O candelabro carnívoro das profundezas

Por , em 11.11.2012

Esponja: um dos animais mais simples do planeta, com tecidos parcialmente diferenciados (parazoas), mas sem músculos, sem sistema nervoso, sem órgãos internos.

Existem mais de 15.000 espécies modernas de esponjas conhecidas, que podem ser encontradas tanto na superfície da água quanto a 8.000 metros de profundidade.

A maioria das esponjas alimenta-se por filtração: elas filtram a água em busca de bactérias e outros organismos unicelulares, bombeando-a para seu corpo e retendo as partículas de alimento nas suas células.

Basicamente, um bicho muito pacato e virtualmente indefeso. A não ser, é claro, que estejamos falando da esponja-harpa, uma nova espécie conhecida como Chondrocladia lyra encontrada na Califórnia em 2000.

O que ela tem de diferente? Bom, para começar, é carnívora.

Geólogos, não biólogos marinhos, foram os primeiros a detectarem a espécie. Os pesquisadores estavam investigando a costa norte da Califórnia usando veículos operados remotamente executados pelo Monterey Bay Aquarium Research Institute, em Moss Landing, Califórnia (EUA), e observaram as esponjas via uma estrutura ancorada a cerca de mil metros de profundidade em planícies lamacentas.

A descoberta

“Nós estávamos espantados. Ninguém tinha visto este animal com os próprios olhos antes”, disse o biólogo Lonny Lundsten.

Mais tarde, cientistas recolheram duas esponjas e fizeram observações em vídeo de mais 10. A comparação com outras esponjas carnívoras confirmou que Chondrocladia lyra era uma nova espécie e revelou alguns pontos interessantes sobre o ciclo de vida da esponja.

As esponjas vivem cerca de 3,5 km abaixo da superfície do oceano. Elas se “agarram” ao fundo do mar lamacento, vivendo entre outras criaturas misteriosas.

Sua aparência esquisita é o que a ajuda a se alimentar. A esponja parece um candelabro do alto-mar com esses “ramos” apontados para cima. Por conta da sua semelhança com uma harpa, foi apelidada de “esponja-harpa”.

O animal possui farpas que atuam como um “velcro” sobre seus ramos verticais para prender pequenos crustáceos chamados copépodes, quando eles nadam perto da esponja. Em seguida, células especializadas para digerir as presas cercam o nadador capturado e lentamente começam a comê-lo.

Esses ramos verticais também estão envolvidos na reprodução do animal: as pontas de cada ramo, como é possível ver na imagem acima, possuem “bolas” cheias de pacotes de espermatozoides que são libertados para a água quando amadurecem.

Cientistas acreditam que uma vez que estes pacotes entram em contato com outra esponja-harpa, procuram o seu caminho ao longo dos ramos até encontrarem óvulos para fertilizar.

As primeiras esponjas-harpa descobertas tinham apenas dois “ramos”. Mais tarde, outras operações revelaram criaturas com até seis ramos. O maior tinha 36 centímetros de altura.

Os pesquisadores acreditam que a esponja-harpa evoluiu esta elaborada estrutura semelhante a um candelabro para aumentar a área de superfície que expõe a correntes, capturando, assim mais presas.

Esponjas carnívoras

Embora essas duas palavras não pareçam combinar, há pouco tempo (menos de 20 anos) os pesquisadores descobriram que esponjas podem ser carnívoras. Como a maioria delas vive no fundo do oceano, fica difícil entender completamente seu estilo de vida.

As esponjas-harpa recolhidas pelos cientistas marcam a primeira vez os pesquisadores observaram o ciclo completo de reprodução de uma esponja carnívora.

A maioria das esponjas libera esperma para que eles “nadem ativamente” na água do mar ao redor, mas parece que todas as esponjas carnívoras transferem sêmen em pacotes condensados (espermatóforos).

A melhor teoria até agora é de que as bolas inchadas na ponta dos ramos verticais da esponja-harpa são liberadas na corrente para que outras esponjas capturarem esses pacotes através dos filamentos finos ao longo de seus ramos. [ScienceNow, OurAmazingPlanet]

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