Começam testes da “vacina contra o câncer” em pessoas, após sucesso com ratos

Por , em 31.03.2018

Pesquisadores da Universidade de Stanford (EUA) iniciaram um estudo clínico em pacientes com linfoma, após testarem com sucesso uma “vacina” contra o câncer em ratos.

A injeção, administrada diretamente a tumores, eliminou todos os vestígios do câncer nos animais, incluindo metástases não tratadas.

Também funcionou em diferentes tipos de câncer.

Vantagens

“Esta abordagem ignora a necessidade de identificar alvos imunológicos específicos do tumor e não requer ativação por sistema imunológico atacado ou personalização das células imunes do paciente”, disse o principal cientista do estudo, o oncologista Ronald Levy.

A imunoterapia contra o câncer é complicada. Como as células cancerígenas são produzidas pelo corpo, o sistema imunológico não as vê como uma ameaça, da mesma forma que vê invasores como vírus. É por isso que alguns tratamentos se concentram em treinar o sistema imunológico para reconhecer as células cancerígenas como um problema.

É uma área efetiva de tratamento, mas que frequentemente envolve a remoção das células imunológicas do corpo do paciente, sua manipulação genética para atacar o câncer, e uma nova injeção para retorná-las ao corpo, um processo caro e demorado.

A nova vacina desenvolvida em Stanford pode ser muito mais barata e simples.

Como funciona

Os pesquisadores deram a “vacina” a ratos que já tinham tumores, injetando-a diretamente em um dos locais afetados.

A vacina explora uma peculiaridade do sistema imunológico: à medida que um tumor cresce, as células do sistema imunológico, incluindo as células T, reconhecem as proteínas anormais das células cancerígenas e entram em ação.

Mas as células cancerosas podem acumular mutações para evitar a destruição pelo sistema imunológico e suprimir as células T. A nova vacina funciona reativando essas células T.

A aplicação única leva quantidades muito pequenas de dois agentes para estimular as células imunes apenas dentro do próprio tumor. Elas começam a trabalhar no tumor injetado, mas algumas também deixam o local para encontrar e destruir outros tumores no corpo.

Resultados

Para testar a vacina, os pesquisadores transplantaram linfomas em dois lugares diferentes no corpo de ratos, ou modificaram geneticamente os animais para desenvolver câncer de mama.

Dos 90 camundongos com linfoma, 87 ficaram completamente curados – o tratamento foi injetado em um tumor e ambos foram destruídos. Três animais tiveram uma recorrência do linfoma, que desapareceu após um segundo tratamento.

A injeção também foi eficaz em ratos com câncer de mama. Tratar o primeiro tumor quase sempre impediu a recorrência do câncer, e também aumentou a expectativa de vida dos animais.

A equipe ainda testou ratos com linfoma e câncer de cólon, injetando a vacina apenas no linfoma. O linfoma foi destruído, mas o câncer de cólon não. Isso demonstra que as células T são específicas para o tipo de tumor no qual são ativadas. Isso não impede que uma segunda vacina seja administrada no local do outro tumor.

Testes em humanos

O novo ensaio clínico vai recrutar 15 pacientes com linfoma para ver se o tratamento funciona em seres humanos.

Se for eficaz, pode ser usado no futuro em tumores antes de eles serem cirurgicamente extraídos para ajudar a prevenir metástases, ou até mesmo a recorrência do câncer.

“Eu não acho que haja um limite para o tipo de tumor que poderíamos potencialmente tratar, desde que ele tenha sido infiltrado pelo sistema imunológico”, disse Levy.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista Science Translational Medicine. [ScienceAlert]

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