A jornada da mulher que perdeu metade de seu peso

Por , em 26.03.2012

Quando Julia Kozerski via uma câmera, fazia de tudo para sair de seu caminho: se escondia atrás de outras pessoas, ou se oferecia para tirar a foto para evitar ser fotografada.

Para ela, no auge de seus 153 quilos, era uma vergonha alguém ter sua fotografia. “As fotografias mostram a verdade. Elas te assombram”, disse.

Mas quando Julia se casou, em 2009, ela teve que enfrentar a câmera por razões óbvias, como toda noiva tem. “Eu não tinha tirado uma única foto em 10 anos”, conta.

Quando ela viu as fotos de seu casamento, não conseguiu enxergar a felicidade. “O que eu vi foi alguém com medo da câmera. Não era eu”, disse.

Seu medo de ser fotografada está para trás agora, como é possível concluir do ensaio fotográfico que narra sua perda de peso, chamado “Half” (“Metade”).

Apesar da sociedade do Photoshop em que vivemos, Julia se mostra como é nesse ensaio, sem maquiagem, sem efeitos especiais, sem nada.

Nas fotos, enfrenta um espelho, uma balança e uma geladeira abastecida com alimentos. “Elas servem como reflexões da minha experiência e mostram minha luta física e emocionalmente dolorosa contra a obsessão por comida, autocontrole e autoimagem”, disse a estudante de fotografia.

Julia veio de uma família com um histórico de problemas de peso e cresceu comendo fast food. A família fez tentativas desanimadas de perder peso com milk-shakes para emagrecer e Vigilantes do Peso, mas esses esforços fracassaram. “Eu nunca tinha sido introduzida a uma dieta ou alimentação adequada”, disse ela.

Quando Julia se casou, seu índice de massa corporal era de 49,9 (um IMC acima de 30 é considerado de uma pessoa obesa). Quando ela viu as fotos de seu casamento, foi a gota d’água.

Cansada de se sentir triste, Julia começou um blog de emagrecimento e usou um contador de calorias online para controlar sua dieta. Parou de comer fora e beber refrigerante, e começou a comer mais frutas e verduras.

Ela também começou a se exercitar em pequenos passos – andando com seu cachorro todos os dias, pegando escadas em vez de elevadores e estacionando longe das lojas.

Quando ela iniciou sua perda de peso, escolheu seu projeto pessoal para virar um trabalho de fotografia. Ela fez closes de suas costas e seu abdômen, fotos sem rosto que ela trouxe para as aulas.

As imagens chocantes provocaram conversa. “Esta é uma história com a qual as pessoas se relacionam”, disse ela.
Todo mundo tem algo a esconder, algo do qual se envergonha. Julia aos poucos começou a mostrar sua cara nas fotografias, incentivando sempre uma discussão interessante.

Seu marido, família e amigos questionaram porque ela estava se expondo publicamente. “Mas logo meu marido começou a entender as emoções, embora eu não pudesse verbalizá-las”, conta Julia. As fotos foram seu meio de expor o que sentia.

A maneira com que a garota apresentou sua jornada é “reveladora em todos os sentidos”, disse a especialista em imagem corporal Robyn Silverman.

A sociedade tem uma posição definitiva sobre o que significa ser gordo. As pessoas associam a palavra “magro” com palavras positivas, como popular, sexy, e “gordo” com características como preguiça, feiura e falta de controle, de maneira que “a gordura não é mais um descritor de peso e tamanho, mas uma avaliação de caráter”, explica Silverman.

As palavras que Julia usou para descrever seu corpo nas fotos – como “ruínas” – servem como “um lembrete da sensação de inutilidade, de não ser suficientemente bom” e como ela e outras pessoas que estão acima do peso ou obesas lutam com estas etiquetas de caráter.

Segundo a Dra. Silverman, Julia era apenas mais uma das pessoas que tinha a mentalidade de que “a grama do vizinho é mais verde”, e de que tudo ficaria bem depois que ela perdesse peso.

“Não está relacionado a um número ou tamanho, como eu pensava”, disse Julia. “Eu percebi que é sobre quem você é. Se você está confiante e saudável, é aí você quer estar e é onde você precisa estar como pessoa”.

Ela perdeu 72 quilos – essencialmente, o peso de outra pessoa – e manteve o seu novo peso por um ano. Não foi preciso um exército de nutricionistas, personal trainers e especialistas.

“Eu sou apenas uma garota comum que percebeu que estava infeliz consigo mesma e com a saúde e fez mudanças simples de estilo de vida. Antes, eu era horrorizada com imperfeições, e agora vejo as imperfeições como cicatrizes de batalha. Estou orgulhosa do que eu passei e do que tenho feito”, conta Julia.[CNN]

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14 comentários

  • Bruna Paiva:

    Para ver as fotos, basta pesquisar “julia kozerski half” no google imagens.

  • Luciane:

    Gente, nao sei bem nem por onde começar, mas o q me marcou foi a expressão do rosto dela, a tristeza no olhar, parece nos tocar na alma. Ao ver as fotos fiquei chocada num todo, a gordura, a flacidez, a deformação da forma do corpo feminino, bem como, aff…me parei, refletindo em como desconto na comida minhas tristezas e frustações, como facilmente chegamos no estagio em q ela se encontrava e penso como ela é forte para se manter determinada. A experiencia dela me encoraja na minha jornada para emagrecer! Obrigada por postar sua luta!!!

  • eulalia Reis:

    Não gostei não! Tinha que mostrar a foto antes e depois … e pelo visto a auto estima dela não melhorou em nada! A gordura era uma desculpa! Fala sério! Fui … Eulália Reis ….

  • gloria:

    E quem disse q uma pessoa muito gorda quando emagrece fica bonita e c\ alta estima? O regime p\ se manter magra provoca mal humor,muita fome, depresão e outros incómodos, o dia q ela provar a comida do resto da familia vai engordar de novo, claro q ñ tanto como era antes, mas, q vai isso vai!Aí começarão os prablemas q ela sempre teve.Ela se revela uma pessoa q super valoriza a “casca” e se justifica o tempo todo, cada um faz o q quer ,existem milhares de magros infelizes assim como existem gordos felizes .A alto estima não esta numa fita métrica e nem num prato de salada, Está em aprender a conviver c\ a diferença e aceitar as coisas como verdadeiramente são!

  • alx:

    Eita Anita, a maioria das fotos ela ta pelada kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  • alx:

    Confesso q tambem esperava ver as fotos affffffff

    Olá
    Poderá ver as fotos neste enderêço:
    http://juliakozerski.com/half

  • Maurício:

    Força de vontade. É preciso se manter vigilante, até que os hábitos saudáveis se instalem. Isso pode demorar anos.

  • Anita:

    Achei o blog dessa moça, com certeza ela não só está superando o problema de peso, mas tb de muitas outras coisas que perturbam a mente, admiro pessoas assim. Não é fácil…
    http://juliakozerski.com/half

  • Anita:

    Sim, cadê as fotos dela?

  • Andiele:

    Se não rolou uma cirurgia estética depois, imagina o que aconteceu com a ‘pele extra’. :S

  • Jusé:

    perfeita a colocação: A sociedade tem uma posição definitiva sobre o que significa ser gordo. As pessoas associam a palavra “magro” com palavras positivas, como popular, sexy, e “gordo” com características como preguiça, feiura e falta de controle, de maneira que “a gordura não é mais um descritor de peso e tamanho, mas uma avaliação de caráter”, explica Silverman.

    e realmente, ninguem gosta de ser gordo mas porque continua gordo? preguiça pura. perdi 15 kg esse ano que ganhei ano passado estudando, é dificil pois temos que nos esforçar, quem nao perde é pq não quer se esforçar….

    • Espectro:

      Concordo plenamente, Lavoisier já dizia que na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Então não adianta vir com papo de que tem problema glandular, porque isso é muleta para justificar as visitas à geladeira. Também tenho problema de obesidade e estou vencendo com alimentação saudável e exercícios – não acredito em dieta, mas sim em reeducação alimentar.

    • Sanzinha:

      Jusé…Vc emagreceu 15kg este ano?? Em 3 meses??? Como???

    • 3dx:

      olha eu tenho 14 anos e peso 35kg (muito magro) mas não sou disléxico, eu como bastante apenas não engordo, e não pratico atividade física fico no pc e estudo o dia inteiro.
      Eu acho que é pq quando eu pratico esportes eu corro muito e as comidas se anulam resultando no meu peso.

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