Pessoas que se gabam de seu intelecto não sabem tanto quanto pensam

Por , em 3.04.2019

Ninguém gosta de um sabichão. Além de ser chato, uma nova pesquisa agora nos dá mais um motivo para fazer cara feia para essas pessoas: elas literalmente não sabem tanto quanto pensam que sabem.

Liderado pela psicóloga Elizabeth J. Krumrei-Mancuso, da Universidade Pepperdine (EUA), o estudo mostrou que pessoas que são capazes de admitir que seus próprios conhecimentos e opiniões podem não estar corretos são, na verdade, mais bem informadas.

Humildade versus arrogância intelectual

A ideia da pesquisa era examinar o conceito de “humildade intelectual”, ou seja, saber aceitar falhas intelectuais de uma forma aberta e equilibrada.

O oposto de tal humildade é o excesso de confiança intelectual: ter certeza de que você está certo sobre as coisas.

Enquanto a confiança é boa, o excesso de confiança pode realmente ser um problema para o conhecimento que você tem certeza de que possui.

“A pesquisa demonstra que aqueles que acreditam que seu conhecimento é certo são susceptíveis de tirar conclusões definitivas incorretas de evidências ambíguas”, Krumrei-Mancuso e seus coautores explicam em um artigo. “Ou seja, os indivíduos tendem a distorcer as informações para se ajustarem às suas crenças epistemológicas, o que pode afetar sua interpretação da informação e aquisição de conhecimento”.

O lado “ruim” da humildade

Quando se trata de crenças, as pessoas tendem a apreciar aqueles que possuem mente aberta. Ao mesmo tempo, também podem ver esses indivíduos que não têm certeza sobre suas crenças como fracos, ou aqueles que mudam seu ponto de vista como instáveis ​​ou manipuladores.

A nova pesquisa foi motivada por um desejo de compreender o valor potencial dessa humildade intelectual. Será que nos beneficia ou nos atrapalha?

O estudo

Krumrei-Mancuso e sua equipe realizaram cinco experimentos separados envolvendo quase 1.200 participantes, projetados para examinar os vários elos entre a humildade intelectual e o aprendizado.

Os participantes foram questionados e classificados em uma escala de humildade intelectual desenvolvida pelos pesquisadores, que avaliou, entre outras coisas, atitudes excessivas de superioridade intelectual e abertura intelectual (como estar aberto a aprender com os outros).

Em última análise, os resultados mostraram que a humildade intelectual parece ter um efeito misto na capacidade das pessoas de adquirir conhecimento.

Ser intelectualmente humilde foi associado a melhores pontuações em um teste que avaliou o conhecimento geral, mas não parecia estar relacionado à capacidade cognitiva dos participantes.

Conhecimentos adquiridos

O fato de que a humildade intelectual estava ligada ao conhecimento geral, mas não à capacidade cognitiva, pode sugerir que essa humildade está associada à inteligência cristalizada (habilidades e conhecimentos aprendidos), mas não à inteligência fluida (capacidade de resolver problemas).

De qualquer forma, a humildade intelectual está associada a uma avaliação mais precisa do conhecimento geral de alguém – os menos humildes pensavam que sabiam mais do que realmente sabiam.

“Isto é, saber (e estar disposto a admitir) o que você não tem certeza pode ser o primeiro passo para buscar novos conhecimentos”, explicou Krumrei-Mancuso.

Possíveis desvantagens

A humildade intelectual também pode vir com alguns problemas. Em um dos estudos, o traço foi relacionado a ter uma média de notas mais baixa. Não está totalmente claro por que isso acontece, mas os pesquisadores supõem que a escolha dos participantes, que incluiu alunos formados “com louvores”, possa ter afetado os resultados de alguma forma.

Outra descoberta foi que pessoas intelectualmente humildes subestimaram sua capacidade cognitiva. Isso pode ser ruim para elas, que poderiam se beneficiar de acreditar mais em si.

No geral, os pesquisadores reconhecem que mais estudos precisam ser feitos para entender como a humildade intelectual afeta o conhecimento, a cognição e nossa capacidade de aprender coisas novas, mas esses dados iniciais já são importantes, uma vez que a humildade pode ter um efeito mais amplo sobre a sociedade como um todo.

“A humildade intelectual pode contribuir para os bens sociais de várias maneiras. Vai além das percepções das opiniões e das pessoas, o que tem implicações para as atitudes sociais e, possivelmente, para os comportamentos sociais. Isso pode ajudar muito as pessoas a tratarem os outros com civilidade e benevolência, mesmo diante de divergências persistentes”, argumentou Krumrei-Mancuso.

As descobertas do estudo foram relatadas em um artigo publicado na revista científica The Journal of Positive Psychology. [ScienceAlert]

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