Sociedades em que as mulheres mandam podem nos ensinar muitas coisas

Por , em 13.04.2014

Como já diria a famosa canção escrita por James Brown, “este é um mundo de homens, mas não seria nada sem uma mulher ou uma menina”.

Embora as mulheres tenham feito grandes progressos em termos de igualdade ao longo dos anos, ainda são eles que possuem mais empresas e lideram mais países e comunidades.

Há muito poucos exemplos de sociedades que são verdadeiramente regidas e inspiradas por mulheres, mas elas existem, e nós poderíamos aprender muito com elas. Confira algumas:

Sociedades em que as mulheres mandam

Ede

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Tradicionalmente, nas aldeias Ede do Vietnã, são as mulheres que possuem todas as propriedades e as passam para suas filhas. Elas também devem pedir seus maridos em casamento, e eles adotam o nome de família da esposa, vivendo na casa dela. A mulher mais velha da casa, inclusive, tem sua própria cadeira artesanal, que deve ser cuidadosamente esculpida a partir de um certo pedaço de madeira. A terra é propriedade coletiva da aldeia, enquanto as florestas são sagradas, parte de sua antiga religião animista. Enquanto vestígios de costumes antigos ainda permanecem, as aldeias Ede de hoje são principalmente cristãs protestantes.

Mosuo

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Na sociedade Mosuo, no sudoeste da China, perto do lago Lugu, as mulheres tomam a maioria das decisões de negócios e gerenciam as famílias completamente. O também chamado “Reino das Mulheres” é formado por 40.000 fortes damas, e é uma das últimas sociedades matriarcais do mundo. A “Ah Mi” é a líder suprema da casa, normalmente a mulher mais velha. Crianças são criadas comunitariamente. Muitas vezes, uma família ajuda a criar o filho de outra como se fosse sua. Enquanto todo mundo compartilha um espaço comum, mulheres com mais de 13 anos de idade ganham a privacidade de seu próprio quarto, chamada de “sala de floração”. As mulheres podem escolher seu parceiro, mas não ficam totalmente ligadas à ele. Como convém a uma cultura com nenhuma palavra para “pai” ou “marido”, as mulheres não casam. Em vez disso, têm quantos amantes quiserem, convidando-os para encontros secretos à noite (geralmente depois que os homens passaram o dia todo abatendo porcos, enquanto elas organizavam as finanças domésticas). A propriedade é transmitida através da linha feminina e não há nenhum estigma em não saber quem é o pai de uma criança. Tal utopia matriarcal tem desvantagens, no entanto – visitantes curiosos vão até a região antes isolada sob a sugestão equivocada de que as mulheres Mosuo oferecem sexo grátis o tempo todo. Infelizmente, algumas das aldeias anteriormente pacíficas foram invadidas por hotéis, cassinos, karaokês e até um “distrito vermelho”.

Hopi

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A tribo indígena americana Hopi se chama de “as pessoas pacíficas”. Eles basearam seu modo de vida em um respeito por seu ambiente, e tradicionalmente se organizam em volta de matriarcas. As mulheres ocupam a maior parte do poder, mesmo que o trabalho seja dividido igualmente. Todas as mulheres se reúnem sempre que um bebê na tribo chega aos 20 dias de idade, a fim de nomeá-lo. É uma sociedade extremamente cooperativa, e que evoca princípios comuns a todos os níveis.

Chambri

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Os escritos de Margaret Mead sobre o povo Chambri, de Papua Nova Guiné, em 1930 ajudaram a reforçar o feminismo nos Estados Unidos. Mead escreveu sobre como as mulheres é que pescavam e proviam para sua família e comunidade na sociedade Chambri. Antropólogos mais tarde concluíram que, embora as observações de Mead estivessem corretas, a dinâmica de poder entre as relações dos Chambri era mais igualitária do que ela deixou transparecer. No entanto, o povo Chambri ainda é um bom exemplo de uma sociedade com uma política sexual atípica, onde mulheres mantêm o controle de muitos aspectos da cultura.

Aka

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Os homens do povo Aka, na Bacia do Congo, na África, têm sido descritos como os “melhores pais do mundo”. Eles brincam com seus bebês pelo menos cinco vezes mais frequentemente que homens de outras sociedades. Enquanto as mulheres caçam, os homens cozinham. Berços não existem; os casais nunca deixam os bebês deitados sozinhos, e se um deles bate em uma criança, isso é base para divórcio. Mais impressionante de tudo, os pais Aka oferecem seus mamilos como chupetas para seus bebês quando a mãe não está por perto.

Meghalaya

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De acordo com o Livro dos Recordes Guinness, o estado indiano de Meghalaya é o lugar mais chuvoso na Terra. Suas populações tribais também possuem um dos poucos sistemas matrilineares sobreviventes do mundo, onde as mulheres, em vez de homens, são as donas das terras e propriedades. A tradição dita que a filha caçula da família herda todos os bens, bem como atua como zeladora dos pais idosos e irmãos solteiros. Quanto aos homens da família, um movimento sufragista surgiu, com grupos de direita afirmando que a cultura matrilinear está produzindo gerações de senhores que ficam aquém do seu potencial, posteriormente entrando no alcoolismo e abuso de drogas.

Alapine

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Em todos os EUA, há cerca de 100 colônias compostas apenas de mulheres, onde ninguém com um cromossomo Y entra. Estas comunidades em grande parte lésbicas começaram na década de 1970, quando um grupo de revolucionárias fundou um acampamento na praia de St Augustine, Flórida. Hoje, uma das maiores terras femininas fica na Alabama rural, em um acampamento chamado Alapine Village. 13 mulheres (a maioria com idades entre 50 e 80 anos) moram ali e cultivam a terra, além de participarem de atividades comuns, como canto e leitura de poemas.

Islândia

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Nos últimos quatro anos, a Islândia ficou no topo do Global Gender Gap Index do Fórum Econômico Mundial (índice de igualdade entre os gêneros), graças à aprovação de leis que favorecem a igualdade feminina, como a decisão de 2010 de proibir clubes de strip-tease. “Eu acho que os homens terão que se acostumar com a ideia de que as mulheres não estão à venda”, disse a primeira-ministra do país, Johanna Sigurdardottir, a primeira chefe de estado abertamente lésbica do mundo, que preside um parlamento onde as mulheres ocupam 40% dos lugares. A título de comparação, em 2010, o Brasil apareceu em 85º no mesmo índice.

A campanha pelos direitos das mulheres há muito tempo prospera na Islândia – em 24 de outubro de 1975, data rotulada como “Dia de Folga das Mulheres”, 90% das mulheres do país se recusaram a trabalhar, cozinhar ou cuidar das crianças. A agenda feminista avançou ainda mais quando o governo anunciou recentemente que tem planos de banir pornografia tanto em versão impressa quanto online.

Minangkabau

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Vivendo principalmente na Sumatra Ocidental, na Indonésia, em quatro milhões de pessoas, o povo Minangkabau é a maior sociedade matrilinear conhecida hoje. Além do direito tribal que exige que todos os bens do clã sejam legados de mãe para filha, o povo Minangkabau acredita firmemente que a mãe é a pessoa mais importante da sociedade. Após o casamento, cada mulher adquire seu próprio quarto. O marido pode dormir com ela, mas deve sair no início da manhã para tomar café na casa de sua mãe. Aos 10 anos, os meninos saem da casa de sua mãe para ficar em quartos de homens e aprender habilidades práticas. Os homens são sempre chefes do clã, mas são elas que escolhem o chefe e pode tirá-lo do posto se sentirem que ele não cumpriu suas funções.

Akan

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Os Akan vivem em sua maioria em Gana, e aderem à estrutura social matriarcal, apesar da pressão do governo. A organização social dos Akan é fundamentalmente construída em torno do clã matriarcal. Dentro deste clã, a identidade, herança, riqueza e política são todas determinadas pelas mulheres. No entanto, homens tradicionalmente ocupam cargos de liderança. Muitas vezes, o homem deve não só sustentar sua própria família, mas as de suas parentes do sexo feminino.

Bribri

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O povo Bribri é um pequeno grupo indígena de pouco mais de 13 mil pessoas que vivem em uma reserva no Cantão Talamanca, na província de Limón, Costa Rica. Como muitas outras sociedades matrilineares, a de Bribri é organizada em clãs. Cada clã é composto de uma família e determinado pela matriarca. As mulheres são as únicas que tradicionalmente podem herdar terra, além de possuírem o direito de preparar o cacau usado nos rituais sagrados do povo.

Nagovisi

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O povo Nagovisi vive no sul de Bougainville, ilha de Nova Guiné. O antropólogo Jill Nash relatou detalhes da sociedade dividida em clãs matriarcais. Por exemplo, mulheres Nagovisi estão envolvidas na liderança e cerimônias do povo, mas também trabalham nas terras que possuem. Nash observou que, quando se trata de casamento, a mulher Nagovisi dá à jardinagem e à sexualidade igual importância. O casamento não é institucionalizado. Se um casal é visto junto, dorme junto e o homem ajuda a mulher em seu jardim, para todos os efeitos, eles são considerados casados.

Conclusão

A partir desta visão superficial de sociedades lideradas por mulheres, algumas diferenças fundamentais em relação a povos dominados por homens tornam-se bastante claras.

A mais impressionante delas é que essas culturas parecem ter uma visão bastante diferente da posse do que aquela que domina a cultura ocidental hoje – uma ênfase muito maior é dada na participação comum do que nas sociedades dirigidas por homens, que tendem a ser mais hegemônicas.

As crianças, por exemplo, pertencem a toda a comunidade, em vez de uma única família, e a terra é compartilhada, em vez de distribuída.

Claro, isso é apenas um olhar casual de algumas comunidades incrivelmente complexas e únicas em todo o mundo, mas, se servem como qualquer indicação, essas sociedades geridas por mulheres parecem muito mais igualitárias, carinhosas e talvez mais justas.

Sem contar o fato de serem mais pacíficas. O povo Aka não tolera agressão e, de acordo com o Índice Global da Paz (IGP) de 2012, a Islândia é o país mais pacífico do mundo. Não é surpresa que sua líder seja homossexual, já que o povo parece ser pouco preconceituoso e não dar espaço para o ódio irracional.

Até mesmo na ficção elas fazem governos mais calmos: na obra “Herland”, (algo como “Terra Dela”), de Charlotte Perkins Gilman (1910), sobre uma sociedade guiada por mulheres, elas valorizam a maternidade acima de tudo, criam os filhos em comunidade, são dedicadas à educação e completamente pacíficas. Em outras palavras, as tendências guerreiras agressivas dos homens desaparecem, e os desejos de progresso e harmonia democrática são avançados. [Utopianist, Metro, MentalFloss]

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20 comentários

  • BlackTrigger:

    Seria interessante um lugar governado por mulheres, mas acredito que um lugar aonde os poderes são compartilhados seria melhor.

  • Ale Gonzalves M:

    Diversas vezes penso q as sociedades menos desenvolvidas do ponto de vista espiritual e humano são as que acabam prevalecendo. Independentemente de serem patriarcais ou matriarcais, as sociedades que têm como valores a não agressão, o amor, o cuidado, a felicidade simples, o respeito para com os outros e a natureza,, essas comunidades acabam sendo dominadas e brutalmente massacradas pelas sociedades que valorizam a guerra e a agressividade. E entendemos como mais evoluídas… grande mentira.

    • Sindy Maira:

      isso é verdade chegamos a tal ponto que fazer guerras fazer matança pelo dinheiro é tratado como evoluídas infelizmente é assim hje

  • Rudolf:

    Achei interessante que alguns matriarcados criam juntos seus filhos, independente de quem é a mãe. Gatas também tem este costume, que dá bastante liberdade às mães de saírem de perto dos filhotes para se alimentarem, por exemplo.

    Pelo texto, acho que a Islândia não seria um matriarcado, os sexos “apenas” dividem o poder (que já é bastante coisa, por sinal).

    Natasha, parabéns pelo artigo 🙂

  • Yan Cabral:

    Outras coisas que essas sociedades tem em comum. Não possuem língua escrita, não possuem desenvolvimento intelectual ou científico, foram ocupadas em alguma época por qualquer outra sociedade digna do próprio sal, e são parasíticas: as mulheres gostam de mandar, mas não de trabalhar pesado – o que por si só já contradiz o mito de sociedade igualitária.
    Claro, as feministas não irão para esses maravilhosos paraísos viver como silvícolas, assim como socialistas não irão para Cuba.

    • Cesar Grossmann:

      Yan, o atraso científico, a inexistência de língua escrita e outras coisas não tem nada a ver com matriarcalismo, tem sociedade patriarcais que são até menos desenvolvidas que esta.

      E esta história de que as mulheres gostam de mandar e não de trabalhar pesado é a maior besteira que eu já vi escrita aqui, a grande maioria das mulheres trabalham muito mais que o homem e tem até mesmo turno dobrado, trabalhando em casa e em um emprego.

      Quanto ao analfabetismo, conhece a história do sistema de escrita “hiragana”? Alguns estudiosos sustentam que antigamente o katakana era exclusivo de homens e o hiragana exclusivo de mulheres. As mulheres japonesas não recebiam instrução e não aprendiam o katakana, e teriam criado o hiragana.

    • Sindy Maira:

      Cesar Grossman isso memso !

  • D:

    São as patroas.

  • Eduardo Cunita:

    Vamos ver se eu entendi o caso da Islândia. Caso uma mulher queira ser stripper, ela será proibida pois as feministas acham que as mulheres não são livres para fazer o que querem com seus corpos?

    • Richard Gouveia:

      Será que também não tem clube das mulheres e Gogoboys lá? 😛

    • Viviana Mata:

      se um cara quer que a mulher faça strip pra ele, ele que seja uma pessoa interessante o suficiente pra que a mulher queira tirar a roupa ue

  • andre_tohuin:

    Foi possível observar também que quase nenhuma dessas sociedade deixaram de serem “índios”. Ou tiveram avanços tecnológicos.

    • Cesar Grossmann:

      E as tribos patriarcais que são “índios”, são o que? A prova que este teu argumento, que o matriarcalismo leva ao atraso tecnológico, não tem fundamento…

    • Verlyne de Sousa:

      O que uma coisa tem haver com a outra, eu não sei. Mas você podia estudar mais sociologia.

    • Sindy Maira:

      pode ser talves pq eles vêem importancia em coisas produtivas do q em coisas futeis como na agua na comida no bem viver vejo outras …

    • Sindy Maira:

      …Sociedades patriarcais bem menos desenvolvidas e sem agua e sem comida ou com muita tecnologia mas vivem com depressão o q n vale de nada

    • Sindy Maira:

      …tribos patriarcais q não tem agua nem comida sem desenvolvimento algum e outras com muita tecnologia sofrendo de depressão

  • Wanderson Campos:

    no final natasha voce fala de que essas sociedades são mais igualitarias e etc

    porem lembro que:

    nosso modo de vida que deu certo.

    se o modo de vida deles fosse o padrão, provavelmente estariamos ainda na epoca feudal

    o modo atual é mais individualista e o capitalismo é selvagem, mas isto entre mais alguns fatores é a engrenagem da evolução tecnologica da humanidade

    • Ale Gonzalves M:

      Em termos de satisfação real e desenvolvimento humano, eu não acho que a nossa sociedade tenha dado certo. Ela domina as outras formas de viver, mas ela torna as pessoas depressivas, infelizes e estressadas. Ela não gera bem-estar real, felicidade real, ela gera angústia, solidão e agressividade. Até saúde física objetiva só se tornou melhor que a opção dos indígenas muito recentemente, mas temos problemas a estourar, gerados pelo crescente numero de toxidades que criamos.

    • Richard Gouveia:

      Eu acredito que como você falou no início, o importante não é ser matriarcal ou patriarcal, e sim igualitária.

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