Contra o aborto mas a favor da pena de morte

Por , em 23.03.2013

No Brasil, muitos são contra o aborto ao mesmo tempo em que são a favor da pena de morte. O que não faz sentido algum. Veja, por exemplo, aquele assassino em série que hoje é julgado por muitos que não se conformam ao vê-lo preso e vivo, já foi um inocente feto no ventre de sua amada mãe. Desta forma, o que afinal é o direito à vida? É proteger um feto, e favorecer a morte de alguém que agiu extremamente errado aos olhos de quem o julga? Quem somos nós para julgar alguém? E ao mesmo tempo, quem somos nós para acreditar que temos o direito de influenciar drasticamente na vida de uma mulher que não quer ser mãe, apesar de estar grávida? Quem garante que este feto ao nascer, será uma pessoa feliz com a sua “família”? Será que ele vai ter uma boa educação? Uma mãe e um pai de 13, 15 anos serão pais capazes de gerar uma pessoa adulta que saiba o que é a vida? Isso se os pais assumirem o seu “papel”, visto que nestes casos, quem acaba sendo responsável são os avós.

É muito fácil exclamar: Nossa! Só um monstro é capaz de querer tirar a vida do próprio filho! Eu sou contra o aborto! Quem a mandou não tomar cuidado! É… Julgar é mesmo muito bom afinal, pimenta nos olhos dos outros é refresco, certo? Da mesma forma é muito bonito parecer herói ao dizer: Sou a favor da pena de morte! Quem poderá viver em paz enquanto aquele assassino estiver vivo?

Pois digo uma coisa, a sensação que se tem ao parecer o mocinho (a) da história deve ser mesmo muito boa, afinal, é tão boa pessoa aquela que defende o direito à vida, e julga aquele que age errado… Luis Fernando Veríssimo disse uma vez, e eu particularmente, concordo: “É “de esquerda” ser a favor do aborto e contra a pena de morte, enquanto direitistas defendem o direito do feto à vida, porque é sagrada, e o direito do Estado de matá-lo se ele der errado”. Ou seja, é “papel do protagonista” tirar o direito à vida de gente que comete erros graves , e defender a vida de alguém que não será bem-vindo à vida. A vida de cada um é algo a qual não nos compete decidir o direito de ser ou não vivida. Por estas, e outras, não acho que o aborto deva ser visto como ação monstruosa da parte de alguém, enquanto muitos por aí se acham no direito de matar. É claro, muito deve ser analisado, e pensado. Afinal, se o aborto for legalizado, corre-se o risco deste País sem educação moral e social, se transformar em um mar de sangue fetal, ao qual já corre bastante sangue de outras “causas”.

Recentemente, no Uruguai o aborto foi legalizado, e a seguinte frase foi dita pela senadora Monica Xavier, presidente da Frente Ampla à BBC Brasil: “Este é um primeiro passo de avanço. Entre 1934 e 1938, o aborto foi legal no Uruguai. E, desde a reabertura democrática (1985), todas as legislaturas apresentaram projetos a respeito. Sentimos que se trata de uma questão de direito, estamos convencidos de que se deve continuar com a luta pela autonomia da mulher”. Os procedimentos necessários incluem a ida da gestante ao médico para que este a analise e a encaminhe a um psicólogo, ginecologista, e assistente social. Tendo sido analisada pelos médicos responsáveis, depois de cinco dias de reflexão, está deverá apresentar a decisão e o aborto será realizado de maneira imediata, em hospitais públicos ou privados, sem maiores problemas.

Mas quando começa a vida humana? Tal resposta é influenciada por fatores e princípios religiosos, morais, jurídicos, científicos, etc. Enquanto para alguns, a vida se inicia no momento da fecundação, para outros, se iniciaria somente com a fixação do embrião na parede do útero, ou, ainda, somente com o desenvolvimento do sistema nervoso. Por fim, subsistem aqueles para quem a vida somente se inicia com o nascimento.

Se for dever da sociedade proteger o direito à vida (e ao nascer), porque a pena de morte é tão sugerida por muitos que concordam com o direito à vida? Será que realmente aqueles que se julgam tão bons ao lutarem pelo direito à vida estão realmente criando asas de anjos ao serem também a favor da pena de morte? O radicalismo nunca foi a maneira mais inteligente de se pensar, por isso, o Brasil, dentre muitos outros países, precisa muito ter determinadas conceitos mais do que revisados.

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (4 votos, média: 3,25 de 5)

31 comentários

  • Thel Martins:

    Cada um tem seus motivos… Sou a favor uma vez que eu não tenho nada com as razões dos outros!

  • Ady Ferrer:

    Não acho que a morte seja a solução de nada, sou contra o aborto e contra a pena de morte. Mas não é por eu ser contra que eu vou forçar alguém a ser também. Eu não faria um aborto, me apertaria ao máximo pra dar uma boa vida pro meu filho, mas se outra mulher não quer ou não pode ou não vê melhora de sua situação, por que a minha opinião e a minha escolha deveriam importar? O que eu acho é o que eu vou levar pra minha vida, não é o que eu vou impor na vida dos outros.

  • Hugo:

    O que faz mais efeito num país com pena de morte não é a pena de morte em si, e sim o medo de ser condenado a ela. Mas usam muito o argumento de que um inocente ser condenado à pena de morte anula a aplicação dela.

    Vamos fazer uma conta bem simples:

    Vamos considerar que foi legalizada a pena de morte no Brasil e o número de condenações no ano seja igual à média americada nos últimos 30 anos: 25 executados/ano. Vamos considerar ainda um índice extremamente absurdo de 2 inocentes a cada 10 condenados (!), então seriam 5 inocentes condenados por ano.

    Média de homicídios no Brasil nos últimos 30 anos: 36.000/ano

    Se a aplicação da pena de morte reduzir o número de homicídios no Brasil em mízeros 0,5% (dado também absurdo, seria muito mais que isso), teremos 175 inocentes a menos sendo assassinados no Brasil.

    Conclusão: a pena de morte pode matar um inocente, mas vai salvar muito mais do que matar. um inocente (que pode ser eu, meus familiares, vocês, etc) tem muito mais chance de ser assassinado nas ruas daqui do Brasil do que ser condenado injustamente à pena de morte.

  • nikapinika:

    Sou pessimista quando o assunto é “discussão da legalidade do aborto no Brasil”.
    Acho que não há possibilidade de discutir tal tema enquanto esta demanda estiver na mão de líderes machistas, sejam eles homens ou mulheres, moldados por uma cultura que prega que os direitos das mulheres são restritos às vontades, morais e desejos de homens, sejam eles maridos, pais, líderes, chefes…
    Eu realmente não vejo com seriedade as opiniões masculinas que falam em “irresponsabilidade da mulher”, “gravidez compulsória” e semelhantes, visto que não pesa sobre tais homens uma gravidez indesejada, embora contribuam com material genético na mesma medida para a concepção de um novo ser.
    E vejo com tristeza comentários femininos altamente machistas a este respeito, como se uma mulher fosse uma imunda ao fazer uso de seu próprio corpo e engravidar sem desejo.
    Se o desejo em ser mãe fosse o fator determinante para a gravidez, concordaria completamente com este panorama, afinal, era só não desejar engravidar e o sexo sem reprodução estaria garantido. Mas a biologia de nossos corpos não funciona assim.
    Estupradas engravidam, mesmo sem querer. Adolescentes também. Mulheres que não querem ser mães por qualquer outro motivo, igualmente. A pílula, a camisinha, o DIU, a tabelinha, a ligadura de trompas etc não deixam de falhar quando a mulher decide não ser mãe, seja por saúde, segurança, liberdade.
    Eu mesma não quero sê-lo. Uma doença em minha família que atinge os homens é um dos motivos. Mas essa não vontade não será capaz de impedir uma gravidez se os recursos contraceptivos falharem. E, do ponto de vista machista, serei eu um monstro se quiser interromper a gravidez de um feto que entrará em uma espécie de estado vegetativo antes do término da adolescência. A vida deste ser, a minha, a de seu pai, a da família seria drasticamente afetada. Mas a monstruosidade moraria, justamente, em evitar tudo isto.
    Ou, uma mãe que não tem a menor condição de criar uma criança, lhe falta o sustento próprio, por exemplo, seria um monstro ao interromper a gravidez. Mas estaria mais certa ao ter um filho e não lhe oferecer um subsistência digna, com abrigo, alimento, tempo, educação.
    Não falo em momento em que se inicia a vida no útero; há um compêndio científico a respeito, que norteia sagazmente a discussão. Vejo estas bases como suficiente para criar em mim a aceitação da interrupção da gravidez quando ela ainda está em seu início.

  • Inês Cristina:

    A decisão sobre aborto não é do estado, é exclusivamente da mãe bem como todas as consequências deste ato em todas as esferas. Prova disso é ver que o aborto acontece independente de ser legal ou não. A obrigação do estado é antes de mais nada proporcionar segurança, saúde e educação para que sempre se decida pela vida. Se isso é negado ao longo de toda a formação humana, pena de morte acaba sendo a questão indesejável para o estado ter que resolver no final.

  • Hsl:

    Vamos considerar um exemplo factual, dentre vários outros: A mulher sai para balada, brinca, dança,e no final conhece um cara, dormem juntos, e depois de algum tempo descobre que está grávida. E aí ela vem querer abortar. Como posso apoiar o aborto??? Apoiar irresponsabilidade é certo? Ser conivente com pessoas que no auge do prazer esquecem das consequencias de seus atos??

    • Hugo:

      Não, não devemos passar a mão pela cabeça destas pessoas. Mas a solução é castigá-los com uma criança?

      Para não virar-se contra a sociedade, a criança precisa ser um presente, e não um castigo….

  • Safira Cris:

    Já passei bucados discutindo sobre isso é acho um absurdo aqui no Brasil eu ser proibida de fazer um abordo por causa da ignorância de outros, o que me adianta eu ser uma cidadão consciente, pagar meus impostos, fazer tudo certinho dentro da lei, não prejudicar os outros, mas os ”outros” terem o direito de me prejudicar com suas opiniões morais que não são bem vindas, por que não ajudam em nada na minha vida? ou seja ”não pagam minhas contas e nem meu dever de cidadã”. Eu aos 25 anos sou uma pessoa consciente, desde muito cedo não decidi ter filhos, e tomo os devidos cuidados para isso, mas e se aconteceR?? como esses dias quando eu achei que algo deu errado em meus cuidados e eu estava realmente, ai que me veio a questão na cabeça o que eu faço??? Sinceramente suas opiniões contra só estão prejudicando quem é a favor, por que eu sinceramente se ficar faço o caramba a quatro para não ter até ir para o Uruguai eu vou, POR QUE EU NÃO QUERO! agora simplesmente eu poderia ir em um hospital publico, conversar com o médico ter todo o amparo necessário e NÃO CORRER RISCO DE MORTE, se por acaso eu não tivesse interferências IGNORANTES de pessoas que não respeitam a opinião DIVERSIFICADA DE OUTROS.

    • Inês Cristina:

      Quando as pessoas dão suas opiniões estão na verdade se posicionando caso acontecesse com elas e não com você. Todos tem o direito de opinar e sendo esse um assunto de grande responsabilidade e de âmbito nacional, deve ser questionado. O problema é que você parece estar levando o assunto para o lado pessoal isolando uma possível situação que nem aconteceu ainda mas caso você falhe no seu controle possa acontecer. Nesta situação pergunto a você quem realmente está sendo ignorante? Se você encarar a vida desta forma, nem nos melhores hospitais e com os melhores médicos estará livre do risco de morte. A vida acontece somente num sentido e pra mim você está na contramão.

  • Walter:

    E´um tema complexo,mas o que dizer de mães que não abortam ,mas descartam seus filhos em sacos de lixos,caixas de sapatos ,ou que vivam certas crianças em ambientes hostis ,pais drogados,jovens gravidas sem a devida experiencia de vida,lares estilhaçados pela bebida,pais violentos ,antes seria melhor não terem nascidos e nem gestados .É uma faca de dois gumes.Seria licito igual Madre Tereza de Calcuta,que idolatrava o sofrimento e a morte de pobres coitados ,crianças mesmo e condenava o uso de contraceptivos arguindo que o sofrimento e a morte eram portas ao paraiso ,não seria isto pior que condenar o aborto?Tem algo de errado na moral e na logica irracional ai .Deixar gestar ,depois vir a existir nas piores condições humanas e na crença de um céu ficticio deixarem morrer sem os devidos cuidados e os minimos fatores humanitarios.Lamentavel mesmo..

  • vantuiljose:

    Tava aqui lendo esse texto e olhando para o meu filho de um ano e pensando o quanto foi difícil quando minha agora esposa ficou grávida.
    Eu estava no início do meu mestrado, e minha esposa era bolsista de projeto de pesquisa. Nosso relacionamento não estava tão bem. A gravidez foi um vacilo nosso, mas enfim aconteceu.
    Fico pensando se o aborto fosse legalizado, existiria uma possibilidade de fazermos o aborto, já que o momento era tão difícil.
    Agora olho pra ele e penso que tamanha barbárie seria se tivéssemos feito isso! Não existe nada maior ou melhor no mundo do que ter um filho. E quem somos nós pra julgarmos se eles podem ou não viver, muita hipocrisia achar que podemos fazer isso!
    Esse assunto tem que ser muito pensado, e o aborto só deve ser considerado em casos extremos! Não é certo matar alguém alegando que ele provavelmente será um bandido (o que pra mim é uma idiotice descabida)! Se assim fosse, deveríamos matar qualquer humano!
    Os avós são capazes de dar muito amor para uma criança, e ainda existem inúmeras famílias que querem adotar filhos, não certo matar alguém alegando a liberdade de outra pessoa!

    • Marcelo Ribeiro:
      Você e sua esposa já tinham alto nível educacional em comparação com todo o resto da população. A maioria das meninas que engravida está no ensino médio e a gravidez é, para a maioria, uma sentença de uma vida de dificuldades financeiras e todos os problemas que vem junto com baixo nível educacional. Grande parte delas tem que assumir a responsabilidade sem a ajuda dos progenitores.

      Hoje seu filho tem um ano e este tempo todo levou você a construir uma conexão com esta pequena pessoa. Quando ele era um amontoado de células, não era uma pessoa… em mais de um sentido.

      Apesar de eu compreender esta conexão emocional, já que tenho um filho e ele é a maior parte de minha vida, ela não corresponde à realidade da nação e não é um argumento válido para legislar sobre o direito da mulher.

  • Eduardo Alves:

    A diferença, HypeScience, é que o bebê não cometeu crime.

    • Marcelo Ribeiro:
      Feto e bebê são coisas distintas. Biologia do fundamental ensina.
  • Roberto Machado Borges Machado:

    sou a favor o aborto e a pena de morte por que não acho justo o matar alguém e ir pra cadeia comer a nossas custa teria que matar mesmo outra coisa acho que todo mundo deveria andar armado ai o bandido pensaria duas vezes antes de te assaltar.

  • Paul:

    Mais um gigantesco texto! Fernanda, você é admirável em suas colocações. Contribui em muito no fazer as pessoas pensarem no valor das coisas e das atitudes. Enquanto pessoas que ameaçam ou mesmo tiram a vida de outros para tomar um relógio ou R$100,00, tem todo o perdão da “sociedade” ligada aos “direitos humanos” , ou deputados que embolsam os dinheiros que comprariam remédios ou pagariam médicos para salva vidas, e estas sucumbem, também continuarem a ter tratamento de V.Excias, nosso país vai ter o destino que merece. É muito mais importante protestar contra a homofonia do que contra os políticos assassinos. Parabéns, e continue nos brindando com a sua sempre demonstração de inteligência!

  • CMagalha:

    Dar opinião sobre a vidas dos outros é simples ou complicado.

    Quem deve opinar sobre o aborto é a mulher grávida. Quem é contra precisa entender o que se passa ou, pelo menos, estar lá às 2 da matina, para trocar uma fralda cheia ou ajudar na amamentação. E comprar a alimentação.

    E a pena de morte pode ser necessária, quando o criminoso não tem correção. Fernandinho beira-mar deve voltar para a sociedade ou continuar a gastar os recursos dos nossos impostos ?

    É preciso ser realista.

  • Carlla Vicna:

    Sou contra o aborto e contra a pena de morte. Para mim, as pessoas que se preocupam em o que fazer com adolescentes grávidas deviam se preocupar em o que fazer para tonar essas aolescentes mais conscientes. À propósito, o texto critica julgamentos, no entanto está ele mesmo julgando pessoas que são contra o aborto e a favor da pena de morte. Evitar a morte de um ser até então considerado puro e apoiar a morte de um ser que fez crueldades e causou morte a outras, é considerado hipocrisia. Não é meu ponto de vista, mas acho comprensível quem pensa assim, como também acho compreensível quem apoia o aborto. Num tema como este, cada lado tem bons argumentos.

    • paulosantanna:

      Eu sempre tive a impressão de que as pessoas que são contra a legalização do aborto, ou são religiosas, ou nunca leram uma linha sobre o assunto. Não existe nenhum motivo plausível pra não ser a favor da legalização do aborto. Homens não podem ser “a favor” do aborto, só as mulheres que estão grávidas podem ser a favor ou não, pois esses nunca deverão ter o direito de decidir o que elas devem ou não fazer. E é muito simples de compreender, se você não é “a favor” do aborto, não o faça, mas você deve entender que não possui o direito de decidir sobre a vida de outras pessoas.

  • Hugo:

    Sou a favor do aborto e da pena de morte.

    Não temos direito de julgar sobre a vida de alguém? A princípio e num mundo ideal, não temos. Mas não estamos num mundo ideal. Alguém acha que um cara que estupra e mata 10 mulheres pensou nos direitos dela? Analisou se ele tinha o direito de matar essas mulheres? E o traficante, será que ele pensou se tinha o direito ou não de destruir várias famílias? Tudo é relativo…

    Quanto ao aborto, eu tenho uma opinião baseada num argumento muito simples: uma criança para não virar traficante, ladrão, etc., precisa de amor, carinho e pelo menos um mínimo de dinheiro (exceções não negam esta regra). Se os pais não darão este básico, por que deixar essas células virar uma pessoa? Por que não dar, ao menos, o poder de escolha a estes pais?
    Será que o certo é obrigar estes pais irresponsáveis a ter um filho que não querem e que, por isso, será um excluido da sociedade e outro pai irresponsável, perpetuando este ciclo vicioso?

    • Roberto Amorim:

      Desde quando uma criança pobre está destinada a ser ladrão ou traficante? Se essa sua ideia tivesse sido aplicada no passado, algumas das pessoas mais importantes da história teriam sido abortados, pois nasceram em famílias pobres, entre elas estão:

      Gabrielle Chanel
      Michael Faraday
      Srinivasa Ramanujan

      Para citar apenas três. Se eles tovessem sido abortados apenas por que seus pais eram de famílias pobre, coisas como gasolina, plástico, usinas hidrélétricas, energia eólica, DNA e as mulheres usando calças não teriam sido possíveis.

    • Hugo:

      “exceções não negam esta regra”

      Pra cada exemplo que vc der aí, tem uns 10 mil exemplos anônimos aterrorizando pelas ruas do Brasil e que poderiam ter sido abortados. Coincidentemente, eu e minha esposa fomos assaltados 2 horas atrás por um infeliz destes…

    • Hugo:

      Fui assaltando por um playboyzinho drogado, que – pela cara e roupas – tinha dinheiro, mas enfim.

      A violência é fruto de um “porco sistema de ensino” sim. Mas o próprio “porco sistema de ensino” é fruto – entre outros motivos – de uma população sem controle. Imagine que em vez de bancar educação pra 50 milhões, o governo pudesse pegar o mesmo dinheiro e dar uma educação melhor pra 10 milhões? Imagine se estes 10 milhões viessem de famílias que quiseram tê-los e deram amor e carinho a eles?

    • Marcos Hansen:

      A justiça não é perfeita. Só de existir o fato de alguém ser morto e ser inocente por causa da pena de morte, já é o suficiente pra anula-la. Acho ridículo quem acha que matar é a solução. Note como são os países de primeiro mundo como Noruega, Dinamarca, Suécia…

    • Hugo:

      Não adianta comparar com outros países. Qual o tamanho do tráfico na Noruega? Qual a quantidade de assassinatos? Qual a renda média familiar? Enfim…

      Mas enfim, qual seria a solução? Deixar um cara que mata 10 pessoas (por exemplo) na prisão, recebendo cerca de R$800/mês de INSS (isso mesmo que acontece!) e custando ao Estado 3x mais do que um estudante, e ainda, possivelmente, planejando outros crimes?

    • vantuiljose:

      É necessário criar um sistema prisional que readapte a pessoa à sociedade. Isso é onde o brasil mais falha, a prisão é uma espécie de pós-graduação da criminalidade. Isso não deveria ser assim!
      Vc realmente acha q vale sacrificar um inocente pra matar 100 culpados? Eu não acho!
      Esse é o problema da pena de morte!
      Além disso, os marginais são frutos nosso, da nossa sociedade, dos políticos que elegemos e da disparidade social que criamo, nada mais, nada menos que isso! Devemos arcar com esse custo já que não damos oportunidades para que as pessoas sejam alguém na vida.
      Quem fala do auxílio do INSS parece não entender. Se vc contribui com o INSS vc tem direito a receber, isso é direito, vc contribui e quando não puder trabalhar, eles te dão um auxílio.
      Mas vc tá certo, o melhor é deixar a família dele passar fome, quem sabe assim criamos mais alguns marginais? Afinal, quem se importa!

    • Hugo:

      Eu procuro olhar as coisas num ponto de vista geral de uma sociedade, e não do individual.

      É aquela história do trilho do trem: Tem 5 pessoas amarradas no trilho do trem e o trem está vindo. Tudo que você pode fazer é alterar a trajetória do trem pra outro trilho que tem apenas uma pessoa no trilho. Estudos indicam que 90% das pessoas não fariam nada.

      Não estou dizendo que eu faria alguma coisa não. Muito provavelmente, eu estaria entre os 90% que ficariam parados. Porém, se você analisar de fora e friamente, é muito mais óbvio que a resposta é fazer alguma coisa e matar apenas um. Um cara morreu, ele podia ser inocente, podia ter uma família que vai ficar muito triste. Isso tudo é fo.., mas ele morreu por um bem maior.

      Pra ter pena de morte, a condenação deveria ser muito bem analisada, passada por vários juízes, etc. Mas mesmo que, no meio de 100 criminais que realmente merecem aquilo, morresse um inocente, a morte deste inocente faria parte de um sistema de justiça que salvaria outros milhões de inocentes. Ou seja, morreu por um bem maior.

      Aposto que vão dizer: “e se fosse seu filho?”. Ia ser fo.., ia querer jogar uma bomba neste país. Mas garanto que a chance de um filho meu morrer por um tiro no meio da rua seria milhares de vezes maior do que ser sentenciado injustamente à pena de morte.

  • Pati S.:

    Talvez nos não possamos julgar alguem, no entanto nos podemos julgar os atos das pessoas de forma justa. No entanto o justo, desde a criação do conceito de justiça infelizmente tem sido misturado com religião e seus dogmas e por conta disso fica tão dificil se discutir temas como aborto e pena de morte.

  • andre_tohuin:

    Enquanto a sociedade for dominados por conceitos como “certo ou errado, Bem e mal” sempre haverá esse tipo de pensamentos, pois o que é certo e errado é apenas uma questão de angulo que se é observado assim como duas tribos em guerra todas as duas são o bem e o mal ao mesmo tempo depende apenas de quem esta respondendo. Perfeito se existisse ,eu acredito que exista, uma verdade unica e que nos soubéssemos.
    Acho a palavra morte muito forte e cheia de conceitos formados que vem junto com ela, sou contra alguém matar outra pessoa, embora seja inadimissivél que certas pessoas sobrevivam, sob nossos custo, dentro de nossa sociedade.
    Também acredito que até que a criança nasça a decisão de viver ou não é da mãe, pois o feto ainda é parte do corpo da mãe.
    Como protesto poderia uma mãe tirar a própria vida para que a criança não sobreviva.

  • Thiago Alcalde:

    Apesar dos paradoxos apresentados pelo texto quanto ao paradoxal direito à vida que nos seria assegurado, além do tema ser puramente subjetivo, fugindo da crença das publicações deste site que se baseiam no niilismo, venho expor a minha posição quanto ao tema que também é paradoxal, mas expressa a imensa dúvida que é ser humano e pensante diante das inúmeras incertezas do Universo.
    Eu sou contra o aborto na maioria dos casos, mas, não posso criminalizar o aborto e nem mesmo impedir que aquelas que desejem faze-lo tenham acesso à atenção médica adequada, ou seja, quem queira faze-lo deve ter acesso a médicos qualificados e todo o suporte da sociedade para faze-lo, pois o verdadeiro crime contra a vida humana não é apenas o aborto em si, mas sim as consequências deste ato na vida da mãe quando praticado fora da legalidade além da alcunha de criminosa.
    Quanto à pena de morte creio que não eu não saiba realmente o que opinar afinal somos incapazes de julgar tudo em sua plenitude.

  • Luiza Santiago:

    Gostei muito.

Comentários fechados

Os comentários deste post foram encerrados.