Estrela recém-nascida tem “batimentos” registrados em raio-X

Publicado em 16.07.2012

A estrela “recém nascida” chama-se V1647 Orionis, e não é de fato uma estrela, mas uma “protoestrela” – ela não tem temperatura e densidade suficientes para produzir luz e energia por nucleossíntese estelar, o processo que transforma hidrogênio em hélio, e habita uma nebulosa, a Nebulosa de McNeil, a cerca de 1.300 anos-luz de distância do Sol.

A nebulosa chamou a atenção de astrônomos e astrofísicos em 2004, quando a atividade de V1647 aumentou e iluminou a mesma. Durante dois anos, a protoestrela esteve ativa e então acalmou-se, voltando à ativa em 2008. Desde então, tem se mantido brilhante.

A observação de V1647 começou pouco depois que ela começou a brilhar em 2004, e tem prosseguido até hoje. Desta observação, os astrônomos descobriram que ela tem 5 vezes o tamanho do nosso Sol, dá uma volta por dia, e tem um milhão de anos, talvez bem menos.

Além disso, ela tem dois jatos de raio-X que são alimentados pela nuvem de gás e poeira que a rodeia. São estes os “batimentos” que os cientistas tem observado usando telescópios de raio-X, as rotações indicando que, pelo tamanho dela, a protoestrela está no tamanho máximo para girar com esta velocidade e não se romper pelas forças centrífugas.

Durante os próximos milhões de anos, a estrela será alimentada por gás e poeira até poder gerar sua própria energia, como nosso Sol. O processo de formação acaba, e ela se torna uma estrela. Os astrônomos continuarão a vigiá-la, para descobrir o que puderem sobre seu berço de gás e poeira.[LiveScience]

Autor: Cesar Grossmann

Formado em Engenharia Elétrica, é funcionário público, gosta de xadrez e fotografia. Apesar de se definir como "geek", não tem um smartphone, e usa uma câmera fotográfica com filme (além da digital).

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16 Comentários

  1. Aqui é o Glauco Ramalho, agora com outro usuário e liberado segundo as regras do site!

    César,
    Não tem nada de errado com o modelo na nucleossíntese estelar, tanto que sobre esse modelo fazemos muita coisa ruím aqui na Terra, como a bomba atômica e a energia nuclear. O problema é que não foi assim que a Natureza decidiu queimar hidrogênio nas estrelas!
    A queima do hidrogênio é elétrica e ocorre na atmosfera das estrelas, não no núcleo. O calor e a pressão são providos pelas descargas elétricas estelares. Existem tantas evidências disso quanto da nucleossíntese…

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  2. Um safari dentro de uma grande nebulosa e você verá muitos belos embriões estelares como esse. As estrelas se formam em regiões estudadas pelos astrônomos, as chamadas H2. Em determinadas partes de uma nebulosa, geralmente na direção do centro, os gases vão se aglutinando em acúmulos cada vez mais densos, um processo de acresção, ele não é constante, mas aumenta aceleradamente: quanto mais massa tem, mais a gravidade aumenta, logo mais gases o acúmulo atrai. Mas se for assim, a Estrela não vai agregar a Nebulosa inteira? não. Quando chega num determinado ponto de densidade, a temperatura aumenta no centro e começa a produção de energia, ela contrabalança o peso estelar e o corpo começa a emitir energia na forma do vento estelar – a radiação excita os gases das redondezas e isola o corpo da Estrela: Nasce um Sol. Isso é um processo de milhões de anos.
    Se a estrela nascida agregou matéria em grande quantidade antes que as reações nucleares conseguissem contrabalançar a agregação, ela se torna uma Estrela Massiva, mais pesada que o Sol, como Sírius. As estrelas massivas, por dedução óbvia, nascem onde é grande a massa de gases nebulosos, e por isso as Hipergigantes, da ordem de 50 a 100 massas solares, são relativamente raras e estão sempre em regiões muito densamente nebulares, como Tarântula (nebulosa colossal da Grande Nuvem de Magalhães) e o Complexo de Carina, que fica a 9.000 anos luz e onde vive a famosa Eta-Carina, uma hipergigante com um brilho de 4 milhões de vezes o nosso Sol.
    Astros modestos como as Anãs Vermelhas estão no limiar das estrelas que conseguem massa suficiente para iniciar as reações nucleares, e surgem em regiões mais escassas de material no espaço, e justamente por essa razão são a população estelar mais abundante do cosmos. E o que acontece quando o material não é suficiente? Surgem as Anãs Castanhas (ou anãs marrons), estrelas abortadas, que não agregaram o suficiente para iniciar as reações nucleares. Como seu brilho é débil e é difícil observa-las, não conhecemos tantas mas há frentes científicas que creem serem esses os objetos mais abundantes do cosmos. Tem sido visto Anãs Castanhas em regiões ricas de material, como a Nebulosa de Órion, um contra-sentido ao texto que apresentei, a explicação é que elas se formam por toda a parte, e se a formação de duas estrelas é relativamente próxima em algum momento a mais poderosa pegará a maior parte do material das redondezas impedindo a formação completa de sua vizinha. Quando o processo é comprometido a tal ponto que nem sequer uma Anã Castanha se forma, a última forma é um Planeta Gasoso, que se não for capturado por uma estrela vira um dos, que se acredita serem centenas de bilhões, Planetas errantes, sem sol.
    Voltando as Estrelas que ascendem, depois de formadas, elas tendem a dissipar os gases das redondezas, literalmente desmancham as Nebulosas onde nascem. A procura por Planetas geralmente focam estrelas modestas parecidas como o Sol por causa que elas não possuem um vento tão poderoso, o que permite a formação de planetas a sua volta. Sempre surgem controversas: hora objetos dos mais alucinados do Cosmos, os Pulsares, por vezes se encontra Planetas em sua órbita. Mas são casos mais isolados dentro da natureza cósmica. Os sistemas planetários terão várias formas e estruturas e ainda é, na verdade, cedo demais para tomar um padrão definitivo de formação de estrelas e planetas. :)

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    • jonatas: seus comentários sao ótimos, mas poderia fazer eles um pouquinho mais curtos :)

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    • Mas amigo, tu lê se quiser ler. O meu post está aí e é desse jeito.

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  3. “Durante os próximos milhões de anos, a estrela será alimentada por gás e poeira até poder gerar sua própria energia, como nosso Sol.” Ok , mas Se o Criador dela quiser isso pode ser feito em menos tempo. Antes de me atirarem pedras e dizer que sou criacionista fanático que prega que a Terra e o Universo tem só 6 mil anos, nada disso. O Universo tem sim bilhões de anos. Não sou cientista e a matéria não toca a fundo neste assunto mas, TEORIAS que afirmam que as estrelas, galaxias e tudo mais surgiu por causa de uma explosão aleátoria , não faz sentido. Imagine o frio do espaço , quase zero absoluto, digamos que é verdade que a poeria primordial se aglutinou em varias partes e depois de milhões de anos se aqueceu e devido pressão formou o núcleo de galaxias, estas por sua vez estrelas, algumas muito grandes que explodiram ( e explodem, isso é fato documentado e provado. Ok, mas esse ciclo de esquentar explodir esfriar pra formar planetas, depois uma estrela explodir de novo, é até bonito, porém qual a temperatura no espaço? perto do zero absoluto -273,15 °C … será que todo este processo se auto-sustenta? por mais que as teorias apontem para isso , não acredito. Creio na “mão” do Criador nisto tudo.(por favor não venham debater aqui se Ele se esqueceu dos seres humanos. ) vamos debater as teorias..

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  4. “Durante os próximos milhões de anos, a estrela será alimentada por gás e poeira até poder gerar sua própria energia, como nosso Sol.” Ok , mas Se o Criador dela quiser isso pode ser feito em menos tempo. Antes de me atirarem pedras e dizer que sou criacionista fanático que prega que a Terra e o Universo tem só 6 mil anos, nada disso. O Universo tem sim bilhões de anos. Não sou cientista e a matéria não toca a fundo neste assunto mas, TEORIAS

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    • Contra todas as evidências, inclusive…

      –(editado)–

      Talvez ele não conheça as evidências da nucleossíntese estelar, então vai aqui um material de aula de um curso da Universidade do Texas (o texto abaixo está na última página do arquivo apontado):

      Evidências observacionais da nucleossíntese estelar:

      1. As abundâncias previstas pela teoria concordam com as observações (figura 21.13). Por exemplo, os picos de C, o e Fe, e mesmo os padrões intermediários e os padrões do processo-s. Esta concordância é incrível considerando que não temos muita certeza sobre os detalhes de explosões estelares.

      2. O tecnécio. A produção deste elemento no processo é predita, mas ele é radioativo, e decai em 200.000 anos. Ainda assim ele é observado na atmosfera de algumas estrelas gigantes vermelhas – ou seja, ele tem que ter sido produzido no interior e misturado na superfície, onde a estrela gigante vermelha vai cuspí-lo para o meio interestelar. Esta é uma evidência direta que o processo-s da nucleossíntese ocorre no núcleo das estrelas!

      3. Curva de luz de supernovas (veja figura 21.18): Para supernovas do tipo I, a curva de luz está de acordo com o decaimento radioativo do níquel 56 (55 dias) e o cobalto 56 (78 dias); estes são produtos preditos para a nucleossíntese na detonação de supernovas de carbono. Não vemos realmente o níquel e o cobalto, mas as escalas de tempo do declínio combinam muito bem. E a linha de raio gama emitida pelo cobalto 56 foi observada em uma supernova em outra galáxia.

      Tomados em conjunto, estas são fortes evidências que a teoria da núcleossíntese estelar está correta, e também apóia os modelos para a explosão de supernovas.

    • Tem mais artigos apontando evidências da nucleossíntese estelar. A mais antiga é da década de 1950, um trabalho de Burbidge, Burbidge, Fowler e Hoyle [1] (aliás, uma das maiores contribuições do Fred Hoyle foi justamente a teoria da nucleossíntese estelar). Outra evidência do processo-s de nucleossíntese vem de meteoritos – a presença de SiC contendo traços de elementos mais pesados, assinatura dos processos de nucleossíntese.

      Enfim, é só procurar por “evidences stellar nucleossinthesys” que os artigos, material de aula, livros, revisão de livros, começam a chover.

      Mas não é preciso acreditar em mim e nos trabalhos dos cientistas. Podem haver hipóteses alternativas que explicam todos estes elementos e evidências, é importante manter a cabeça aberta. Só que, por enquanto, estas “hipóteses alternativas” não fazem sequer parte das discussões dos astrofísicos, então um leigo não deveria as considerar como verdadeiras, se a gente seguir o conselho do filósofo Bertrand Russell.

    • César,
      Não tem nada de errado com o modelo na nucleossíntese estelar, tanto que sobre esse modelo fazemos muita coisa ruím aqui na Terra, como a bomba atômica e a energia nuclear. O problema é que não foi assim que a Natureza decidiu queimar hidrogênio nas estrelas!

      A queima do hidrogênio é elétrica e ocorre na atmosfera das estrelas, não no núcleo. O calor e a pressão são providos pelas descargas elétricas estelares. Existem tantas evidências disso quanto da nucleossíntese…

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    • GLAUCO: como?como ocorre na superficie das estrelas? se a fusao do hidrogenio em hélio ocorre no núcleo por causa da altíssima pressao e temperatura? ah tem tem dó vai, vai assistir TV escola que você ta precisando…

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    • TV Escola mew? Só falta vc me pedir prá assistir o Mundo de Beackman.

      Eu estudo coisa muito mais hardcore q vc imagina.

      Já expliquei váááárias vezes como é possível substituir a suposta pressão encontrada no núcleo das estrelas por descargas elétricas.

      As descargas elétricas que ocorrem na atmosfera das estrelas são extremamente poderosas, a ponto de criarem o “Efeito de Pinch”, onde campos eletromagnéticos se tornam tão fortes que fornecem toda a pressão e calor necessários para que o hidrogênio entre em fusão nuclear. Espalhe esse fogo elétrico ocorrendo por toda a atmosfera da estrela e voilá: vc tem o calor e pressão suficientes prá detonar nuclearmente qualquer coisa que esteja nos arredores. No caso no nosso Sol e de outras estrelas, o hidrogênio.

      Se ñ houvessem essas descargas elétricas nós nunca veríamos o Sol interagindo à distância com cometas que passam próximo dele praticamente toda semana.

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    • sabe, nao vou perder mais meu tempo discutindo com vc. T+

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