A provável rocha mais antiga da Terra foi encontrada na lua

Por , em 26.01.2019

A mais antiga rocha conhecida da Terra pode ter sido encontrada no último lugar que pensaríamos em procurá-la: na lua.

Ela foi identificada em uma amostra trazida de volta para o nosso planeta pelos astronautas da Apollo 14 em 1971.

Não é o caso de uma rocha lunar que um dia já foi parte da Terra (essa é apenas uma hipótese para a origem da lua); há evidências de que a rocha seja realmente de origem terrestre.

Como assim?

De acordo com uma equipe internacional de cientistas, a pedra é composta de quartzo, feldspato e zirconita de 2 gramas incrustada em um pedaço maior de rocha chamada “Big Bertha”.

Esses minerais são raros na lua, mas muito comuns aqui na Terra. Além disso, análises químicas revelaram que a rocha se formou em um sistema oxidado como o do nosso planeta, em temperaturas semelhantes às nossas, ao invés de condições de temperatura semelhantes às da lua.

Utilizando a zirconita, que contém urânio, cuja meia-vida conhecida permite uma datação precisa, os cientistas estimaram a idade da rocha em cerca de 4 a 4,1 bilhões de anos.

É possível que o fragmento tenha se formado na lua, mas as condições para isso seriam diferentes de tudo que já vimos no satélite. Teria que ter se formado 30 a 70 quilômetros abaixo da superfície, em um “ambiente magmático anormalmente oxidante”, com níveis de oxigênio muito mais altos do que aqueles no manto lunar de 4 bilhões de anos atrás.

Em contraste, as condições terrestres parecem muito mais prováveis – mesmo que seja uma coincidência espetacular que esse pequeno fragmento tenha sido devolvido à Terra.

Mas como chegou lá em primeiro lugar?

Os pesquisadores teorizam que a rocha foi lançada da Terra há cerca de 4 bilhões de anos, quando um asteroide ou cometa atingiu nosso jovem planeta de aproximadamente 540 milhões de anos, enviando fragmentos para o espaço.

Como a lua estava muito mais próxima da Terra naquela época – cerca de três vezes mais próxima do que agora -, estava em uma boa posição para capturar pedaços desses destroços.

“É uma descoberta extraordinária que ajuda a pintar uma imagem melhor da Terra primitiva e do bombardeio que modificou nosso planeta durante a aurora da vida”, disse o cientista David Kring, do Instituto Lunar e Planetário (EUA).

Formação

A rocha, portanto, deve ter se formado sob a superfície do nosso planeta a uma profundidade de cerca de 20 quilômetros, onde permaneceu até que um impacto violento a lançou pelo espaço.

De lá, alcançou a lua, onde mais eventos de impacto provavelmente a derreteram parcialmente e a enterraram, por volta de 3,9 bilhões de anos atrás.

Por fim, a rocha foi devolvida à superfície cerca de 26 milhões de anos atrás, durante o evento de impacto que produziu a Cratera Cone, onde permaneceu até que a Big Bertha foi coletada pelos astronautas da missão Apollo apenas algumas décadas atrás.

Será que tem mais?

Se esse fragmento pode ser encontrado, deve haver outros. Os cientistas creem que o estudo de outras amostras lunares pode localizá-los.

Além disso, com os planos da NASA de levar os seres humanos novamente à lua, pode haver oportunidades futuras para coletar ainda mais amostras.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Earth and Planetary Science Letters. [ScienceAlert]

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