Estudo: o planeta 9, do nosso sistema solar, é um buraco negro primordial?

Por , em 1.10.2019

Um novo estudo conduzido pelos astrônomos Jakub Scholtz, da Universidade de Durham (Inglaterra), e James Unwin, da Universidade de Illinois (EUA), sugere que, ao invés de um planeta flutuante, o que se esconde nos confins do sistema solar seja na verdade um buraco negro primordial.

Planeta 9

Você já deve ter ouvido falar da teoria do Planeta Nove, um planeta solitário que estaria orbitando o sol a uma distância de cerca de 300 a 1.000 UA (unidades astronômicas, equivalentes à distância média entre a Terra e o sol).

Tal planeta nunca foi encontrado; sua possível existência foi inferida por sinais que, dizem Scholtz e Unwin, também poderiam indicar a presença de um buraco negro primordial.

O que é um buraco negro primordial?

Um buraco negro primordial é um objeto hipotético que corresponde a um buraco negro relativamente pequeno e antigo, formado como consequência de flutuações de densidade no início do universo, logo após o Big Bang.

Os cientistas pensam que, se tais objetos existem, os de massa mais baixa já evaporaram. Os com massa robusta o suficiente, no entanto, podem ter sobrevivido até os dias de hoje.

As anomalias

Duas anomalias gravitacionais – as órbitas anômalas de objetos transnetunianos e um excesso de eventos de microlentes – foram o que levaram os astrônomos a inferir a presença de um suposto planeta na borda do sistema solar. Ambos esses eventos poderiam ocorrer devido a existência de um objeto com uma massa estimada entre 0,5 a 20 vezes a massa da Terra, como um planeta errante captado gravitacionalmente pelo nosso sistema solar.

O que Scholtz e Unwin argumentam é que um buraco negro primordial com uma massa de cerca de cinco vezes a da Terra e um raio de cerca de cinco centímetros também é um bom candidato para explicar os fenômenos.

“A captura de um planeta flutuante é uma das principais explicações para a origem do Planeta Nove, e mostramos que a probabilidade de um buraco negro primordial é comparável”, escreveram os astrônomos em seu artigo.

Testando a hipótese

Um buraco negro primordial como o descrito pela dupla teria uma temperatura muito baixa, mais fria que o fundo de microondas cósmico. Logo, irradiaria uma energia minúscula, difícil de detectar.

Apesar disso, os pesquisadores sugerem uma forma de comprovar sua teoria: procurar por sinais de aniquilação do halo de matéria escura ao redor do buraco negro primordial.

Tal halo, se real, é capaz de fornecer um sinal poderoso que pode teoricamente ser identificado através de observações astronômicas. Pesquisas nos espectros dos raios-X, raios gama e outros raios cósmicos de alta energia poderiam fornecer evidências para amparar a hipótese.

Você pode ler o artigo sobre o estudo na íntegra (em inglês) na plataforma arXiv. [Phys]

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