Rede social científica permite grande descoberta da neurologia

Por , em 17.04.2012

No maior estudo colaborativo do cérebro até hoje, cientistas de mais de 100 centros mundiais usaram uma espécie de “rede social” de troca de conhecimentos para conseguir focar nos genes que possuem um papel importante na memória e na inteligência.

“O que é realmente novo aqui é o movimento para a pesquisa cerebral envolvendo várias pessoas”, afirma Paul Thompson, da Universidade da Califórnia. “Isso nos dá um poder que não tínhamos”.

Esses genes, que influenciam elementos do tamanho cerebral, podem ter efeitos sutis na maneira como as pessoas pensam e se comportam, além de outros fatores.

Os estudos com imagens cerebrais são muito caros, e como os efeitos tendem a ser pequenos, fica difícil comparar variações genéticas.

Uma equipe de cientistas da Austrália começou esse projeto conjunto, persuadindo centros de pesquisa do mundo inteiro a montarem um grande centro de dados. Isso incluía estudos genéticos e imagens cerebrais de cerca de 21 mil pessoas. O objetivo era analisar como os genes estão ligados à estrutura cerebral.

Quando a pesquisa estava quase completa, os cientistas descobriram que outro grupo, da Universidade de Boston, estava fazendo algo parecido. Os resultados não foram completamente iguais. Uma das equipes descobriu genes relacionados ao tamanho cerebral que outra não encontrou. Mas elas concordaram em dois pontos: um gene que está altamente relacionado ao tamanho do cérebro, e outro à velocidade na qual o hipocampo atrofia com a idade.

A colaboração provavelmente não vai levar a novos tratamentos, em curto tempo. E, como sempre, é necessário mais análises dos resultados para obter algo conclusivo. Mas a ideia de colaboração pode ser algo realmente novo, que dá para ser aplicado já, levando a excelentes resultados.

“Significa trocar dados, agir em conjunto. E não é assim que os cientistas geralmente trabalham”, finaliza Thompson. [NYTimes]

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3 comentários

  • aguiarubra:

    Esse é o lado bom da globalização.

    Mas suspeito da afirmação de Thompson: “…Significa trocar dados, agir em conjunto. E não é assim que os cientistas geralmente trabalham…”.

    Thompson quer enganar a quem? Geralmente os cientistas trabalham em conjunto, POR FORÇA DA LEI!!!

    Um grande ganho importante nessa soma de esforços o ganho legal.

    Trará mais dificuldades para as inúmeras fraudes e plágios que ocorrem entre esses ditos cientistas, que, antes de serem cientistas, não passam de simples e falíveis homens e mulheres (da Ciência).

    Fico imaginando se o caso do Grigory Perelman (que atropelou a burocracia acadêmica publicando seus resultados na internet prá quem quisesse ver) não foi levado em conta na “inspiração” desse grupo de pesquisadores, com esse exemplo “novo” (?) de colaboração entre eles mesmos.

    Espero que essa MODA pegue!

  • Cleme Hajia:

    O cérebro humano é a estrutura viva com o mais alto índice de mutabilidade genética e varia esse índice como resposta aos estímulos dados.
    Muito mais importante que a genética, porém é a epigenética que tem verificado:a depender do campo eletro-magnético ao qual submetemos o nosso DNA, o que muda com base nos nossos ideais e objetivos a serem alcançados, diferentes configurações genéticas acabam ocorrendo, e portanto diferentes funções vão se manifestando.
    Evoluir portanto não tem relação direta com tornar-se melhor no sentido amplo, mas significa basicamente tornar-se mais adaptado ao meio em que estamos. Um meio hoje regido pelo imperialismo da razão, em detrimento dos sentimentos, que dariam mais sentido à vida e menos robotizações.
    Como consequência, hoje temos muitos cérebros treinados para serem mais eficazes e ágeis relacionados às nossas necessidades de crescimento material e muitas vezes revestidas de um senso egóico, sem considerarmos o meio ambiente, que vem sofrendo crescentes destruições.
    Na época dos egípcios antigos, havia uma preocupação de alinhamento mental com o espiritual, o conhecimento era muito mais amplo em cada ser e apesar das limitações tecnológicas, grandes avanços foram alcançados, dos quais até hoje não compreendemos ao certo.

  • Jonatas:

    Isso é só o começo, redes de estudos integradas é o melhor que se pode aproveitar das variedades de intelecto humano pelo mundo e serão a fonte dos maiores avanços científicos nos próximos anos, e o melhor de tudo é que seus frutos não serão mais exclusividade de uma única entidade ou um único país, mas uma conquista de todos.
    Isso pode parecer uma Utopia de minha parte, mas eu acredito.

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