Novas evidências apontam que Parkinson pode começar no intestino e não no cérebro

Por , em 7.12.2016

Novo estudo sugere que o nosso entendimento sobre o desenvolvimento da doença de Parkinson pode ter sido incorreto por muito tempo. O trabalho defende que a doença não está isolada ao cérebro, mas que ela pode começar no sistema digestivo.

Essa hipótese bate com um sintoma observado por pesquisadores, que notam que pacientes com Parkinson costumam se queixar de intestino preso pelo menos uma década antes dos sinais clássicos da doença se apresentarem.

A doença de Parkinson é normalmente associada com tremores, musculatura rígida e dificuldade na locomoção, tudo isso causado pela morte de neurônios. Os tratamentos disponíveis atualmente freiam o desenvolvimento da doença, mas não há cura para ela.

Ainda há muito a ser descoberto sobre a doença, e limitar os estudos ao cérebro pode deixar dados importantes de fora dessa pesquisa.

Ao analisar fibras tóxicas que se acumulam em nervos dos ratos, o novo estudo do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) confirma ligação entre o microbioma do sistema digestivo e a doença de Parkinson.

“De forma geral, esse estudo revela que a doença neurodegenerativa pode ter suas origens no intestino, e não no cérebro como se acreditava anteriormente”, diz o pesquisador principal, Sarkis Mazmanian.

Este estudo partiu de um outro trabalho anterior, que indicava que as fibras tóxicas características do Mal de Parkinson poderiam ser encontradas tanto no cérebro quanto no sistema digestivo dos pacientes.

Ratinhos em gaiolas esterilizadas e não-esterilizadas

Para analisar a ligação entre os dois órgãos, os pesquisadores da Caltech utilizaram ratos geneticamente modificados para serem mais suscetíveis à doença. Eles foram separados em dois grupos: um vivia em gaiolas comuns, não-estéreis, enquanto o outro vivia em um ambiente esterilizado.

O grupo que vivia nas gaiolas sem germes apresentou menos problemas motores e tinha menos fibras tóxicas no cérebro. Já os ratos da gaiola comum desenvolveram os sintomas de Parkinson como era o esperado.

Tratamento com antibióticos ajudou a reduzir os sintomas no grupo das gaiolas normais, sugerindo que havia algo no microbioma dos animais que estaria aumentando os sintomas.

Bactérias intestinais

Para finalizar o estudo, os pesquisadores injetaram bactérias intestinais de pacientes humanos nos ratos das gaiolas esterilizadas, e eles passaram a apresentar sintomas rapidamente. Já bactérias de pessoas sem Parkinson não causaram o mesmo efeito.

“Este foi o momento ‘eureka’, os ratos eram geneticamente iguais, a única diferença era a presença ou ausência das bactérias intestinais”, afirmou um dos pesquisadores, Timothy Sampson. “Estamos muito confiantes que as bactérias intestinais regulam, e talvez sejam até necessárias para o surgimento da doença de Parkinson”.

Uma das hipóteses dos pesquisadores é que essas bactérias estejam liberando substâncias que ativam algumas partes do cérebro, causando danos. Ainda há muito estudo a ser feito antes de entendermos o que está acontecendo, mas se esta pesquisa for verificada e replicada pela comunidade científica, pode alterar completamente a forma como encaramos o tratamento da doença.

Outros estudos já mostraram que pessoas expostas a certos pesticidas têm mais chances de desenvolver Parkinson, então é possível que essas substâncias estejam afetando as bactérias do sistema digestivo.

Os pesquisadores agora querem analisar os microbiomas das pessoas com Parkinson para tentar identificar quais micróbios parecem estar relacionados com a doença. Se eles puderem identificar a cepa de bactérias, seria possível criar uma nova forma de diagnosticar os pacientes muito antes do desenvolvimento dos sintomas clássicos. [Science Alert]

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