dia corporativo e o espreme. Espreme. Até arrancar a última gota. E quanto não restar mais nada descarta essa casca vazia sem o menor constrangimento.

Afinal os pomares estão cheios de laranjas maduras ansiosas para serem espremidas.

Vocês conhecem um mundo corporativo assim?

Não quero fazer aqui uma apologia à indisciplina nos meios corporativos, quero apenas convidá-los a realizar comigo uma reflexão:

Os aspectos materiais da vida, como por exemplo o trabalho, são a própria vida, ou fazem parte dela?

Será que nossa dimensão profissional há de tomar conta de toda a nossa vida e como um chama insaciável há de consumir todo o resto.

Aprendi que o trabalho, assim como os aspectos econômicos e financeiros, fazem parte da vida —  sem dúvida um parte importante — mas, será que constituem toda a vida?

A vida é simplesmente trabalhar-para-conseguir-dinheiro-para-comprar-coisas?

Algo como uma árvore na qual cresce apenas um dos ramos?

E todos nós sabemos como termina essa triste história.

Termina em desemprego, porque chegará o dia em que ele atingirá o limite de sua competência.

MEA CULPA

E quem é o culpado?

O modo de produção selvagem que valoriza apenas o capital? E produtividade é um termo polido para praticar-se a exploração?

Pode ser.

Porém, eu prefiro fazer o mea culpa e entender que sempre eu posso dizer não.  Afinal, sou obrigado a trabalhar onde me exploram o tempo todo?

Eu já fiz isso. Pedi a demissão de uma grande empresa e saí da área de ação de suas engrenagens.

Evidentemente isso me custou o bom salário que eu recebia.

Mas depois de algum tempo – descontado os impostos – eu percebi que não ganhava tanto assim.

Hoje ficou óbvio que ao dizer não a esse modus operandi eu estava, no fundo, me salvando de mim mesmo.

É preciso construir esse equilíbrio entre o ter e o ser.

Principalmente nesses dias turbulentos tomados pelo pessimismo e pela histeria de que tudo está irremediavelmente errado.

É evidente que precisamos de abrigo, roupa, alimentos, educação, lazer, etc. e tudo isso custa dinheiro.

Mas até que ponto a necessidade e a vontade estão em harmonia?

CUMBUCAS PÓS-MODERNAS

Já contei aqui a metáfora escrita por Louis Powels de como as antigas tribos humanas caçavam macacos na floresta.

Amarravam nos galhos mais altos das árvores, cumbucas contendo guloseimas.

Os macaquinhos não resistiam à tentação daquelas prendas.

Ao cerrarem os punhos dentro das cumbucas, a boca estreita do recipiente, não permitia a retirada de suas mãos e ficavam então aprisionados. O instinto não lhes permitia abrir as mãos. Daí vem a expressão: – macaco velho não põe a mão em cumbuca.

O que esta história quer simbolizar?

É que ao fechar os punhos dentro de suas armadilhas aquelas criaturas se tornaram prisioneiras de seus pertences.

Será que existem muitas cumbucas psicológicas espalhadas naquelas árvores onde crescem um ramo só?

Artigo de Mustafá Ali Kanso 

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[Leia os outros artigos  de Mustafá Ali Kanso  publicado semanalmente aqui no Hypescience. Comente também no FACEBOOK – Mustafá Ibn Ali Kanso ]

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LEIA A SINOPSE DO LIVRO A COR DA TEMPESTADE DE Mustafá Ali Kanso

[O LIVRO ENCONTRA-SE À VENDA NAS LIVRARIAS CURITIBA E SPACE CASTLE BOOKSTORE].

Ciência, ficção científica, valores morais, história e uma dose generosa de romantismo – eis a receita de sucesso de A Cor da Tempestade.

Trata-se de uma coletânea de contos do escritor e professor paranaense Mustafá Ali Kanso (premiado em 2004 com o primeiro lugar pelo conto “Propriedade Intelectual” e o sexto lugar pelo conto “A Teoria” (Singularis Verita) no II Concurso Nacional de Contos promovido pela revista Scarium).

Publicado em 2011 pela Editora Multifoco, A Cor da Tempestade já está em sua 2ª edição – tendo sido a obra mais vendida no MEGACON 2014 (encontro da comunidade nerd, geek, otaku, de ficção científica, fantasia e terror fantástico) ocorrido em 5 de julho, na cidade de Curitiba.

Entre os contos publicados nessa coletânea destacam-se: “Herdeiro dos Ventos” e “Uma carta para Guinevere” que juntamente com obras de Clarice Lispector foram, em 2010, tópicos de abordagem literária do tema “Love and its Disorders” no “4th International Congress of Fundamental Psychopathology.”

Prefaciada pelo renomado escritor e cineasta brasileiro André Carneiro, esta obra não é apenas fruto da imaginação fértil do autor, trata-se também de uma mostra do ser humano em suas várias faces; uma viagem que permeia dois mundos surreais e desconhecidos – aquele que há dentro e o que há fora de nós.

Em sua obra, Mustafá Ali Kanso contempla o leitor com uma literatura de linguagem simples e acessível a todos os públicos.

É possível sentir-se como um espectador numa sala reservada, testemunha ocular de algo maravilhoso e até mesmo uma personagem parte do enredo.

A ficção mistura-se com a realidade rotineira de modo que o improvável parece perfeitamente possível.

Ao leitor um conselho: ao abrir as páginas deste livro, esteja atento a todo e qualquer detalhe; você irá se surpreender ao descobrir o significado da cor da tempestade.

[Sinopse escrita por Núrya Ramos  em seu blogue Oráculo de Cassandra]

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