Tá encarando o quê?

Publicado em 9.04.2013

staring contest

Segundo um novo estudo da Universidade de Sydney (Austrália), as pessoas frequentemente pensam que outras estão olhando para elas, mesmo quando não estão.

Os pesquisadores explicam que, quando em dúvida, o cérebro humano é mais propenso a dizer a seu proprietário que ele está sob o olhar de outra pessoa.

“Percepção de contemplação – a capacidade de dizer o que uma pessoa está olhando – é uma pista social muitas vezes pouco valorizada. Julgar se os outros estão olhando para nós pode até vir naturalmente, mas não é tão simples assim”, afirma o professor Colin Clifford, da Escola de Psicologia da Universidade de Sydney.

Nosso cérebro tem que trabalhar muito por trás das cenas para saber se estamos sob o olhar de alguém. Primeiro, nós notamos a posição dos olhos e a direção da cabeça desse alguém. Estas indicações visuais são então analisadas em áreas específicas do cérebro.

O problema é que o cérebro não recebe passivamente as informações dos olhos. Segundo o estudo, quando as pessoas têm pistas visuais limitadas, como em ambientes escuros ou quando a outra pessoa está usando óculos escuros, o cérebro faz suposições com o que ele realmente “sabe”.

Os pesquisadores criaram imagens de rostos (neles, era difícil dizer para onde os olhos apontavam) e pediram aos participantes para dizer para onde os rostos estavam olhando. Por causa da dificuldade, as pessoas tinham que confiar em seu conhecimento prévio para julgar a direção dos olhares. Na maioria dos casos, elas acharam que os rostos estavam olhando em sua direção.

“Tendemos a acreditar que os outros estão olhando para nós, especialmente quando estamos incertos”, concluiu Clifford.

Suposições ameaçadoras

A ideia é de que nossa percepção não envolve apenas pistas visuais – nossos cérebros geram suposições a partir de nossas experiências e as combinam com o que viram em um determinado momento.

“Há várias especulações de porque os seres humanos têm este viés”, disse Clifford. “O olhar direto pode sinalizar dominância ou uma ameaça, e não podemos perder de vista uma ameaça”.

Assim, supor que a outra pessoa está olhando para você pode ser apenas uma estratégia mais segura.

“Além disso, o olhar direto muitas vezes é um sinal social de que a outra pessoa quer se comunicar conosco, um sinal para uma interação próxima”, explica.

Há evidências de que os bebês têm uma preferência para o olhar direto, o que sugere que essa tendência é inata.

“É importante que saber se esse é um comportamento inato ou aprendido, e como pode afetar pessoas com determinadas doenças mentais”, comentou Clifford. “Pesquisas mostram, por exemplo, que as pessoas que têm autismo são menos capazes de dizer se alguém está olhando para elas. Pessoas com ansiedade social, por outro lado, têm uma maior tendência a pensar que estão sob o olhar dos outros. Se esse for um comportamento aprendido, podemos ajudar essas pessoas a praticar esta tarefa, dando-lhes feedback sobre se as suas observações são precisas”.

O estudo foi publicado na revista Current Biology.[MedicalXpress]

Autor: Natasha Romanzoti

tem 25 anos, é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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