Nós podemos chegar em outro sistema estelar usando uma nave como essa

Por , em 8.05.2018

Se já não é fácil viajar nem mesmo dentro do nosso sistema solar, imagina alcançar um planeta orbitando outra estrela.

Proxima b, o exoplaneta mais próximo de nós, fica a quase 40 trilhões de quilômetros de distância. Mesmo com nossas naves espaciais atuais mais velozes, levaríamos centenas de milhares de anos para chegar lá.

Assumindo que não conseguiremos distorcer o espaço-tempo (é bastante improvável, mas dedos cruzados!), ainda que nossa tecnologia de viagem espacial melhorasse bastante, passaríamos pelo menos duzentos anos cruzando o espaço, no melhor dos cenários.

Isso, é lógico, levanta outro problema: humanos não vivem tanto tempo. Uma forma de resolver essa questão é viajar na chamada “nave geracional”: uma espaçonave equipada para apoiar uma comunidade de adultos e seus filhos (e os filhos de seus filhos…) até que a humanidade finalmente alcance uma nova costa celestial.

Para uma nave geracional funcionar, precisaríamos de várias coisas, como:

Planejamento de carreira

Gerações sucessivas precisariam preencher as funções vitais para o bom funcionamento da nave e sua tripulação, como médicos e mecânicos. Uma versão dos testes de carreira modernos atribuiria ocupações com base em aptidões, paixões e empregos disponíveis.

Propulsão

Nós vamos precisar de uma propulsão poderosa para tal nave gigantesca se locomover. Até agora, ninguém teve uma ideia melhor do que Freeman Dyson: bombas na traseira da nave para nos empurrar para a frente com constantes explosões nucleares. Existem desafios de segurança para tal tecnologia, no entanto.

Gestão de resíduos

Um ser humano saudável precisa de mais de mil litros de água por ano. Como não dá para parar em conveniências no espaço, precisamos ter um sistema capaz de recuperar cada gota que usamos. A Estação Espacial Internacional, por exemplo, já tem um sistema para reciclar o xixi dos astronautas, tornando esse resíduo em água potável.

Jardim zoológico

Evidências científicas sugerem que um pequeno zoológico de animais poderia ajudar nosso sistema imunológico. Crianças que rolam na grama de pastoreio, por exemplo, podem desenvolver menos alergias. Além disso, amigos peludos são ótimos para a saúde mental.

População na casa das centenas

Um estudo estimou que uma equipe inicial de 160 pessoas poderia manter uma população viável por 200 anos, desde que fosse um grupo diversificado. Variedade genética é crucial para evitar problemas e doenças. Não é desejável que existam dois passageiros mais próximos do que primos de sexto ou sétimo grau.

Enfermaria

Uma espaçonave pode ter quase nenhuma bactéria, ou pelo menos um conjunto diferente dos micróbios terrestres com que estamos acostumados. Nosso sistema imunológico pode enfraquecer ou se esquecer de como combater patógenos terrestres.

Namoro controlado

Para evitar as armadilhas da endogamia, um geneticista terá que regular a reprodução. Talvez romance e paternidade precisem ser dissociados. Por exemplo, as pessoas poderiam escolher seus cônjuges, mas usar fertilização in vitro para fazer bebês com parceiros ideais.

Blindagem

O campo magnético da Terra nos protege da radiação espacial que pode danificar nosso DNA. O espaço profundo é mais radioativo que a órbita terrestre baixa, por isso precisamos de blindagens mais fortes do que as nossas naves atuais possuem. Um campo de força seria bom, ou então podemos utilizar asteroides como revestimento protetor.

Plano de chegada

Podemos não saber muito sobre Proxima b quando decolarmos. A equipe da nave precisa estar preparada com um pouco de tudo: equipamentos de mineração para terraformação, armas para nos proteger de formas de vida hostis, além de ferramentas para construir novas casas.

Pessoas congeladas

A tripulação de uma nave geracional pode viver em um sistema fechado por dois séculos, mas para realmente iniciar uma população saudável em um novo mundo, estima-se que 20.000 indivíduos sejam necessários. Uma possibilidade para economizar espaço é levar pessoas e embriões congelados para diversificar a genética na chegada.

Plantações

Dois séculos de comida congelada não seriam nada bons para a saúde, então seria preciso cultivar alimentos à medida que a nave avança. A NASA já está trabalhando em habitats para cultivar plantas no espaço, bem como um sistema que transforma fezes em fertilizante para o cultivo de mingau de aveia rico em proteínas.

Robôs autopropagáveis

E se chegarmos em Proxima b e o planeta não for nada do que esperamos? Poderíamos melhorar nossas apostas enviando robôs autorreplicantes para se espalhar pela galáxia em redes de constante expansão. Eles chegariam em vários locais antes da gente, encontrando e preparando um lar para nós. [POPSCI]

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5 comentários

  • Claudionor Campos:

    O que a grande parte do povo, de vários países, deveria fazer, no sentido de não permitir que continuem gastando nisso, seria a desobediência fiscal. Que a maioria deixasse de pagar impostos, pois estas pesquisas, perdulárias como são, somente serviriam à uma camada da sociedade muito elitizada. Seria como no filme Apocalipse, somente quem pudesse desembolsar um bilhão de dólares teria lugar na Nave Protetora.

    • Cesar Grossmann:

      Qual é o problema?

  • VALDEMIR:

    Mas aí,seres humanos vivendo dessa maneira, com tudo controlado, sem amor, reprodução em laboratório, já não seria mais um ser humano,seria uma espécie de robô biológico. Não, obrigado, eu não gostaria de viver assim.

    • Cesar Grossmann:

      Não necessariamente, Valdemir. Os casais podem se formar e se amar, só que na hora de ter filhos, vão pegar um óvulo já fertilizado e “adotar” ele. Não vejo por que não funcionaria e não transformaria as pessoas em “robôs biológicos”.

  • Marco moleque:

    Isto é que é sonhar alto.Mas precisa colocar o pé no chão e lembrar que ,por enquanto, é sonho…

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