Sacolas reutilizáveis são muito piores para o meio ambiente do que sacolas plásticas

Por , em 12.06.2018

O Dia Mundial do Meio Ambiente de 2018, evento promovido pela ONU que acontece todos os anos no dia 5 de junho, teve como tema a luta contra a poluição do plástico.

Segundo informações das Nações Unidas, todos os anos o mundo todo usa 500 bilhões de sacolas plásticas, e a cada ano 8 milhões de toneladas de plástico acaba nos oceanos. Isso equivale a um caminhão de lixo cheio a cada minuto. Apenas na última década produzimos mais plástico do que em todo o último século, e 50% desses plásticos são utilizados apenas uma vez.

A National Geographic também colocou o plástico como destaque em sua capa do mês de maio, e as imagens em sua grande-reportagem mostram os resultados práticos do descarte irresponsável desse material para a vida selvagem e populações humanas que vivem em meio ao lixo.

Até novembro de 2017, os países e estados que já baniram o uso de sacolas plásticas foram: Quênia, Mali, Camarão, Tanzânia, Uganda, Etiópia, Malaui, Marrocos, África do Sul, Ruanda, Botswana, Bangladesh, Camboja, Hong Kong, Índia, Indonésia, Malásia, Taiwan, vários estados australianos, Inglaterra, Itália, País de Gales, Escócia, Alemanha, algumas províncias canadenses, alguns estados mexicanos, alguns estados e cidades dos EUA, e também cidades argentinas, brasileiras e colombianas. O Chile foi o primeiro país da América Latina a proibir o uso de sacolas plásticas, implantando a lei no início de 2018.

Mas Ian Graber-Stiehl, do site de notícias Earther, resolveu realizar uma profunda investigação para saber se banir essas sacolas plásticas realmente é a única solução para o problema ambiental. Ele analisou estudos que compararam quantas vezes uma sacola de plástico mais resistente ou sacolas de tecido devem ser reutilizadas para valer a pena do ponto de vista da poluição e do gasto energético envolvido em sua produção.

Proibir ou não proibir?

A resposta é ao mesmo tempo sim e não. A conclusão desta análise de Graber-Stiehl é que a proibição do uso de sacolas plásticas vale a pena sim, mas apenas em regiões próximas ao mar. Nas outras, o melhor é usar as sacolas plásticas e reutilizá-las o maior número de vezes antes de usá-las para colocar o lixo doméstico.

“As pessoas pensam que a hierarquia das escolhas sustentáveis vai de sacolas reutilizáveis, sacos de papel e por último sacolas de plástico. Enquanto isso pode ser verdade do ponto de vista do rejeito, quando falamos de emissões, uso de água e de energia, acaba que o papel e as bolsas reutilizáveis ficam muito atrás da boa e velha sacola de petróleo”, afirma ele.

Um estudo recente da Agência de Proteção Ambiental da Dinamarca mostrou que entre 14 tipos de sacolas analisadas, as mais sustentáveis eram as sacolas de plástico resistente (e não aquelas fininhas de supermercado). Para empatar com os impactos desse tipo de sacola, as bolsas de algodão precisariam ser reutilizadas 52 vezes (ou 149 vezes se for feita de algodão orgânico, que consome mais espaço e recursos para ser plantado).

O triste é que um outro estudo mostrou que quem tem bolsas retornáveis costuma se esquecer de levá-la para o supermercado em 40% das vezes.

Mas por que o plástico fica na frente do algodão e papel? Porque ele pesa menos que esses materiais e carrega mais peso. O plástico também precisa de menos energia para ser produzido. Os sacos de papel produzem quatro vezes mais rejeitos sólidos, 142% mais poluição do ar e 15% mais desperdício de água. Já as bolsas de algodão criam problemas ambientais porque seu ciclo de vida envolve produtos que agridem a camada de ozônio.

Este estudo aponta que o peso da sacola plástica é um fator determinante. Até sacolas biodegradáveis mais reforçadas são consideradas menos sustentáveis do que o uso do maior número de vezes possível das sacolinhas normais. Para o uso de sacolas retornáveis valer a pena, sejam elas plásticas reforçadas, biodegradáveis ou de algodão, depende do número de vezes que essas sacolas serão reutilizadas.

Já a proibição de uso de sacolas plásticas em cidades litorâneas traz um ótimo resultado, de acordo com pesquisadores que analisaram os resultados da proibição em cidades europeias. Eles observaram um número muito menor de sacolas no litoral e oceanos.

Proibição no Brasil

Belo Horizonte foi o primeiro município do país a proibir o uso de sacolinhas em supermercados. Outras 13 capitais brasileiras já aprovaram leis que limitam ou proíbem a utilização de sacolas plásticas em estabelecimentos comerciais. Em abril de 2018, o projeto de lei 322/11 que proíbe no Brasil todo a utilização, fabricação e comercialização de sacolas plásticas entrou na pauta de votação.

Resultado da Lei da Sacolinha em São Paulo


A Lei da Sacolinha plástica entrou em vigor na cidade de São Paulo em abril de 2015, e dita que estabelecimentos comerciais não podem distribuir sacolas plásticas para os clientes. Agora, os clientes devem levar suas próprias bolsas retornáveis ou mochilas, ou então pagar cerca de 8 centavos por sacolas verdes (para depois serem usadas para lixo reciclável) ou sacolas cinzas (para orgânicos e rejeitos).

Não há muitos dados disponíveis sobre como esta lei impactou a poluição da cidade três anos depois de sua implantação. No aniversário do primeiro ano da lei, porém, o então prefeito da capital, Fernando Haddad, afirmou que houve uma diminuição drástica na produção de sacolas, e segundo a Prefeitura, houve diminuição de 70% de produção e uso de sacolas tradicionais.

Confira abaixo vídeo promovido pela ONU em que celebridades como Arnold Schwarzenegger e Tom Felton contam que ações simples vão tomar para trocar o plástico por outros materiais mais ecologicamente corretos. E você, que ações toma para minimizar a poluição com plástico?

[ONU, Earther, Study.com,The New York Times, Senado Notícias, Estadão]

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1 comentário

  • YahooUser9:

    Melhor seria destacar que, SE poucos utilizadas, sacolas retornáveis custam mais ao meio ambiente que sacolas plásticas convencionais. Embora isso seja um tanto óbvio.

    O estudo feito considera em seus resultados uma máxima utilização das sacolinhas plásticas; o que nunca ocorre. Por seu ínfimo custo financeiro, elas são descartadas após o primeiro ou segundo uso, na maior parte das vezes. Muitas, nem chegam a ser usadas no descarte do lixo comum.

    Já as reutilizáveis podem servir durante muitos anos. Basta deixá-las na bolsa ou no carro.

    Outro ponto truncado é que não é só junto ao mar que o descuido com seu descarte das descartáveis é perigoso. Em qualquer parte do mundo, se largadas na rua, por sua leveza, serão arrastadas pelo vento ou chuva até os cursos d’água.

    A intenção da matéria é boa, mas seu efeito final pode ser nocivo ao desestimular a redução do consumo das descartáveis.

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