A adição de algas cor-de-rosa à alimentação do gado elimina suas emissões de metano

Por , em 16.09.2019

Talvez você não soubesse, mas os cientistas sabem há muito tempo que os gases emitidos pelo gado, ovelhas e porcos contribuem significativamente para o aquecimento global.

Do que estamos falando? Principalmente do metano que sai de arrotos, puns e cocô de bovinos. Existem cerca de 1,5 bilhão de vacas e bois no planeta, cada um deles expulsando mais de 30 a 50 galões de metano por dia.

Para piorar tudo, o metano é cerca de 30 vezes mais eficiente na captura do calor radiante do sol do que o dióxido de carbono, normalmente o culpado número um pelo efeito estufa. Pode haver mais CO2 na atmosfera do que metano, mas, isoladamente, o metano é o gás de efeito estufa mais destrutivo.

Se as pessoas conseguissem comer menos carne, já seria uma grande coisa – diminuiria as pastagens de gado e suas emissões. Mas como sabemos que isso não vai acontecer tão fácil (e, principalmente, nem tão rápido), os pesquisadores estão buscando outras soluções para contrabalancear toda essa emissão.

Algas cor-de-rosa

Uma dessas soluções não é só prática, como também muita bonita: a alga cor-de-rosa Asparagopsis. Ela cresce naturalmente na costa da Austrália, e por lá vacas já a procuram por conta própria, o que sugere que o alimento é apetitoso ao seu paladar.

Isso é excelente, pois um estudo da Organização de Pesquisas Científicas e Industriais da Austrália (CSIRO) descobriu que a adição de pequenas quantidades da alga cor-de-rosa às dietas das vacas pode eliminar os micróbios intestinais responsáveis pela produção de metano dos animais, efetivamente anulando-a.

Outra notícia boa é que só 2% da dieta total das vacas precisa ser de Asparagopsis para que se atinja um resultado ideal.

Como cultivá-la

Pesquisadores da Universidade de Sunshine Coast, na Austrália, estão atualmente tentando escalar a produção de Asparagopsis para atender a um potencial mercado global.

No momento, ainda é necessário aprender mais sobre como cultivar a espécie marinha, porque não adianta nada suplementar a ração de vacas para eliminar o metano produzido por elas e aumentar as emissões de gases nocivos com o cultivo de algas.

“Essa alga tem causado muito interesse global e as pessoas ao redor do mundo estão trabalhando para garantir que as vacas estejam saudáveis, a carne e o leite sejam de boa qualidade. O único passo em falta, a grande coisa que vai garantir que isso funcione em escala global, é garantir que possamos produzir as algas de forma sustentável”, disse Nicholas Paul, um dos pesquisadores da Universidade de Sunshine Coast. [BoingBoing]

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