Experiência de quase-morte: realidade ou alucinação?

Publicado em 21.02.2011

Quando Colton Burpo tinha 4 anos, sofreu uma parada cardíaca e foi reanimado durante uma cirurgia de emergência por causa de um apêndice rompido. Quatro meses depois, o menino começou a dizer coisas estranhas a seu pai, o pastor Todd, e sua mãe, Sonja, sobre sua experiência de quase-morte (EQM).

Tal acontecimento gerou o best-seller do New York Times “Heaven is for real” (Thomas Nelson, 2010), no qual Todd Burpo conta a história da viagem do filho para o céu. Segundo Colton, ele levantou-se da sala de operação, olhou para os médicos e seus pais orando, e flutuou para longe, ao céu, onde conheceu seu avô morto, sua irmã que iria nascer, mas que morreu em um aborto espontâneo, Jesus e Deus.

A julgar pelas vendas do livro, a experiência do garoto na sala de cirurgia foi um grande incentivo às crenças de muitas pessoas religiosas. Mas o que dizer sobre aqueles que não acreditam na ideia cristã do paraíso, mas que também não se sentem confortáveis em chamar um menino de 4 anos de mentiroso?

A questão é: existe uma explicação científica para o que aconteceu com Colton? Estudos recentes parecem mostrar que sim. Um deles, realizado por pesquisadores eslovenos, descobriu que as EQMs são bastante comuns. Cerca de 20% dos sobreviventes de ataque cardíaco relatam eventos tais como se mover em direção a uma luz brilhante, sentimentos de paz e alegria, ou profundas experiências espirituais.

Segundo o estudo, esse grupo de pacientes também apresenta níveis elevados de dióxido de carbono em seu sangue em comparação com pacientes que não tiveram uma EQM, uma condição que causa anóxia, ou privação de oxigênio no cérebro. Anóxia, por sua vez, provoca euforia, visões de túneis de luz, alucinações e outros sintomas típicos da EQM. Em outras palavras, é provável que a anóxia seja a causa dos fenômenos.

Porém, pode ser que esse não seja o fim da história, e um pouco de mistério permanece. Por exemplo, uma pesquisa que está estudando a EQM e experiências fora do corpo na esperança de aprender mais sobre a consciência e a relação entre a mente e o cérebro descobriu, em 2009, que pelo menos 10 a 20% das pessoas que foram trazidos de volta à vida dizem que estavam conscientes, e uma parte delas diz que foi capaz de ver os médicos e enfermeiros trabalhando como se estivessem os olhando de cima.

Segundo os médicos, em experiências de quase morte o cérebro da pessoa fica em estado crítico, de modo que a consciência não deve estar presente. Então, os pesquisadores estão testando a possibilidade de que a mente realmente se separe momentaneamente do cérebro durante a morte.

Eles iniciaram a colocação de placas com símbolos em unidades de terapia intensiva em 21 hospitais de todo o mundo. Os símbolos não são observáveis para as pessoas em leitos hospitalares, mas são visíveis a observadores que olharem de cima para baixo. Durante os próximos três anos, os pesquisadores vão recolher dados sobre os pacientes que tiveram “experiências fora do corpo”, para ver se eles relatam ou não terem visto os símbolos.

A partir disso, os cientistas esperam dar uma resposta definitiva para a questão dos fenômenos fora do corpo: serão eles reais, ou simplesmente alucinações provenientes de um cérebro privado de oxigênio? [LifesLittleMysteries]

Autor: Natasha Romanzoti

tem 24 anos, é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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25 Comentários

    • Há mais de um ano, participei de um eqm . Vi desconhecidos erraram pelo quarto e senti o peso de alguém conhecido cair sobre mim. Para mim foram apenas alucinações (?), causadas por que ? falta de oxigênio. Na ocasião me achava mais para lá do que para cá. Ainda hoje recordo-me de mais detalhes. Conclusões ? Não me arrisco………………

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  1. Existem mais coisas entre o céu e a terra do que pode supor a nossa vã filosofia. Esse é o mistério da fé.

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  2. As EQMs não causariam polêmica não fossem pelas implicações místicas que carreiam. A maioria dos “investigadores” dessa fenomenologia pretende tão-somente confirmar suposições de que a vítima tenha realmente ido ao “outro lado”, observado como são as coisas por lá e retornado para contar histórias fantásticas.

    Mas, é fácil perceber-se as fantasias contidas nesses relatos, pois há clara correlação entre as narrativas e crenças religiosas. Um espírita, por exemplo, encontrará amigos e parentes esperando por ele e falando de reencarnação; um cristão tende a deparar Jesus Cristo, ou vislumbrar o paraíso; um que não tenha fé definida poderá “ver” uma mistura de tudo o que ouviu sobre o além.

    Nesse tipo de investigação, seria necessário também levar em conta os que não “vêem” coisa alguma e os que vêem coisas que não tenham conotação transcendental, e incorporar tais reações ao conjunto da dados a serem analisados. Seria esse corpo de informações que nortearia as conclusões teóricas sobre o fenômeno.

    Entretanto, boa parte dos escritores, senão todos, que fazem sucesso interpretando misticamente as EQms selecionam somente as experiências que apóiem a suposição de que uma vivência de quase morte seja efetivamente excursão ao além. Tal procedimento não pode ser chamado investigação, significa “forçar a barra” para que a realidade se adeque à crença.

    No caso do garoto, pode ser que o menino tenha tido vagas percepções de coisas espirituais, reflexo do que aprendera no seio da família; e seus pais, espertamente, transformaram as poucas informações que o garotinho dera em lucrativa história…

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  3. As EQMs não seriam polémicas se não fossem as implicações anti-ateístas.

    Quando várias pessoas do todo o mundo nos relata que adquiriu verdadeira informação quando o seu corpo físico estava clinicamente morto, não há explicação mais razoável e consistente com os dados do que inferir que o ser humano tem uma componente imaterial juntamente com a material.

    Mas como isto contradiz o ateísmo, então já se torna “polémico”.

    * Como é possível que pessoas CEGAS afirmem terem VISTO durante a sua EQM ? Foi isso “falta de oxigénio no cérebro”?

    * Como é possível que pessoas se dirijam às suas casas e vejam o que se está lá a passar, e depois voltem para o seu corpo e reportem EXACTAMENTE o que viram?

    A ciência claramente mostra que há realidade que vai para além do mundo físico, mas como isso não interessa a pessoas motivadas pelo naturalismo, essas mesmas pessoas decidem que as pessoas que sofreram uma EQM estão erradas em relação às suas próprias experiências.

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    • Pura falta de oxigênio :x

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    • Infelizmente, amigo, falde de oxigenio causa vários tipos de alucinações sim…
      Quanto aos exemplos que voce deu, são só relatos, estorinhas que nunca poderão ser provadas…
      Ao contrário da falta de oxigenização no cérebro, que voce mesmo pode tirar a prova à qualquer momento…

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    • Perfeito o comentários do Mats.

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    • Se fossem alucinácões o pessoal descreveria luzes piscando, sombras se movendo, coisas desfórmicas, etc. Mas não, muitos relatos são histórias relativamente longas, conversas, etc. Existem até relatos de pessoas que descreveram nomes de pessoas em quartos ao lado, acidentes fora do ambiente ou viram coisas que seria impossível descrever não estando vendo pessoalmente.

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    • Falta de oxigênio no cérebro, apenas, aí começa a afetar o funcionamento dos neurônios já que precisam de tal para efetuar a respiração celular e conseguir ATP, a sua energia.

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  4. Algumas pessoas facilmente acreditam que podem dizer coisas sobre a alma, essa hipotética concepção, da qual nada se sabe. Então, ficam a imaginar que a tal alma seja uma fumacinha esperta, que carrega consigo as principais qualidades do ser, quais, memória, consciência, visão, audição e juízo; além de ser capaz de pairar sobre o corpo depauperado e de lá observar o que se passa ao redor. Ainda, têm certeza de que essa alma seja capaz de ir “ao outro lado”, dar uma olhadela no que se passa por lá, falar com alguns parentes e amigo, e depois se reincorporar à vida terrena como se houvera realizado uma mera excursão à Disney, ou ao parque Shangay…
    .
    Só Jesus…

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  5. Até agora, olhando a marcação “gostei” e “não gostei” dos comentarios, da pra notar que de todos que chegaram a ler os comentarios apenas 3 não são ateu.

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  6. Caramba, como o ser humano se esforça e é inventivo para encontrar desculpas ou explicações para o que não aceita, para o que não acredita, para o que não crê… Quem tem experiência de quase morte nos dá explicações claras, prova que saiu do corpo e VIU e OUVIU o que outros estavam a falar, a conversar, mesmo a uma grande distância! Isso JAMAIS pode ser alucinação! E quando chegam ao ponto de contato com antepassados, parentes “falecidos”, seus relatos são claros, não confusos, como seria o caso de alucinações. Mas é a velha história: quem não acredita em Deus, vida após a “morte”, “fantasmas”, sempre tem uma “explicação” na ponta da língua!…

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  7. Oi, Lisandro:
    O tema é muuuuuito antigo. Basta pesquisar, até mesmo no Brasil, com o médico Waldo Vieira, que é mestre no assunto.

    Mas já que vale copiar/colar e não explicar, aqui vai um texto colhido na Wikipédia:
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Vida_depois_da_Vida

    “…A partir do estudo descrito no livro, e com o auxílio dos depoimentos de cerca de 150 pessoas que sofreram de morte clínica ou aos quais havia sido diagnosticado que tinham quase morrido, Raymond Moody concluiu que existiam nove experiências comuns à maioria das pessoas que passaram pela experiência de quase-morte, tais como:

    1. Ouvir um zumbido nos ouvidos;
    2. Um sentimento de paz e ausência de dor;
    3. Ter uma experiência fora do corpo;
    4. Sentir-se a viajar dentro de um túnel;
    5. Sentir-se a subir “pelos céus”;
    6. Ver pessoas, principalmente familiares já falecidos;
    7. Encontrar seres espirituais, por vezes identificados como sendo Deus;
    8. Ver uma revisão do decurso da própria vida, desde o nascimento até à morte;
    9. Sentir uma enorme relutância em regresso à vida.”

    O item 6 é o que mais me chama atenção e comprova a obra de Chico Xavier.

    Podem cair matando!

    Fui.

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    • Ae, Pata (me desculpe a intimidade no trato – rsrs) mas seu comentário valeu.

      Posso garantir a vcs a existência do mundo invisível, pois já comprovei algumas quantas vezes a realidade do fato. Pra mim é inquestionável e certo que há algo além da nossa própria matéria.

      Não tenho religião nenhuma, mas tenho religiosidade: sou um ser espiritualizado e acredito que o que o que nos anima, o sopro que nos dá vida aqui nessa dimensão permanece. Há uma ordem por trás do aparente caos.
      Uma espécie de consciência cósmica que chamamos Deus.

      Um dia chegaremos lá e tiraremos nossas dúvidas. Ninguém escapa disso.

      Enquanto isso não acontece vamos tentar de verdade andar no caminho da luz, praticando o amor ao próximo, a caridade, o serviço, enfim…
      Vamos nos lembrar de que a virtude conhece o vício, mas o vício jamais poderá conhecer a virtude.

      Namaste

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  8. Mas alucinógenos não faz você ver as detalhes de coisas estando desacordado e insconciente, ou ver coisas que acontecem em outro local do hospital ou na rua, como várias pessoas já relataram, detalhes esses que foram confirmados depois.

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  9. O cérebro sob condições anômalas como essa, passa a operar também de forma anômala, gerando tais imagens surrealistas.
    Lsd, peiote e outros alucinógenos também causam efeito semelhante. É alucinação !

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  10. Ninguém gosta da verdade, Lisandro…

    Aliás é interessante, as pessoas que dizem ter fé em deus e em vida depois da vida precisam de provas, se agarram a qualquer fenômeno, e tem esperança que eles permaneçam misteriosos, não explicados, para poder dizer que provam a fé deles. Que fé tão fraca é esta que precisa de provas, e que não suporta que se analise estas provas com o olhar crítico e cético da ciência? Que medo é este de descobrir que o arco-íris é só um fenômeno óptico, e não um caminho para o paraíso?

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  11. Lisandro, que confusão de conceitos! O “Arebatamento” não tem nada a ver com EQM, vai ler a Bíblia e descobre o que é antes de falar sobre ele. A EQM pode ocorrer durante o efeito G e nunca foi chamada de “Efeito G”.
    Se quer arrotar conhecimento, pare de copiar textos prontos e misturar com conceitos equivocados e vai estudar!

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