Músico consegue tocar piano com prótese robótica

Por , em 12.12.2017

Pesquisadores do Georgia Institute of Technology, nos EUA, criaram um novo tipo de prótese que conta com movimentos individuais dos dedos. O avanço é tão significativo que um músico amador que usa a prótese consegue tocar piano. Embora os avanços com próteses sejam incríveis nos últimos anos, o controle motor fino ainda é algo muito distante da maioria dos usuários.

A parte mais incrível da nova prótese é que ela não depende de sensores no cérebro. A prótese se comunica diretamente com os músculos. A tecnologia baseia-se no ultra-som e em um algoritmo que traduz as contrações musculares nos movimentos dos dedos com base no que a pessoa está tentando fazer.

Isso é possível porque alguns dos movimentos dos nossos dedos são controlados por músculos que vão até o cotovelo. A equipe da Georgia Tech está animada com a eficiência do movimento dos dedos e acredita que a tecnologia de ultra-som pode ser capaz de fazer outras atividades motoras finas.

Essa prótese de braço também funciona como equipamento para fazer tatuagem

“Se esse tipo de braço pode trabalhar com música, algo tão sutil e expressivo quanto tocar piano, esta tecnologia também pode ser usada para muitos outros tipos de atividades motoras finas, como banho, higiene e alimentação”, diz o roboticista Gil Weinberg, do Georgia Tech, acrescentando que a tecnologia poderia ser inversa também: as pessoas talvez possam controlar remotamente braços robóticos simplesmente movendo os dedos.

Histórico de evolução

Cinco anos atrás, o aspirante a músico Jason Barnes foi eletrocutado por linhas de alta tensão enquanto limpava o telhado do restaurante em que trabalhava. Barnes sobreviveu, mas perdeu o braço direito logo abaixo do cotovelo.

Isso não o impediu de continuar na música. Barnes, que é baterista, deu um jeito de acoplar uma baqueta em seu braço e continuou praticando, a ponto de ganhar uma vaga no Atlanta Institute of Music. Usando uma prótese básica de bateria que ele mesmo projetou, ele continuou tocando. Foi aí que ele entrou em contato com Gil Weinberg, que construiu uma prótese robótica com duas baquetas para ele.

Uma dos baquetas Barnes pode controlar com seus próprios músculos do braço através de sensores de eletromiografia (EMG), que enviam os impulsos entre o braço e a prótese. Além disso, a prótese tem diferentes modos que podem ser trocados por ele ao apertar um botão – tecnologia comum em muitas próteses disponíveis hoje em dia.

Esses assustadores músculos artificiais em um esqueleto humano são o futuro da robótica

Mas a revolução que Weinberg começou a fazer em sua vida está na baqueta adicional. Ela “improvisa” com base na música que está sendo tocada. “A segunda baqueta tem uma mente própria”, explicou Weinberg em 2014. “O baterista se torna essencialmente um cyborg. É interessante vê-lo tocando e improvisando com a parte de seu braço que ele não controla totalmente”.

Veja duas de suas performances de bateria no vídeo abaixo:

Agora, com a nova prótese que o permite mexer os dedos, Barnes tem toda uma nova gama de experimentações de movimentos para fazer. “É completamente surpreendente”, diz Barnes. “Este novo braço me permite fazer qualquer tipo de pressão que eu queira, sem mudar de modo ou pressionar um botão. Nunca pensei que seria capaz de fazer isso”, se alegra.

No vídeo abaixo, ele toca piano no Georgia Tech (Science Alert):

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