Núcleo do planeta Júpiter está se dissolvendo

Por , em 27.12.2011

Até os grandes podem perder o coração. Novos cálculos sugerem que o núcleo rochoso de Júpiter está se dissolvendo. O trabalho pode ajudar a explicar porque o seu núcleo parece menor e sua atmosfera está mais rica em elementos pesados.

Imagina-se que planetas gigantes como Júpiter e Saturno começaram sua vida como corpos sólidos de rocha e gelo. Quando chegaram a uma massa dez vezes maior do que a da Terra, suas gravidades puxaram gás que resultaram em atmosferas grossas formadas principalmente por hidrogênio.

Curiosamente, alguns estudos sugerem que o núcleo de Júpiter pesa menos do que dez Terras, enquanto o de Saturno, que é menor, tem entre 15 e 30 Terras. No ano passado, pesquisadores chineses ofereceram uma explicação sinistra: um planeta rochoso maior do que a Terra bateu em Júpiter há muito tempo, vaporizando a maior parte de seu núcleo.

Esse cenário pode também explicar outro mistério: porque a atmosfera de Júpiter contém uma fração de elementos pesados maior do que o sol, cuja composição é considerada um reflexo da que compunha a nebulosa que deu origem aos planetas do sistema solar.

Agora, os cientistas Hugh Wilson e Burkhard Militzer sugerem outra teoria, não menos macabra: o núcleo de Júpiter vem gradualmente se dissolvendo desde sua formação, há 4,5 bilhões de anos.

Cálculos quânticos

Outros pesquisadores propõe que a intensa pressão e temperatura no coração do gigante talvez faça seu núcleo dissolver na atmosfera interna, que está sob tanta pressão que faz com que ele se comporte, de alguma maneira, como um líquido.

Os especialistas usaram equações da mecânica quântica para ver como o óxido de magnésio – um constituinte do núcleo de Júpiter – reage em pressões e temperaturas similares as do planeta (40 milhões de atmosferas terrestres e 20 mil graus Celsius). Essas condições não podem ser recriadas em laboratórios terrestres.

Eles descobriram que nessas condições, o mineral realmente se dissolve nos fluidos à volta. “É como um pouco de sal no fundo de um copo. Coloque água morna e ele vai começar a se dissolver, ficando com água mais salgada no fundo e menos salgada no topo”, explica Wilson.

Ele suspeita que a rocha dissolvida talvez se misture com o resto da atmosfera, com o tempo. “Isso poderia pelo menos explicar parcialmente o enriquecimento de elementos pesados na atmosfera externa, e o fato do núcleo estar menor do que nas previsões”, afirma.

Os cálculos também sugerem porque Saturno – que possui cerca de um terço da massa de Júpiter – parece ter um núcleo mais robusto. As condições no planeta dos anéis não são tão extremas quando em Júpiter, então se o núcleo está se dissolvendo, está fazendoisso de uma “maneira muito mais lenta”, afirma Wilson.

A equipe acredita que o processo provavelmente acontece muito mais rápido em planetas mais massivos do que Júpiter. Dave Stevenson, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, concorda. “A erosão do núcleo deve ser maior conforme a massa cresce”, afirma.

“Eu suspeito que em ‘super Júpiteres’ não há nenhum núcleo”, afirma Wilson. Se for esse o caso, a concentração de elementos pesados na atmosfera será maior, o que pode ser detectado por telescópios, no futuro.

O fato do coração de Júpiter estar se dissolvendo é ruim? Wilson diz que é o oposto. “É como um sinal de que o planeta ainda está se formando – não atingiu um estado estável”.[NewScientist]

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (4 votos, média: 5,00 de 5)

22 comentários

  • Claudio J A Hess:

    me espantei com a quant de informs q hoje sabemos dos planetas, e c as discussões nos coments!
    teorias estranhas, conhecia nada!… ó!

  • Leandro Mauricio Carneiro:

    O que aconteceria se um artefato nuclear atingisse Júpiter?
    pelas condições do planeta, a reação seria prolongada ou seria como dos cometas que atingiram esse planeta em 1994, que tinham potências como de bombas atômicas.

    • edson feler:

      O cometa Shoemaker-Levy se fragmentou e se chocou em 1994, com força de milhares de bombas atômicas, um artefato nuclear explodindo lá mal daria para ser visto.

  • celiof:

    Acho que as nuvens estão arrastando massa , peso que faz como uma vibração na rotação do planeta , que pelo arrasto diminuir sua velocidade de rotação fica assim com formato irregular..

  • Eduardo:

    Júpiter está precisando de um transplante de núcleo. Só espero que não o faça pelo SUS…

    • Claudio J A Hess:

      se for ao SUS vão só passar um Mercúrio, e pronto, tá liberado!!

  • João Glagio:

    Todos os movimentos do Universo são determinados por leis físicas. O acaso é ignorancia( desconhecimento ).

  • João Glagio:

    Toda tentativa de acerto é construtiva. Infelizmente o nosso conhecimento sôbre a necessidade de transmutação da matéria no Universo( quando surgem os sistemas planetários, incluem-se estrelas,galáxias,buracos negros,…)são pífios. Tenho esperança que chegaremos ou alcançaremos essa luz.

  • Pony:

    Seria mais interessante se o próprio planeta estivesse se dissolvendo.

  • Jasiel:

    Logo vão descobrir que o núcleo é… de chocolate branco com avelã! kkk!

  • leandro ramos marcos:

    Ola pessoal, bem que a nasa poderia pelo menos tentar enviar uma nave bem reforçada com equipamentos de video e outros sensores numa missao suicida para tentar filmar a descida da nave no planeta jupter para que fosse possivel realizar novas descobertas, pois com a densidade da atmosfera isso e muito prejudicado.

  • christ:

    Com o disolvimento do nucleo rochoso no Planeta, e paralelamente a isso, o aumento de gases pesados na atmosfera , entre eles o hidrogênio, poder-se-ia dizer que Jupiter seria um candidato a ser uma Estrêla? Teríamos um sistema binário, no nosso sistema solar?Seria bom pois planêtas mais próximos de Jupiter seriam aquecidos.Europa por exemplo(lua deJupiter) seria uma Lua de água.É muita imaginação?

    • Gilberto M.:

      Nesse caso Júpiter seria uma estela de vida muito curta. Mil anos aproximadamente.

    • Jonatas:

      A massa do Sol é 1000 vezes maior que a de Júpiter, e a massa média do menor tipo de estrela com brilho e reações nucleares, as anãs-vermelhas, é entre 100 e 400 vezes a de Júpiter. As anãs marrons, estrelas que não conseguem acender, falhadas, ainda são sempre maiores que 15 vezes a massa de Júpiter.

    • Jonatas:

      Isso é coisa de “Uma Odisséia no Espaço”, totalmente fora da realidade. Júpiter tem 1/50 da massa que precisaria pra virar estrela. Contentem-se com o Planetão. E mesmo como planeta ele aquece o interior de Europa, porisso a tese do grande oceano oculto.

    • Cesar:

      Não.

      Para iniciar a fusão sustentada de hidrogênio, Júpiter teria que ter cerca de 13 vezes a massa atual. Com este tanto de massa a mais, a pressão e temperatura no núcleo seriam suficientes para iniciar a fusão de hidrogênio sustentada. Derreter o núcleo não vai mudar absolutamente em nada a massa do planeta.

      Júpiter nunca chegou nem perto de ser uma “estrela fracassada”.

    • Jonatas:

      Tenho pensado nesse limite de 13 massas jupiterianas para anãs marrons, porque já vi artigos sobre exoplanetas maiores com 15 massas de júpiter que não eram anãs marrons…

  • christ:

    Com o disolvimento do nucleo rochoso no Planeta, e paralelamente a isso, o aumento de gases pesados na atmosfera , entre eles o hidrogênio, poder-se-ia dizer que Jupiter seria um candidato a ser uma Estrêla? Teríamos um sistema binário, no nosso sistema solar?Seria bom pois planêtas mais próximos de Jupiter seriam aquecidos.Europa por exemplo(lua de Saturno), seria uma Lua de água.É muita imaginação?

    • Jonatas:

      Não, pra virar estrela Júpiter teria que ser 15 vezes mais massivo, e seria uma fraca anã-marron. Só uma massa entre 50 e 80 vezes maior que a de Júpiter poderia ter pressão nuclear forte o suficiente para as reações nucleares, o processo que faz as estrelas brilharem. Entretanto, Mesmo como Planeta, Júpiter está aquecendo Europa, com sua tensão gravitacional o planeta faz Europa ser quente por dentro, fenômeno que fez cm que astrobiólogos se voltem para Europa para procurar um oceano sob o gelo e possível bioma em seu interior.

    • Jonatas:

      Correção, Europa é lua de Júpiter.

  • Jonatas:

    Muito boa a segunda teoria. Ajuda a entender que existem outros processos de formação estrutural dos planetas, e ajuda a entender não só o centro de Júpiter, mas também o de Saturno e a razão de suas diferenças. Bem melhor que a de colisão planetária, que sempre são as primeiras teorias a serem pensadas nos últimos tempos.

    • Capitão Caverna:

      Realmente a segunda teoria é bem convincente.

Deixe seu comentário!